Projeto propõe regras mais rígidas para cães agressivos e punições mais duras a tutores
Texto apresentado pelo vereador Bijuliano Reis amplia penalidades, reforça exigência de focinheira e prevê cadastro municipal de animais potencialmente perigosos
Deu
entrada na Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso, na sessão ordinária
desta semana, o Projeto de Lei nº 5.831, de autoria do vereador Juliano Reis, o
Biju, que propõe alterações na Lei Municipal nº 5.040/2023 para endurecer as
regras relacionadas à condução e guarda de cães com potencial ofensivo, ampliar
a responsabilização dos tutores e reforçar medidas de prevenção a ataques. O
texto modifica dispositivos da legislação que trata da Política Municipal de
Gestão Animal e mira, sobretudo, casos de negligência, omissão e reincidência
envolvendo agressões.
A
proposta foi apresentada em meio à preocupação com episódios recentes
registrados no município e com a circulação frequente de cães de médio e grande
porte sem focinheira em espaços públicos, como ruas, praças e áreas de lazer.
Durante sua fala na tribuna, Juliano Reis exibiu imagens de cães feridos após
ataques provocados por animais de grande porte que, segundo ele, estavam sem o
uso de focinheira, numa tentativa de ilustrar a gravidade do problema e
defender o endurecimento da legislação municipal.
Pelo
projeto, passa a ser criado o Cadastro Municipal de Animais Potencialmente
Perigosos, que deverá funcionar conforme regulamentação do Poder Executivo. O
texto também estabelece a obrigatoriedade do uso de focinheira para animais de
médio e grande porte com potencial ofensivo ou histórico de agressividade.
Outra mudança prevista é a participação obrigatória dos tutores em programa de
orientação ou curso de guarda responsável, especialmente em casos envolvendo
infração às normas de segurança, agressão ou comportamento de risco do animal.
Entre os
pontos centrais da proposta está a inclusão da omissão do tutor como infração.
Pela redação apresentada, poderá ser responsabilizado o responsável que deixar
de agir para impedir ataque causado por animal sob sua guarda, quando houver
possibilidade de intervenção. O projeto também prevê a apreensão do animal em
casos de ataque com lesão grave ou morte, além da possibilidade de perda da
guarda e restrição de posse por até cinco anos nos casos considerados mais
graves.
A
matéria ainda amplia o rigor das punições financeiras. Em caso de reincidência
envolvendo agressão, a multa poderá ser aplicada em dobro ou triplo, observados
os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Já quando a infração
resultar na morte de outro animal, a penalidade poderá ser aplicada em grau
máximo, com aumento de até 200%, sem prejuízo das demais sanções previstas em
lei.
Outro
dispositivo inserido no projeto assegura a qualquer cidadão o direito de
denunciar infrações por meio de canais oficiais do município, com possibilidade
de comunicação também aos órgãos de segurança pública quando for o caso. A
intenção, segundo o texto, é ampliar o alcance da fiscalização e facilitar a
atuação do poder público diante de situações de risco ou de descumprimento das
normas.
Na
justificativa anexada ao projeto, o autor afirma que as mudanças não criam
novas infrações, mas qualificam as já existentes, tornando a legislação mais
eficaz e mais compatível com a realidade enfrentada pelo município. O documento
sustenta que as emendas visam aprimorar a efetividade da Política Municipal de
Gestão Animal, reforçando ao mesmo tempo a segurança pública e o bem-estar
animal, especialmente diante de casos recentes envolvendo ataques de cães com
resultado grave ou morte.
Juliano
Reis afirma que a proposta surgiu a partir do aumento de ocorrências envolvendo
ataques de cães e da presença recorrente de animais sem focinheira em vias
públicas e espaços frequentados por famílias, crianças e idosos. Ele também
cita preocupação com pessoas que estimulam comportamento agressivo em seus
animais, transformando-os, segundo suas palavras, em instrumentos de ataque
contra outros cães e até gatos.
O vereador menciona, ainda, um caso recente ocorrido no bairro São Judas, em que, conforme relatado por ele, um cão da raça rottweiler atacou um pinscher e o levou à morte, enquanto o proprietário não conseguiu conter a situação. Para Juliano Reis, episódios desse tipo reforçam a necessidade de atualização da legislação, com penalidades proporcionais à gravidade das ocorrências e uma fiscalização mais ostensiva. “Minha intenção é garantir que a lei acompanhe os fatos que vêm acontecendo. Precisamos proteger tanto os
animais quanto a população, com medidas firmes,
proporcionais e que realmente sejam aplicadas”, afirmou o vereador.
O projeto foi aprovado como objeto de deliberação e segue para análise das comissões permanentes de Defesa dos Direitos dos Animais e de Finanças, Justiça e Legislação.



