Envelhecimento da população exige planejamento e políticas públicas

Pesquisa de educador físico de Paraíso alerta para impactos na saúde, na economia e na estrutura das cidades
Foto: Divulgação
O professor Olavo e participantes de projeto de promoção da saúde durante atividade de hidroginástica

O avanço do envelhecimento da população e os impactos que essa mudança deve provocar na saúde pública, na economia e na estrutura das cidades motivaram um alerta apresentado pelo educador físico Olavo Martins Júnior. Em pesquisa sobre o tema, ele defende a criação e o fortalecimento de políticas públicas permanentes voltadas ao envelhecimento com saúde, autonomia e dignidade.

Segundo a pesquisa do professor, , que atua no Projeto de Promoção em Saúde com idosos do município, o Brasil caminha para uma transformação profunda em seu perfil demográfico. A projeção é de que, já na próxima década, o número de idosos supere o de crianças. Por volta de 2050, essa parcela da população poderá representar cerca de um quarto dos brasileiros, alterando de forma significativa a demanda por serviços públicos, cuidados e estrutura urbana.

Na avaliação de Olavo, o desafio precisa ser enfrentado com antecedência. “Sem ações preventivas, os custos humanos, sociais e econômicos serão extremamente elevados”, afirma. Ele destaca que o envelhecimento sem planejamento tende a ampliar os casos de doenças crônicas e degenerativas, elevar internações, aumentar a necessidade de cuidadores, sobrecarregar famílias e exigir mais investimentos em acessibilidade, mobilidade e atendimento próximo das residências.

A pesquisa também chama atenção para os efeitos sociais desse processo, como isolamento, depressão, perda de autonomia, quedas, dependência e maior vulnerabilidade entre os idosos. Para o educador físico, a atividade física deve ser tratada como uma das principais ferramentas de prevenção. “Envelhecer com saúde, autonomia e dignidade deve ser um direito de todos e uma prioridade das políticas públicas”, sustenta.

Atualmente, os projetos de Promoção da Saúde atendem cerca de 1.600 pessoas por semana no município, com atividades como hidroginástica, alongamento, dança, exercícios funcionais e Vida Ativa em espaços públicos. De acordo com levantamento feito com 263 participantes, os resultados apontam alto impacto positivo na rotina dos usuários, especialmente entre o público idoso.

Quando questionados sobre a influência da atividade física na qualidade de vida, 88,2% atribuíram nota máxima. Em relação à saúde mental, 88,6% também deram nota 10. O reconhecimento dos benefícios emocionais foi unânime: 100% dos entrevistados afirmaram que a prática ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade. Além disso, 97,7% relataram melhora no sono, e 99,6% disseram que a atividade física contribui para aumentar a confiança e a autoestima.

As modalidades oferecidas também receberam avaliações elevadas. As aulas de hidroginástica foram classificadas como excelentes por 92% dos participantes, enquanto o Vida Ativa alcançou 81% de excelência. A dança recebeu aprovação máxima de 70,7% e o alongamento, de 79,5%. O atendimento da equipe foi considerado excelente por 93,5% dos usuários, e a conduta dos professores teve 96,2% de aprovação máxima.

O perfil dos participantes mostra predominância do público feminino, com 95,4% dos respondentes. A maioria, 68,4%, pratica atividade física três vezes por semana. Outros 11,8% participam quatro vezes por semana, e 8% frequentam as atividades cinco vezes na semana. A hidroginástica aparece como a modalidade mais procurada, com 74,5% de adesão.

Para Olavo, esses números mostram que investir em promoção da saúde é também preparar a cidade para o futuro. “Investir em atividade física hoje é preparar a cidade para o futuro”, afirma na pesquisa. Segundo ele, o retorno aparece na redução de internações, na diminuição dos gastos com saúde, no aumento da autonomia funcional e na melhoria da qualidade de vida da população idosa.

Ao defender o tema, Olavo sustenta que o envelhecimento populacional precisa deixar de ser visto apenas como uma questão futura e passar a ser tratado desde já como prioridade de gestão pública, com integração entre saúde, assistência social, mobilidade urbana, educação e infraestrutura.