Quando o esporte e a inclusão se unem

Conheça a história de João Carlos Yago Peixoto Pires (16), que ultrapassa barreiras através do amor pelo futebol
Foto: Divulgação
João Carlos Yago Peixoto Pires

O esporte como inclusão é um dos melhores caminhos para impactos positivos na vida de qualquer pessoa. E o futebol e futsal são os que fazem parte da vida do jovem João Carlos Yago Peixoto Pires, de 16 anos.

Apaixonado por futebol e corinthiano fanático, João se inspira no arqueiro do Timão, Hugo Souza, quando atua. Seus primeiros contatos com o futebol foram na escola e no bairro São Judas, do qual nasceu em 8 de dezembro de 2009 e cresceu até os dias atuais. Aos sábados, após ajudar com o trabalho em uma obra, e aos domingos, sempre que autorizado pela mãe, vai jogar bola com seus amigos.

O jovem que está em seu 2º ano do ensino médio e técnico em agronegócio da Escola Estadual Clóvis Salgado tem deficiência auditiva. Mas ela não o impediu de poder fazer parte da equipe que representou a escola na fase interescolar do JEMG (Jogos Escolares de Minas Gerais) 2026, módulo II, sub-17. João foi o primeiro a se oferecer para atuar como goleiro da equipe e atuou muito bem. Com a linguagem universal do futsal, João se dá muito bem com seus companheiros de quadra.

“Ele não parece possuir deficiência auditiva na hora de jogar, porque, na hora do jogo, a inclusão faz com que ele se torne mais um, e, por meio de sinais, ele consegue distribuir a bola para seus colegas. Ele não fica na inércia, ele está sempre atento, consegue fazer lançamentos que resultam em boas jogadas e até em gols também. Então, na hora de jogar, a língua portuguesa e a língua brasileira de sinais não possuem barreiras, tornam-se unidas ali, tudo na mesma atmosfera, e os meninos o abraçam neste momento; é uma união muito completa”, – contou Otávio Francisco Santos Cruz (42), intérprete de Libras que acompanha João nas aulas da parte da manhã na escola.

Erick José de Souza, 15 anos, relata como João se comporta e se sai bem nas partidas e treinos disputados pela escola.

“Ele aponta e faz gestos mostrando onde tem jogadores para nós irmos fazer a marcação, como um goleiro tem que fazer, já que é a posição que tem a maior visão do que está acontecendo em quadra, ajudando o time a se posicionar. Ele tem muita visão de jogo e bom posicionamento; para fazer um gol nele, tem que ser uma bola muito difícil de se defender, já que se posiciona muito bem e tem facilidade para fazer defesas, encaixando a bola.”

O amor pelo futebol é tanto que, em um trabalho de sala de aula, no qual foi perguntado como cada aluno se via daqui a dez anos, João respondeu que se via como um goleiro profissional de futebol.

Por meio de Otávio, João falou por que preferiu jogar no gol do que na linha: “Eu gosto dos equipamentos, de sentir a luva, a bola, o gramado, na quadra, de se jogar, e claro, todos sempre procuram um bom goleiro e eu quero ser esse bom goleiro. Uma boa defesa para mim é a que consigo encaixar a bola, ou de mão trocada.”

João, uma vez por semana, às terças, especialmente, vai até a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) para fazer fonoaudiologia. A sua reação com o esporte de quando sua equipe vence fica muito feliz e, de quando perde, muito triste, também se reflete no seu comportamento em sala de aula com os trabalhos que são aplicados pela escola.

“Ele é muito perseverante. Quando passo para ele estudar, ele não deixa de estudar; ele fica mal quando vai mal em algum trabalho, mas sempre retorna depois de estudar e faz o trabalho. Ele é um ótimo aluno, disciplinado, está sempre fazendo grupos quando precisa para trabalhos, respeita e é respeitado por todos, segue ordens e tudo no tempo certo, a escola o acolhe e ele está sempre junto de todos, na inclusão.” – explica Margarida Rodrigues Barbosa Silva (62), intérprete de libras que acompanha o João nas aulas da parte da tarde.

O Clóvis Salgado hoje está com cerca de 50 alunos da educação especial, como conta o diretor da escola, João Menezes (33).

“Todas as salas aqui do Clóvis Salgado hoje têm dois ou três alunos que são da educação especial. Um deles é o João, que chegou aqui no ano passado no 1.º ano do ensino médio. Veio para fazer o curso técnico em agronegócio e se destacou jogando no gol e também com pebolim.”

João é o mais velho de quatro irmãos e mora junto de seus avós e da mãe, Tarlene Noca Peixoto (36), que falou o quanto o esporte o faz construir um caminho vitorioso e cheio de companheirismo, e que isso reflete tanto em casa quanto na escola.

“Tudo que ele pensa em fazer, ele se dedica muito. Na escola, ele se mostra muito interessado e responsável, sempre buscando aprender. Em casa ele é muito carinhoso, gosta muito de estar com a família, sempre respeita os mais velhos, tem uma ótima convivência, gosta de ser participativo. No futebol, essa disciplina dele de não perder nenhum treino, de ser disciplinado, de se empolgar quando os amigos chamam para jogar e que mostra a importância do trabalho dele em equipe. São muitas lições, como as orações antes do jogo, lidar com vitórias e derrotas. O futebol o ajuda não só como aluno ou atleta, mas pessoalmente, em que ele está construindo aos poucos um caminho baseado em esforço, determinação e respeito, e temos certeza de que ele é um vitorioso até aqui e será ainda mais”. (por Rubens Avelar)