Miami testa as novas introduções no regulamento de motores da F1

Entre mudanças técnicas, e um novato em ascensão, o GP de Miami surge como divisor de águas entre o que foi visto nas primeiras etapas, e o que virá pela frente
Foto: F1 / Divulgação
F1 retoma o campeonato neste final de semana depois de longa pausa, desde o GP do Japão

Depois da pausa forçada de cinco semanas desde o GP do Japão por conta do cancelamento dos Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita, a F1 retoma o campeonato com o GP de Miami, quarta etapa da temporada e a segunda de seis corridas sprint do ano.

A edição de 2025 também contou com a corrida sprint, vencida por Lando Norris, enquanto Oscar Piastri venceu a prova principal, seguido por Norris em segundo, e George Russell, que completou o pódio.

As três etapas disputadas até aqui nesta temporada foram amplamente dominadas pela Mercedes, com George Russell vencendo na Austrália, e Kimi Antonelli na China e no Japão.

Antonelli é até aqui o nome da temporada. Tornou-se o mais jovem piloto a conquistar uma pole position na F1, aos 19 anos, em Xangai, além de ser o mais jovem a liderar o campeonato. De quebra, alcançou um feito que não acontecia há 73 anos na categoria: um piloto italiano vencer duas corridas seguidas.

O início promissor de Antonelli colocou o experiente companheiro de equipe sob pressão. Ao mesmo tempo, o desempenho do jovem italiano espantou o marasmo que se desenhava no horizonte desde a pré-temporada, quando ficou evidente que a Mercedes tinha o melhor carro e temia-se que Russell pudesse tornar o campeonato monótono.

A McLaren chega a Miami com sinais de que pode ameaçar as “flechas de prata”, após superar o começo difícil nas duas primeiras corridas. Em Suzuka, Oscar Piastri esteve em condições de vencer a corrida, não fosse a intervenção do Safety Car.

Mas as atenções do final de semana estão voltadas para os ajustes que foram feitos no regulamento de motores com o objetivo de corrigir os problemas que desagradaram a todos na F1, com a necessidade exagerada de gerenciamento de energia da parte elétrica dos motores.

O foco principal está nas voltas de classificação, nas quais os pilotos poderão voltar a andar no limite, sem precisar ser conservadores para não ficar sem energia no fim da volta. Outro ponto foi a tentativa de reduzir os riscos de acidentes causados pelas grandes diferenças de velocidade entre carros com potência máxima e outros lentos, regenerando energia. Foi esse cenário que levou ao grave acidente de Oliver Bearman ao evitar a Alpine de Franco Colapinto que estava cerca de 50 km/h mais lento.

As medidas terão um preço: os carros devem ficar cerca de 1 segundo por volta mais lentos, segundo estudos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Mas era uma das poucas soluções disponíveis com efeito imediato para remediar os efeitos colaterais do regulamento de motores que passou a ter (quase) 50% das potências divididas entre combustão e sistema elétrico.

Este é o quinto GP de Miami, disputado no Circuito Internacional de Miami, nos arredores do Hard Rock Stadium, casa do Miami Dolphins, time de futebol americano. A pista de 5.412 metros possui traçado interessante com curvas de alta velocidade, longas retas e trechos estreitos de circuito de rua. Por ser pouco usado durante o ano, a pista evolui ao longo do final de semana.

Além dos ajustes no regulamento, os olhos também estão voltados para Max Verstappen que tem o seu pior começo de temporada desde de 2018, sem nenhum pódio nas três primeiras corridas, e para a Aston Martin que investiu pesado, gerou elevada expectativa, mas teve desempenho vexatório até aqui.

A sprint acontece neste sábado, às 13h; a classificação às 17h, e o Grande Prêmio de Miami no domingo, também às 17h.