Paraíso, terra de carnaval

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Os pelos arrepiam, o coração acelera: uma alegria que me habitava sonolenta desperta ao som de uma bateria. Era o Bloco da Mooca vindo ao longe pelas ruas do centro. Atrás dos músicos, um pequeno bando feliz dançava e brincava.

São Sebastião do Paraíso tem uma longa e pouco documentada história carnavalesca:  Pérola Negra, Minas de Ouro, Unidos do Alto, Mocidade Alegre, Império do Samba, Boi Bumbá, Bafo da Onça. Tive a honra de conhecer algumas figuras desses tempos áureos – Mestre Celso, Devair, Paraíba – e já ouvi falar de tantos outros.

Carnaval é um trem mágico. Mas esse bichinho só me pegou quando morei no Rio e conheci o tal do carnaval de rua. A permissão para vestir-me de outras existências, pintar a cara e o corpo, cantar e dançar pela rua – sem passado ou futuro, inteira presente. Essa sensação inebriante de sentir-me parte de algo maior, o sorriso que gruda no rosto e não sai debaixo de sol, chuva ou suor.

Tem seus desconfortos, claro. O trânsito pode se tornar caótico, o barulho incomodar vizinhos e, na falta de banheiros públicos, alguns foliões menos inibidos batizam postes, árvores e canteiros. Esses são só alguns dos desafios. Vale a pena? Minas Gerais acredita que sim.

Belo Horizonte, Ouro Preto e Diamantina já têm seus carnavais estabelecidos que atraem milhares de turistas todos os anos. Músicos, costureiras, artesãos, comerciantes. Quanta gente ganha! O Carnaval deve movimentar R$ 5,75 bilhões na economia do estado em 2026. A folia organizada, e com apoio público, gera renda e emprego por onde finca suas raízes. Em Paraíso não será diferente.

Por aqui, a Câmara Municipal aprovou um repasse de R$ 40 mil aos blocos da Mooca, Carnagandaia, Samba Foi-se e Pontilhão. É o início de um novo tempo para nossa cidade. Paraíso é terra do café, dos ipês e das congadas. Mas é também terra de carnaval.

Já escuto as baterias de dezenas de blocos pulsando alguns anos ali na frente. Nossa cidade com hotéis e pousadas lotados, lojas, bares e restaurantes transbordando de gente. Acima de tudo, nossa cidade tomada por bandos de gente diversa e feliz, todos unidos pela magia do carnaval.

Cineasta, professora e curiosa.
Paraisense de sangue e de coração.