Emprego cresce em Paraíso, mas empresas enfrentam dificuldade para preencher vagas
Mesmo com saldo positivo de 621 novos postos em 2025, funções básicas seguem abertas por meses na UAI
O
mercado de trabalho formal em São Sebastião do Paraíso encerrou 2025 com saldo
positivo na geração de empregos, acompanhando um movimento mais amplo de
recuperação e crescimento observado em Minas Gerais. No entanto, apesar dos
números favoráveis, o município enfrenta um desafio persistente: a dificuldade
de preenchimento de vagas, inclusive em funções que exigem baixa qualificação,
muitas das quais permanecem abertas por longos períodos na Unidade de
Atendimento Integrado-UAI.
De
acordo com dados parciais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged), até o mês de novembro, Paraíso registrou a criação de 621 vagas
formais, resultado de 10.006 admissões e 9.385 desligamentos ao longo do ano. O
desempenho confirma uma trajetória de crescimento do emprego, ainda que marcada
por oscilações mensais.
O
resultado local está inserido em um cenário estadual considerado histórico.
Minas Gerais ultrapassou a marca de 1.027.028 empregos formais criados desde
2019, posicionando-se entre os poucos estados brasileiros a superar 1 milhão de
vagas nos últimos seis anos. Somente em 2025, até novembro, foram mais de 151
mil novos postos de trabalho em todo o estado.
Segundo
a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (SEDESE), esse avanço é
impulsionado, em grande parte, por políticas públicas voltadas à qualificação
profissional e à inclusão produtiva. Programas como o Minas Forma têm buscado
alinhar a formação dos trabalhadores às demandas reais do mercado, com foco na
autonomia econômica e na geração de renda nos territórios.
Em
resposta aos questionamentos da reportagem, a SEDESE apontou que esse conjunto
de ações estruturantes ajuda a explicar por que os efeitos positivos do
crescimento estadual se refletem também nos municípios. “São Sebastião do
Paraíso acompanha essa dinâmica de expansão do emprego formal, ao mesmo tempo
em que enfrenta desafios estruturais para compatibilizar a oferta e a demanda
de mão de obra, especialmente em vagas com menor atratividade e exigências
específicas de perfil profissional”, informou a secretaria.
No
âmbito local, a movimentação mensal do emprego em 2025 mostrou períodos de
expansão mais consistente, especialmente nos meses de fevereiro, maio e junho,
quando o volume de admissões superou o de desligamentos. O comportamento
reforça a capacidade do município de absorver mão de obra e evidencia a
diversidade de sua base econômica.
Os
maiores saldos positivos do ano ocorreram em junho, com 322 vagas, e em
fevereiro, com 279, meses em que as admissões superaram com folga os
desligamentos. Também se destacou maio, com saldo de 135 postos, além de
resultados positivos em janeiro (56), abril (10), julho (11) e novembro (28).
Já as quedas mais expressivas foram registradas em agosto (-143), seguido por
outubro (-50), setembro (-24) e março (-3), evidenciando oscilações pontuais ao
longo do período.
A
análise por setor aponta que o segmento de Serviços foi o principal responsável
pelo saldo positivo no ano, com a criação de 262 vagas, impulsionado por
atividades ligadas a atendimento, logística, apoio empresarial e serviços
diversos. Na sequência, a Agropecuária teve papel relevante, com 162 novos
postos, reafirmando sua importância estrutural para a economia local. O
Comércio contribuiu com 111 vagas, enquanto a Indústria registrou saldo
positivo de 75 postos formais. A Construção Civil, por sua vez, apresentou
crescimento mais moderado, com 15 novas vagas ao longo do período.
Apesar
do desempenho, o município enfrenta um gargalo na intermediação de mão de obra.
Atualmente, há 142 vagas de emprego abertas e em processo de encaminhamento de
candidatos por meio da UAI. As oportunidades ficam disponíveis inicialmente por
até 30 dias, com possibilidade de renovação por mais 30, conforme a demanda das
empresas e o perfil dos trabalhadores cadastrados.
Entre
as funções com maior dificuldade de preenchimento estão ocupações concentradas
principalmente nos setores da Indústria, Comércio e Construção Civil. Cargos
como auxiliar de linha de produção, vendedor no comércio de mercadorias, atendente
balconista, acabador de superfícies de concreto e armador de ferros figuram
entre aqueles que permanecem mais tempo em aberto. Mesmo em setores com elevado
número de vagas ofertadas, observa-se menor interesse por parte dos
trabalhadores em determinadas ocupações.
A
SEDESE atribui essa dificuldade a um conjunto de fatores, como limitações
relacionadas à qualificação profissional, experiência prévia, escolaridade e
dificuldades de deslocamento. Também pesam modelos de trabalho considerados
mais rígidos, com pouca flexibilidade de horários e rotinas, o que reduz a
atratividade de algumas vagas.
Conforme
a secretaria, mesmo em funções que exigem baixa ou nenhuma qualificação formal,
persistem desafios para o preenchimento das oportunidades, situação observada
com maior frequência em áreas como alimentação de linha de produção na
Indústria, vendas no Comércio, cuidados com idosos e atividades da Construção
Civil, como acabamento de superfícies de concreto.
Para a SEDESE, os números do Caged e as informações da intermediação de mão de obra indicam que o município mantém um mercado de trabalho formal ativo, porém com entraves na compatibilização entre oferta e demanda. “Perfil profissional, condições de trabalho e atratividade das vagas seguem no centro das políticas de intermediação e qualificação profissional no município”, concluiu a secretaria.


