Equipes da F1 tiveram importante semana de testes para compreender seus carros

Apenas a Williams não participou da sessão por atraso na finalização de seu modelo FW48
Foto: Mercedes / Divulgação
George Russell com a Mercedes W17 em Barcelona

Dez das 11 equipes que vão disputar a temporada 2026 da F1, que começa no dia 8 de março com o GP da Austrália, tiveram uma semana importante para conhecer o funcionamento de seus carros antes de embarcarem para o Bahrein, onde haverá duas sessões de três dias cada de pré-temporada. Apenas a Williams ficou de fora, o que acabou sendo um grande prejuízo inicial para a equipe que terminou o campeonato passado na 5ª colocação e tem planos ambiciosos para ir mais além nesta temporada.

Ano passado a Williams abriu mão de atualizar seus carros para concentrar todas as atenções no projeto do FW48 que Carlos Sainz e Alex Albon vão pilotar nesta temporada, mas houve atraso na finalização do carro que segundo fontes, está acima do peso mínimo para este ano (760 kg) e na busca pelo ‘emagrecimento’, o carro foi reprovado no teste de colisão da Federação Internacional de Automobilismo, o que gerou todo o atraso. Houve atraso também na programação da Aston Martin, mas tudo se resolveu a tempo de colocar na pista o AMR26, primeira criação do genial Adrian Newey para a equipe, modelo com significativas diferenças dos demais carros.

Todas as equipes puderam escolher três dos cinco dias disponíveis para fazer o chamado “shakedown” (teste de avaliação) na pista de Barcelona, na Espanha. Os ensaios ocorreram a portas fechadas para o público e a imprensa a fim de preservar a privacidade das equipes para conhecer e compreender o funcionamento de seus carros que estão diante de uma das maiores mudanças de regulamento técnico já vistas na F1. Apesar das restrições, não faltou informações e algumas imagens disponibilizadas pela própria F1 e pelas equipes. 

Um dos termos que os fãs mais ouvirão falar nesta temporada será “gerenciamento de energia”, por conta do aumento triplicado da potência que vem do sistema de recuperação de energia que passa a ser responsável por valor próximo a 50% da potência total do motor, somada a outros 50% produzida pelo motor a combustão interna, que passa a ser alimentado por combustível 100% sintético, produzidos a partir de moléculas sustentáveis encontradas tanto na natureza quanto no lixo urbano (exceto resíduos de alimentos). É o fim definitivo dos combustíveis fósseis que empurram os carros da F1 desde os primórdios.

Os pilotos terão que gerenciar o consumo de energia para não ficar sem potência, além de saber carregar a bateria para dispor da potência extra que terão para usar da forma que desejar, e também para realizar ultrapassagens, substituindo o antigo DRS (asa traseira móvel) quando estiver a menos de 1 segundo de distância do carro da frente.

Durante a apresentação do novo carro da Haas, o experiente Esteban Ocon, piloto francês que vai para sua 10ª temporada na F1, deu depoimento curioso, alegando que a partir de agora os pilotos vão enfrentar uma forma tão diferente de pilotar por conta do gerenciamento de energia que “é como se tivéssemos que esquecer tudo o que aprendemos desde o kart”. Outro que foi na mesma direção, Charles Leclerc, da Ferrari, disse que “é muito diferente do que temos dirigido até agora”.

Os testes que terminaram nesta sexta-feira tiveram saldo positivo. O temor de 2014, quando a F1 substituiu os motores V8 aspirados pelos V6 turbo híbridos e ninguém conseguiu completar mais do que 31 voltas no primeiro dia de testes, foi dizimado com a maioria das equipes conseguindo acumular quilometragens significativas logo de início. E como se isso não bastasse, o diretor de engenharia da Mercedes, Andrew Shovlin, comemorou o fato de sua equipe estar adiantada em relação ao seu próprio cronograma. Bom sinal!