Paraíso registra 19 novos casos de HIV em 2025 e mantém mais de 250 pacientes em acompanhamento
Ambulatório de Infectologia (SAE/CTA) amplia PrEP e mantém oferta de testagem, orientação e acompanhamento no município
São
Sebastião do Paraíso registrou 19 novos casos de infecção pelo HIV em 2025 e
mantém mais de 250 pacientes em acompanhamento regular, em tratamento. Os dados
são do Ambulatório de Infectologia da Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo
Dayana Vilas Boas Silva, enfermeira e coordenadora do Ambulatório de
Infectologia, o serviço funciona como SAE/CTA — Serviço de Atendimento
Especializado e Centro de Testagem e Aconselhamento — concentrando o cuidado
contínuo a pessoas vivendo com HIV e a oferta de testagem e orientação, com
atendimento sigiloso e preservação da privacidade dos usuários.
Além do
acompanhamento clínico, o relatório do setor aponta avanço na estratégia de
prevenção, com destaque para a ampliação da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Em
2025, o serviço registrou mais de 150 pacientes cadastrados na PrEP. A
ampliação da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) significa o aumento do número de
pessoas atendidas pelo serviço que utilizam medicamentos para prevenir a
infecção pelo HIV antes da exposição ao vírus, com acompanhamento regular,
exames periódicos e orientação oferecidos pelo SUS.
O
ambulatório também mantém a oferta da Profilaxia Pós-Exposição (PEP), indicada
em situações de possível exposição ao HIV. Durante o atendimento, é realizada a
testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites B e C, além da oferta de
imunizações, conforme o relatório.
Ao longo
de 2025, a unidade contabilizou 7.186 atendimentos e realizou 14.361
procedimentos de saúde, volume que, segundo o documento, reflete a demanda do
serviço e a necessidade de manter o fluxo organizado para garantir acolhimento
e início oportuno do tratamento. Quanto ao perfil das pessoas em tratamento
acompanhadas pelo ambulatório, 69% são homens e 31% mulheres, dado usados para
orientar ações de prevenção e cuidado.
Com o
acompanhamento contínuo e a ampliação das estratégias de prevenção e testagem,
a Secretaria Municipal de Saúde reforça que a detecção precoce e o início do
tratamento são decisivos para qualidade de vida e para reduzir a transmissão do
vírus. A orientação é que, em caso de dúvida ou necessidade de avaliação, o
morador procure a rede municipal de saúde para receber encaminhamento e
informação adequada.
CUIDADO QUE VAI ALÉM DO TRATAMENTO
Durante
o tratamento, as pessoas que vivem com HIV têm acesso a acompanhamento por uma
equipe multiprofissional, com foco na melhoria da qualidade de vida, na
garantia de direitos e no suporte emocional. Segundo a psicóloga Larissa
Roberta Vicentini, que integra a equipe do Ambulatório de Infectologia, o apoio
psicológico é fundamental para ajudar na adesão regular aos cuidados de saúde,
especialmente diante das mudanças de rotina e de estilo de vida exigidas pelo
tratamento.
Ela
destaca que o acompanhamento psicológico também é essencial para o enfrentamento
e a superação do preconceito e da discriminação que ainda persistem na
sociedade. “Esse estigma tem raízes históricas, ligadas à epidemia de Aids na
década de 1980, e ainda impacta diretamente a saúde emocional das pessoas que
vivem com HIV”, explica.
Larissa
reforça que o tratamento oferecido pelo SUS é gratuito e conta com suporte
especializado bem estruturado, o que permite que a pessoa mantenha qualidade de
vida, saúde e interrompa a cadeia de transmissão ao alcançar a carga viral
indetectável. “Hoje sabemos que indetectável é igual a intransmissível. A
pessoa pode manter sua vida social, profissional e afetiva-sexual como qualquer
outra”, afirma.
De acordo com a psicóloga, atualmente o prejuízo mais grave à saúde dessa população não está no tratamento em si, mas no impacto psicológico causado pelo medo e pela sorofobia, termo usado para definir a discriminação contra pessoas soropositivas. “Por isso, trabalhar a autoestima, o senso de segurança quanto aos direitos, o pertencimento, a confiança no tratamento e habilidades sociais, como a comunicação, é essencial para garantir uma saúde integral”, conclui.

