Gedor Silveira esclarece alta de último paciente e alerta para impacto da paralisação do hospital

Foto: Arquivo “JS”
Presidente da fundação, Fernando Montans Alvarenga

A Fundação Gedor Silve-ira divulgou, por meio de suas redes sociais, uma nota oficial detalhando a atual situação do Hospital Gedor e os desdobramentos da interrupção das atividades assistenciais da unidade, referência regional em saúde mental.

De acordo com o comunicado, o último paciente citado recentemente em publicações já se encontrava de alta médica desde o dia 24 de março deste ano, aguardando apenas a retirada pelo município de origem, conforme o fluxo da rede pública. A fundação esclarece que, nesse período, a permanência do paciente não era mais de natureza clínica, mas sim de caráter social e administrativo. Sua saída, segundo a nota, marca o encerramento do ciclo assistencial da unidade neste momento.

O presidente da fundação, Fernando Montans Alvarenga, manifestou pesar diante da situação e destacou os esforços realizados para evitar o desfecho. “Hoje a gente teve a tristeza de desospitalizar o nosso último paciente. Mas ressaltamos que lutamos nas esferas estadual e federal. Os municípios não queriam isso. Eles sabem da importância do hospital”, afirmou.

Segundo ele, relatos de pacientes e familiares evidenciam o impacto positivo do atendimento prestado pela instituição ao longo dos anos. “Os pacientes têm relatos de várias formas do tanto que o hospital foi bom para eles e para as famílias”, acrescentou.

Fernando Alvarenga “Não tem mais o que ser. As pessoas que estão comandando o nosso país não aceitam esse tipo de tratamento. Acho que isso é desumano e, no fundo, o que a gente faz bem feito aqui é dar carinho e atenção para esses nossos pacientes”, disse.

O dirigente ressaltou ainda que há tentativas em curso, envolvendo o Ministério Público e a administração municipal, na busca por alternativas que minimizem os impactos regionais. “Estamos tentando uma melhor saída para que não fique um vazio tão grande na nossa região, em Minas Gerais, mas não tem nada definido ainda. Vai ser uma ação muito mais local do que estadual”, pontuou.

No balanço das atividades, o Hospital Gedor ressalta que, apenas no último ano, atendeu pacientes oriundos de mais de 150 municípios, com centenas de internações realizadas em regime de rotatividade. A média de permanência variava entre 30 e 45 dias, com foco na estabilização dos quadros e posterior alta. A instituição também destacou que o ambiente entre pacientes e equipe foi pautado pelo respeito e profissionalismo, com manutenção da qualidade do atendimento até o último momento de funcionamento.

A fundação alerta que a interrupção das atividades poderá provocar impactos diretos na rede de saúde mental, incluindo possível sobrecarga dos serviços de urgência e risco de desassistência. Diante desse cenário, o comunicado alerta sobre a necessidade de uma solução coordenada entre Estado e municípios para garantir a continuidade do atendimento.

Sobre a paralisação, a entidade afirma que, neste momento, trata-se de uma interrupção das atividades assistenciais motivada pela ausência de novos encaminhamentos e de laudos que viabilizem internações. Não há previsão de retomada, e a diretoria informou que deverá adotar as medidas administrativas cabíveis.

A unidade contava com aproximadamente 150 colaboradores, entre equipe administrativa e multiprofissional, incluindo 16 médicos — sendo três psiquiatras e três clínicos. Ainda conforme a nota, apesar de haver decisão judicial favorável à continuidade das atividades, a ausência de fluxo de pacientes por parte do Estado inviabiliza o funcionamento.

Reconhecido como referência em saúde mental para municípios mineiros, o Hospital Gedor atendia com foco no tratamento, estabilização e reinserção social dos pacientes. A fundação conclui ressaltando que a ausência do serviço impacta diretamente a população.