Roney Vilaça critica resposta do Estado e cobra reforço urgente na Polícia Civil
Vereador afirmou, em sessão da Câmara, que falta de efetivo compromete investigações e pode se agravar com escolta de presos por policiais civis
Durante
a sessão ordinária de segunda-feira, 23, a Câmara Municipal de São Sebastião do
Paraíso recebeu resposta do Governo de Minas a um ofício encaminhado no ano
passado por iniciativa do vereador Roney Vilaça, solicitando providências para
a convocação de aprovados no concurso da Polícia Civil. O documento havia sido
enviado em setembro de 2025, após aprovação em plenário, com a justificativa de
que o déficit de servidores nas delegacias compromete o funcionamento da
instituição e afeta a segurança pública.
No
ofício, a Câmara apontou a existência de 6.410 cargos vagos na Polícia Civil de
Minas Gerais e destacou que milhares de candidatos aprovados em concurso
aguardavam convocação, podendo reforçar as equipes em diversas regiões do
Estado. O pedido foi assinado pelo vereador Roney Vilaça e pelo presidente da
Casa, Lisandro José Monteiro.
Na
resposta encaminhada à Câmara, a Secretaria de Estado de Governo informou que a
demanda foi remetida à Chefia da Polícia Civil de Minas Gerais. Em manifestação
anexada ao retorno oficial, a instituição esclareceu que o concurso público de
2024 segue em andamento. Segundo o documento, para a carreira de delegado, o
certame ainda está na fase de investigação social. Já para os cargos de
médico-legista, perito criminal e investigador de polícia, foi informado o
início do curso de formação profissional na Academia de Polícia Civil de Minas
Gerais.
O
governo também ressaltou que o edital constitui a norma máxima do concurso e
que as etapas previstas devem ser observadas, advertindo que alterações no
andamento do processo podem gerar insegurança jurídica. Ao final, a Polícia
Civil reafirmou compromisso com a segurança pública e com a defesa do interesse
coletivo.
Após a
leitura da correspondência, Roney Vilaça criticou o teor da resposta e afirmou
que o documento não apresenta solução prática para o problema enfrentado pela
corporação. “Eu estava lendo essa resposta antes de iniciarmos a sessão, e ela
acaba não falando nada de nada”, declarou.
O
vereador afirmou que a situação não se restringe a São Sebastião do Paraíso e
disse que o cenário tende a se agravar com a necessidade de policiais civis
realizarem escoltas de presos, em razão de decisão judicial. Segundo ele, isso
fará com que investigadores deixem temporariamente suas funções para cumprir
deslocamentos a cidades da região.
“Os
poucos investigadores que nós temos, que estão fazendo a investigação dos
crimes, terão que estar fazendo escala agora, levando preso em Monte Santo,
Alfenas, Itamogi. Escolta de preso nem é função da Polícia Civil, é função da
Polícia Penal. Mas decisão judicial se cumpre, e vai ser cumprida”, afirmou.
De
acordo com o parlamentar, a consequência direta será a redução da capacidade de
apuração dos crimes. “Na hora da folga dele, ele não vai estar fazendo
investigação. É a pessoa que está aí na comunidade, que infelizmente tem um
furto, um roubo, um crime contra a vida, e que não vai ter quem vá investigar”,
disse.
Roney
também defendeu a convocação dos aprovados em concurso como medida urgente para
recomposição do efetivo. “A gente sabe que tem instrumentos jurídicos e
administrativos. Eles podem simplesmente fazer o chamado dos demais. Eles
passaram no concurso, estão aprovados”, afirmou.
Na
avaliação do vereador, o Estado tem ampliado a demanda pelos serviços de
segurança pública sem promover a reposição necessária no quadro de servidores.
“O serviço aumenta e o efetivo diminui. Isso vai refletir em mau serviço
prestado para a comunidade. E não é porque a pessoa não quer trabalhar, não; é
porque é humanamente impossível você dar conta de uma demanda que seria de
cinco e exigir que um só faça”, declarou.
O parlamentar também criticou a política salarial do Estado em relação às forças de segurança e voltou a defender maior valorização dos profissionais da área.




