Kimi Antonelli segue fazendo história
Em meio à negatividade causada pelo novo regulamento da F1, Kimi Antonelli vai escrevendo seu nome nas principais estatísticas da categoria
Kimi Antonelli venceu o Grande Prêmio do Japão, repetindo o feito que havia conseguido na corrida passada, na China. Lá, esse italiano de Bolonha, havia se tornado o mais jovem piloto a conquistar uma pole position na F1. Em Suzuka ele fez novamente a pole, venceu pela segunda vez e agora tornou-se o mais jovem piloto a liderar o campeonato aos 19 anos, 7 meses e 4 dias, superando a marca de precocidade anterior que desde 2007 pertencia a Lewis Hamilton que tinha 22 anos, 4 meses e 6 dias quando assumiu a liderança após o GP da Espanha em seu ano de estreia na categoria. O mais novo recorde de Antonelli tem outras estatísticas interessantes como pano de fundo: Pela primeira vez, desde 1953 quando Alberto Ascari venceu os GPs da Holanda e da Bélgica, que um italiano não vencia duas corridas seguidas na F1; e desde a vitória de Giancarlo Fisichella na abertura do campeonato de 2005 que o “país da bota” não liderava o campeonato de pilotos.
Antonelli precisou contar um pouco com a sorte para vencer a
corrida. Ele havia largado muito mal, caindo da pole position para a 6ª posição
na primeira volta. Esse é um problema que os novos carros de algumas equipes
estão enfrentando nesse começo de campeonato, e os da Mercedes, assim como os
da Audi, de Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg, são alguns deles. Oscar
Piastri que conseguiu largar pela primeira vez no ano (na Austrália bateu na
volta de alinhamento para o grid e na China os dois carros da McLaren não
largaram por problemas mecânicos), assumiu a ponta, mas Antonelli acabou
beneficiado por um Safety Car ocasionado pela batida de Oliver Bearman (falo
sobre isso mais abaixo) no momento em que ele estava a caminho de seu pit stop.
A partir daí, Antonelli mais uma vez mostrou maturidade apesar de sua juventude
e da pouca experiência para comandar a corrida e vencer com mais de 13 segundos
de vantagem sobre Piastri. Charles Leclerc completou o pódio com a Ferrari
depois de superar o companheiro de equipe Lewis Hamilton que terminou em 6º, e
George Russell com a outra Mercedes que pela primeira vez no ano terminou fora
do pódio, em 4º.
Gabriel Bortoleto teve uma corrida discreta no Japão depois
de ter ido bem na classificação e obter a 9ª posição no grid, mas na largada
caiu para 14º e não conseguiu se recuperar, terminando apenas em 13º.
Depois de três corridas e uma sprint, Antonelli lidera o
campeonato com 72 pontos contra 63 de Russell e 49 de Leclerc.
A F1 recebeu uma enxurrada de críticas de pilotos e de fãs
por conta desse novo e complexo regulamento em que o gerenciamento de energia
tem desagradado boa parte deles. Max Verstappen é o mais insatisfeito, e no
Japão disse que está avaliando se vale a pena ou não continuar competindo na F1
sem estar satisfeito com a forma de pilotar esses carros. Questionado se havia
refletido sobre o novo regulamento depois de criticá-lo nas corridas anteriores,
o holandês disse “não sei o que pensar disso. Não sei a palavra certa para
descrever. Não me decepciono e nem me frustro mais com o que está acontecendo”.
Charles Leclerc disse “não suporto essas regras na classificação”; Fernando
Alonso disse que “até o chefe de cozinha da Aston Martin pilota esses carros”,
e que “as habilidades dos pilotos não são mais necessárias porque não há mais o
desafio nas curvas de alta velocidade”. E Lando Norris falou que “dói na alma
ver a velocidade cair em mais de 50 km/h nas retas”. Eu já havia observado isso
antes, e em Suzuka ficou explícito o corte das imagens das câmeras onboard dos
carros pela TV nas retas para não expor a ‘sofrência’ dos motores perdendo
potência e velocidade enquanto carrega a bateria.
O forte acidente de Oliver Bearman foi consequência dessa diferença de velocidade quando um carro vem com potência máxima e encontra pela frente outro mais lento com a bateria descarregada. O piloto da Haas se aproximou rápido da Alpine de Franco Colapinto que estava 50 km/h mais lento, e Bearman teve que escapar pela grama e bater na barreira de proteção com impacto de 50G. Felizmente Oliver sofreu apenas uma pequena contusão no joelho. Mas a F1 terá que rever essas regras agora no intervalo durante o mês de abril, que não terá corridas por conta do cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita devido à desnecessária guerra criada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.
Boa Páscoa a todos!



