Familiar afirma que homem preso por agredir a mãe estava em surto psicótico
Familiares do homem de 26 anos preso em flagrante na segunda-feira, em São Sebastião do Paraíso, após agredir a própria mãe, afirmam que ele estava em surto psicótico no momento da ocorrência. A informação foi repassada ao Jornal do Sudoeste por uma familiar, que entrou em contato com a redação para esclarecer o histórico clínico do rapaz, relatar as dificuldades enfrentadas pela família e explicar as circunstâncias que antecederam o episódio.
Segundo o relato, o jovem faz tratamento psiquiátrico desde
a infância, sendo portador de epilepsia e depressão, além de ter desenvolvido,
nos últimos anos, um quadro de esquizofrenia, que se agravou progressivamente.
A familiar afirmou que a família convive com uma luta constante para garantir o
tratamento adequado, sobretudo diante das dificuldades para obtenção da
medicação.
Conforme explicou, há alguns meses o medicamento utilizado
pelo rapaz faltou na farmácia da Prefeitura, não sendo encontrado também em
farmácias particulares da cidade, apesar de se tratar de um remédio considerado
de baixo custo. “Sempre que faltava na farmácia pública, a gente comprava.
Quando a farmácia estava fechada, também comprávamos. Dessa vez, o remédio
faltou no município inteiro”, relatou.
Diante da escassez, familiares chegaram a se deslocar até
Passos para tentar adquirir o medicamento. Na ocasião, foram informados de que
o produto estaria em falta em razão de uma possível mudança de laboratório,
situação que teria comprometido o abastecimento. “Estávamos na correria, porque
ele já estava tendo crises por causa da falta do remédio, embora ainda não
fossem crises agressivas como essa última”, explicou.
A familiar destacou ainda que o próprio jovem costuma ser
responsável por controlar sua medicação. “Ele é consciente, tranquilo, sabe pedir
receita e cuidar dos horários. Só que, neste final de ano, ele não sabia que a
farmácia iria fechar antes do Natal. Quando percebeu, já estava fechada”,
afirmou.
Com o medicamento acabando, o rapaz ficou uma única noite
sem tomar a medicação, e a família já havia combinado que, na manhã seguinte,
buscaria atendimento para conseguir nova receita. Nesse intervalo, ele
apresentou uma crise leve e foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA),
onde recebeu atendimento médico e obteve receita do medicamento. O remédio foi
comprado no mesmo dia, porém, segundo a família, ele já havia ficado cerca de
dois dias sem a medicação regular.
“Cada vez que ele fica sem o remédio, o quadro se agrava. O
problema vai piorando. Antes, ele tinha apenas as crises epilépticas, algo que
muita gente conhece e convive. No caso dele, isso acabou desencadeando a
esquizofrenia”, explicou a familiar.
Ela também lamentou os comentários feitos nas redes sociais
após o ocorrido e ressaltou o vínculo afetivo entre mãe e filho. “Ele sempre
foi muito apegado à mãe, conversavam, se abraçavam todos os dias. Nada do que
aconteceu foi consciente”, afirmou.
Em áudio encaminhado à reportagem, a irmã reforçou que, quando medicado corretamente, o jovem leva uma vida considerada normal. “Foi um fato infeliz, mas não houve intenção. Graças a Deus, minha mãe está bem, se recuperando, e entende toda a situação de saúde do filho”, disse.


