Decisão judicial suspende internações pelo SUS no Hospital Gedor Silveira
Uma decisão judicial proferida no
âmbito de ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal em 2020
determinou a suspensão de novos aceites e de novas internações psiquiátricas no
Hospital Gedor Silveira, em São Sebastião do Paraíso. O processo tramita na
Justiça Federal, na Seção Judiciária local, Vara Cível e Juizado Especial
Federal Adjunto.
A decisão foi recebida com
surpresa pela direção da instituição. Ao Jornal do Sudoeste, o presidente da
Fundação, Fernando Montans Alvarenga, afirmou que a medida se baseia em uma
realidade anterior à atual gestão e não reflete as mudanças implementadas nos
últimos anos.
Segundo ele, o hospital passou
por uma profunda reestruturação desde a intervenção ocorrida em 2023, quando a
atual administração assumiu a unidade. “Transformamos o hospital. Hoje não é
mais um hospital psiquiátrico no modelo antigo, mas sim um hospital
terapêutico, com foco na dignidade do paciente, no cuidado humanizado e na
ressocialização”, destacou.
Fernando também ressaltou que a
decisão judicial não considerou a evolução recente da instituição. “É uma
decisão baseada em fatos de 2020. Ninguém foi verificar como o hospital está
hoje, o que mudou, o que foi feito ao longo desses três anos”, pontuou.
Outro ponto levantado pelo
provedor diz respeito ao impacto regional da medida. Atualmente, o Hospital
Gedor Silveira atende pacientes oriundos de mais de 150 municípios, sendo
referência em saúde mental para uma ampla região. Com a suspensão das novas
internações, segundo ele, há uma demanda represada significativa.
“Só nesta semana temos mais de 50
laudos no SUS aguardando encaminhamento. São pacientes que precisam de
atendimento especializado, e não há estrutura nos municípios, nem no próprio
Estado, para absorver essa demanda”, alertou.
Fernando Alvarenga ainda
demonstrou preocupação com as consequências sociais da decisão. Para ele, a
falta de acolhimento adequado pode agravar quadros clínicos e ampliar problemas
como abandono, vulnerabilidade e até o aumento de casos de suicídio.
“É uma decisão que, na prática,
fecha as portas sem apresentar alternativa. Isso pode deixar municípios
inteiros sem saber como proceder diante de casos graves de saúde mental”,
afirmou.
REAÇÃO
A medida gerou forte reação do
prefeito Marcelo Morais, que se manifestou publicamente na noite de sexta-feira
em rede social. Segundo ele, o município — principal referência regional em
estrutura de atenção psicossocial — não foi sequer convidado para a reunião que
discutiu o tema.
“O município não foi chamado para
uma reunião que trata diretamente de uma responsabilidade sanitária que recai
sobre nós. Depois, a conta chega para o município cumprir decisões judiciais
sem estrutura suficiente”, afirmou.
“Eu quero saber onde esses
pacientes serão colocados. Essa é a pergunta que precisa ser respondida”,
enfatizou. Marcelo Moraes também criticou o entendimento de que a rede RAPS
estaria estruturada para absorver a demanda. “Dizem que a rede está completa,
mas isso não condiz com a realidade. O único município da região com rede
estruturada é Paraíso. Os demais não têm condição de absorver esses pacientes”,
afirmou.
Marcelo Moraes também chamou
atenção para a contradição entre decisões judiciais. “Ao mesmo tempo em que se
impede a entrada de novos pacientes, continuam chegando decisões obrigando o
município a providenciar internações. E aí, como vamos cumprir?”, questionou.
Diante do cenário, Marcelo Moraes
afirmou que o município poderá assumir a gestão da unidade, caso necessário.
“Já falei com o provedor Fernando Alvarenga. O que depender de mim, esse
hospital não vai fechar. Se for preciso, o município assume a gestão.
Segundo informações, o prefeito
viajou para Belo Horizonte, onde deve participar neste domingo,22, da posse do
vice-governador Mateus Simões, como governador, e irá expor a situação do Gedor
Silveira a ele na busca do encaminhamento de solução.
Internamente, a administração
informou no comunicado que realizará um processo de alinhamento institucional
com todos os colaboradores, com o objetivo de reorganizar e adequar a dinâmica
assistencial, operacional e administrativa diante do novo cenário imposto pela
decisão judicial. A medida visa assegurar a continuidade do atendimento aos
pacientes atualmente internados, bem como manter o padrão de qualidade do
cuidado prestado.




