Samira Félix é vice-campeã brasileira nos Jogos da Juventude
Após temporada marcada por títulos, recordes pessoais e evolução, atleta de Paraíso conquista medalha de prata nos 800 metros em Foz do Iguaçu
A
atleta paraisense Samira Oliveira Félix, de 17 anos, conquistou um dos
resultados mais importantes de sua trajetória no atletismo ao garantir a
medalha de prata nos 800 metros dos Jogos da Juventude 2026, disputados em Foz
do Iguaçu, no Paraná. Representando Minas Gerais, sagrou-se vice-campeã
brasileira na competição escolar, coroando uma temporada de títulos estaduais,
recordes pessoais e resultados expressivos no cenário nacional.
A
conquista veio depois de um período de intensa preparação física e emocional.
Em agosto, Samira havia terminado o Campeonato Brasileiro Sub-18 na sexta
colocação dos 800 metros, resultado que lhe permitiu avaliar o nível das
adversárias que encontraria nos Jogos da Juventude. Embora soubesse que
enfrentaria atletas com marcas superiores às suas, manteve o objetivo de chegar
ao pódio. E conseguiu, o tempo de 2min21s93. “Eu e meu treinador vínhamos
conversando há bastante tempo sobre o sonho e a realidade. O sonho era ser medalhista
nos Jogos da Juventude, saber que eu podia, que eu conseguia. Mas a realidade
era lidar com o fato de que minhas adversárias estavam em posições melhores no
ranking e tinham um nível muito alto. Então eu precisava ter uma mentalidade
boa para lidar com tudo isso”, conta.
A
experiência adquirida em competições anteriores ajudou a jovem a enfrentar a
pressão. Além das exigências das provas, precisou manter a concentração durante
os dias de convivência com atletas de diferentes estados, conciliando a rotina
de preparação com as distrações naturais de um evento que reúne jovens de todo
o país. “Na hora da competição, a gente lida muito com o emocional. É uma
viagem com muitas pessoas da nossa idade, muitas distrações, e precisamos
manter o foco, cuidar da alimentação e estar preparadas. Nem todo mundo chega
preparado fisicamente e psicologicamente. Eu sabia que tinha treinado para
aquilo. Naquele momento, falei para mim mesma que estava preparada e que era
isso que eu tinha que fazer”, relata.
Outro
desafio surgiu na véspera da prova decisiva. Samira disputou a fase
classificatória dos 400 metros e registrou o oitavo melhor tempo, com
1min00s54. Como apenas seis atletas avançavam à final, ficou fora da disputa
por medalhas nessa distância. Após a corrida, sentiu dores e ficou preocupada
com a possibilidade de não conseguir apresentar seu melhor desempenho nos 800
metros, prova em que, no dia seguinte, conquistaria a prata. “Eu tinha esse
medo de não conseguir correr bem, porque senti dor depois dos 400 metros. Mas
consegui ir lá e ter esse resultado maravilhoso nos 800. Não consegui baixar
meu tempo, mas mantive o mesmo e conquistei essa colocação”, afirma.
A
medalha é resultado de uma evolução construída ao longo dos últimos anos.
Samira começou a participar de competições escolares de atletismo em 2022,
quando estudava na Escola Estadual Paraisense. Em 2023, sob orientação do
treinador César Leandro, passou a direcionar sua preparação para provas de
maior resistência, especialmente os 800 metros.
Em
2025, conquistou o título estadual da distância nos Jogos Escolares de Minas
Gerais (JEMG), em Uberlândia, garantindo sua primeira participação em uma
competição nacional escolar. Na ocasião, completou a prova em 2min30s. Um ano
depois, a marca de 2min21s93 registrada em Foz do Iguaçu demonstra a evolução
da atleta, que reduziu seu tempo em quase nove segundos.
Os
resultados de 2026 confirmaram esse crescimento. Na etapa regional do JEMG,
disputada em Brumadinho, conquistou ouro nos 800 metros e prata nos 400. Já na
fase estadual, realizada em julho, em Belo Horizonte, venceu as duas provas,
estabeleceu recordes pessoais e garantiu sua segunda classificação consecutiva
para os Jogos da Juventude.
Em
agosto, o Jornal do Sudoeste noticiou que Samira havia alcançado a 17ª
colocação no ranking brasileiro Sub-18 dos 800 metros, passando a integrar o
grupo das 20 melhores atletas do país na categoria. No mesmo mês, disputou o
Campeonato Brasileiro Sub-18, no Estádio Ícaro de Castro Mello, em São Paulo,
terminando em sexto lugar nos 800 metros e oitavo nos 400.
A
sequência de competições proporcionou à paraisense maior experiência e
confiança. Diferentemente de 2025, quando participou dos Jogos da Juventude
pela primeira vez, chegou à edição deste ano conhecendo melhor a dinâmica do
evento e suas próprias condições de disputar as primeiras colocações. “No ano
passado foi minha primeira experiência. Este ano eu já estava mais acostumada,
já sabia como funcionava e tinha a ideia de que estava mais preparada, de que
meu nível estava melhor. Eu sabia que estava pronta para isso”, destaca.
Estudante
da Escola Estadual Benedito Ferreira Calafiori, Samira também reconhece a
importância das pessoas que acompanham sua trajetória. Além da família, dos
amigos e dos companheiros de treino, destaca a relação de confiança construída
com César Leandro, que considera fundamental tanto na preparação esportiva
quanto no equilíbrio emocional. “Minha família está sempre me incentivando,
convivendo comigo todos os dias. Também tenho as pessoas que treinam comigo, os
amigos e, principalmente, meu treinador. Eu brinco que ele é até meu psicólogo,
porque é muito mais do que um treinador, é um amigo”, revela.
A
prata em Foz do Iguaçu também marca o encerramento de um ciclo. Aos 17 anos,
Samira se despede da categoria Sub-18 e das competições escolares que
contribuíram para sua formação. Em 2027, passará a disputar a categoria Sub-20
e pretende iniciar a faculdade, mudanças que exigirão uma nova organização de
sua rotina. “Eu sinto que fechei o ano com chave de ouro. Este foi meu último
ano de Sub-18, meu último JEMG e meus últimos Jogos da Juventude. No ano que
vem, começo a categoria Sub-20 e a faculdade. Vai ser uma rotina nova, com
novas dificuldades, mas sei que vou estar mais forte e mais preparada”,
projeta.
Entre
os objetivos para essa nova etapa está o sonho de representar a seleção
brasileira de atletismo. Para Samira, os resultados alcançados nesta temporada
demonstram que essa possibilidade está cada vez mais próxima. A jovem deseja
seguir competindo em alto nível e construir uma carreira no esporte. “Estar no
pódio hoje me faz sentir muito bem, porque sei que estou mais próxima de onde
quero chegar, que é representar a seleção brasileira. Sinto que estou realmente
a um passo bem pequeno disso. Essa medalha representa todas as dificuldades que
passei, todos os momentos bons e todas as minhas conquistas. É muito mais do
que só uma medalha. Representa todo esse esforço”, declara.
“Eu quero muito representar a seleção brasileira. Uma hora vai chegar e, no ano que vem, vou estar mais forte, mais preparada ainda. Se Deus quiser, vai dar tudo certo. Quero construir uma carreira no esporte, porque hoje eu não vivo sem atletismo. É uma coisa que faz parte de mim”, conclui.



