Prefeito de São Sebastião do Paraíso ameaça processar autoridades sanitárias por falha em regulação pelo CORE

Foto: ASSCOM/Prefeitura
Prefeito Marcelo Morais

A crise envolvendo falhas no sistema CORE, responsável pela regulação hospitalar em Minas Gerais, tem ocasionado grande transtorno em São Sebastião do Paraíso e região. O prefeito Marcelo Morais endureceu o discurso contra o Governo do Estado e afirmou que poderá acionar judicialmente os entes responsáveis caso os problemas persistam, diante do risco de agravamento de pacientes que aguardam transferências para internações de maior complexidade.

Segundo o prefeito, desde o dia 19 o município tem enfrentado dificuldades recorrentes na regulação de pacientes, com atrasos considerados graves para pessoas em estado delicado de saúde. Marcelo afirma já ter comunicado a situação diretamente ao governador, ao secretário estadual de Saúde e a integrantes da pasta, mas sustenta que, até o momento, os problemas permanecem sem solução efetiva e piorando a cada dia.

O colapso recorrente do sistema CORE, plataforma utilizada para regulação hospitalar em Minas Gerais, tem exposto uma realidade preocupante: a demora na transferência de pacientes graves e o consequente risco à vida de quem depende de um leito de maior complexidade para sobreviver. Na prática, pacientes que deveriam ser rapidamente encaminhados para a Santa Casa de Misericórdia de São Sebastião do Paraíso, acabam permanecendo por horas aguardando o leito de internação e, quando conseguem, são regulados para hospitais distantes. Houve o caso de um único paciente que após aguardar por 24 horas foi direcionado para os hospitais de Alfenas, Campestre e Itamogi, exceto São Sebastião do Paraíso.

“Se as pessoas reclamavam do SUS Fácil onde quem demorava para o aceito eram as instituições, hoje posso garantir que o Estado assumiu ou por incompetência da equipe que está à frente ou por perseguição com São Sebastião do Paraíso, porque quando tenho cinco pacientes na tela esperando há mais de 10 horas com fratura exposta, mando mensagem para uns três xingando, aí a situação resolver. Por que tem que ser dessa maneira”, questiona Morais.

Conforme o prefeito Marcelo Morais, o impacto é direto. “Quando um paciente grave aguarda excessivamente por uma vaga hospitalar, não se trata apenas de burocracia ou demora administrativa: trata-se de tempo perdido em situações em que minutos podem significar a diferença entre a recuperação e o agravamento irreversível do quadro clínico. Quem responde por exemplo de um caso que tive desta semana de um paciente com traumatismo craniano que ficou esperando somente para ser regulado quase duas horas e se não fosse mudarmos totalmente o fluxo o paciente teria vindo a óbito eu iria responsabilizar quem? O Chapolin Colorado?”, ressalta.

Segundo informações, na última quinta-feira, seis pacientes em estado grave ficaram das 16h às 22h aguardando a regulação, que só aconteceu após interferência do prefeito ao cobrar às autoridades competentes. “Depois eu fico nervoso, mando mensagem para todo mundo, xingo meio mundo de gente, aí em cinco minutos regulam todos os pacientes. Isso é o que? Se não for descaso é incompetência”, destaca o prefeito Marcelo.

Além do sofrimento das famílias, o problema também tem gerado impacto direto na capacidade de atendimento da UPA de São Sebastião do Paraíso, que opera diariamente com uma média de até 500 atendimentos por dia. Com a demora na regulação e nas transferências via CORE, pacientes que aguardam vagas hospitalares acabam permanecendo por longos períodos na unidade, ocupando leitos que deveriam ter alta rotatividade. A consequência é a sobrecarga do serviço, atrasos no fluxo de atendimento e aumento do tempo de espera para novos pacientes de urgência e emergência, comprometendo a agilidade e a eficiência no acolhimento da população.

A fragilidade do CORE evidencia um problema estrutural que precisa ser enfrentado com urgência pelo Estado. “Um sistema de regulação não pode falhar justamente nos momentos em que vidas dependem dele. Tecnologia instável, ausência de respostas rápidas e dificuldades operacionais transformam um processo que deveria salvar vidas em um fator adicional de insegurança para pacientes e equipes médicas, tendo, é claro, na boca de terceira que está tudo bem e que tudo dito é mentira, mas daqui a pouco todos verão a bomba que será se ninguém resolver o problema”, acrescenta o prefeito.

Conforme Morais, é preciso mais do que justificativas técnicas. “A população espera eficiência, e responsabilidade. Saúde pública exige funcionamento contínuo, especialmente quando envolve pacientes críticos. Quando a regulação falha, quem paga a conta é o cidadão. Já comuniquei ao governador, ao secretário de estado de Saúde e se morrer alguém aqui em decorrência de atraso na regulação, eu vou responsabilizar a todos”, finaliza. (Secom Pref. SSP)