Cidinha alerta para aumento de casos de sofrimento mental e cita preocupação com fechamento do Gedor Silveira

A vereadora relacionou casos de autoimolação, demanda por psiquiatras e impacto do encerramento das atividades do hospital psiquiátrico
Foto: ASSCAM/Bibiana Percope
Vereadora Maria Aparecida Cerize (Cidinha)

Durante a sessão da Câmara, segunda-feira, 4, a vereadora Maria Aparecida Cerize (Cidinha), chamou atenção para o aumento de casos relacionados ao sofrimento mental em São Sebastião do Paraíso e manifestou preocupação com o fechamento do Hospital Psiquiátrico Gedor Silveira.

Cidinha solicitou moção de pesar pelo falecimento de uma paciente, que havia sido internada em estado grave após atear fogo ao próprio corpo. A vítima estava sob cuidados no Hospital de Queimados da Santa Casa de Paraíso, mas não resistiu aos ferimentos. “Como todos sabem, hoje nós temos os centros de queimados. Então, os pacientes de Minas Gerais, como referência, são trazidos aqui para São Sebastião do Paraíso”, afirmou.

A vereadora relatou que chamou sua atenção o fato de pessoas recentemente internadas com queimaduras terem sido vítimas de autoimolação, quando a própria pessoa ateia fogo ao corpo em uma tentativa de tirar a própria vida. Segundo ela, além do sofrimento emocional, o quadro provoca dor intensa e consequências físicas graves. “É uma coisa muito dolorosa para o paciente, para o familiar. O paciente fica muito modificado. A queimadura é algo que deforma naquele processo inflamatório em que o paciente se encontra”, ressaltou.

Cidinha afirmou que o tema precisa ser observado com mais atenção pela sociedade. Para ela, os casos revelam um agravamento dos problemas ligados à saúde mental, que atingem adultos, adolescentes e crianças. “A doença mental vai matar mais do que qualquer coisa. Nós não estamos falando de depressão só em adulto, a gente está falando de adolescência, a gente está falando de crianças. E a gente precisa começar a olhar para isso”, destacou.

A vereadora também relacionou o problema ao modo de vida atual, ao uso das redes sociais e ao distanciamento nas relações familiares. “O que a gente tem feito hoje para que isso esteja acontecendo? Como está o nosso acesso à rede social? Como está o nosso dia a dia? Como está a nossa fala com a família? Como está o nosso sentar na mesa? Como está o olhar no olhar dos filhos?”, questionou.

Segundo Cidinha, a demanda por atendimento psiquiátrico tem crescido de forma significativa no município. Ela citou o pedido de uma moradora para que fossem contratados mais profissionais na rede pública, diante da demora para conseguir consulta. “A quantidade de pessoas que hoje precisa de uma consulta com psiquiatra é absurda. E a gente sabe também das dificuldades de contratação desses profissionais na rede”.

Na sequência, a vereadora tratou do fechamento do Gedor Silveira e disse não compreender como será feito o atendimento aos pacientes em situação mais grave. Segundo ela, o hospital cumpria papel essencial dentro da rede de atenção psicossocial, especialmente para pessoas em surtos psicóticos e quadros agudos. “Na minha visão, o Gedor Silveira é como se fosse a UTI de um hospital”, comparou.

Cidinha explicou que a rede pública de atenção psicossocial conta com serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e residências terapêuticas, mas afirmou que o hospital psiquiátrico era o espaço destinado aos pacientes em estado mais grave. “Retirar isso é como se você olhasse ali na Santa Casa e tivesse todas as enfermarias, mas não tivesse a UTI. O paciente vai para onde? Como vai ser dado esse tratamento a esses pacientes?”.

Para a vereadora, o encerramento das atividades do hospital psiquiátrico Gedor Silveira pode gerar reflexos negativos no atendimento em saúde mental. Ela disse esperar que ainda haja alguma alternativa para garantir assistência aos pacientes. “Eu ainda tenho esperança que uma luz no fundo do túnel apareça, que algumas coisas possam ser estabelecidas, mas a gente sabe que isso não é fácil”, concluiu.