Reminho questiona parecer do TCE e pede aprovação das contas de 2015
Ex-prefeito reconheceu aplicação abaixo do mínimo na educação, mas negou desvio, alegou falhas no processo e pediu reflexão dos vereadores
O ex-prefeito de São
Sebastião do Paraíso, Rêmolo Aloise, o Reminho, utilizou a Tribuna Livre da
Câmara Municipal segunda-feira, 1º, para defender a aprovação das contas
referentes ao exercício de 2015, que receberam parecer prévio pela rejeição por
parte do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).
Durante a manifestação,
Reminho reconheceu que o município não atingiu, naquele exercício, o mínimo
constitucional de 25% de aplicação na educação. Segundo ele, o índice apurado
foi de 23,18%, o que representaria diferença de aproximadamente 1,8 ponto
percentual em relação ao exigido. O ex-prefeito, no entanto, afirmou que a
situação não envolveu desvio de recursos, fraude ou enriquecimento ilícito.
“Não há questionamento. Faltou 1,8. No meu mandato, graças a Deus, eu não tenho
problemas de desvio de maneira nenhuma”, afirma.
Reminho também sustentou
que já teria respondido judicialmente pela não aplicação do índice mínimo na
educação. De acordo com ele, o episódio resultou em penalização já cumprida,
razão pela qual pediu que os vereadores avaliem o caso considerando esse
histórico. “Eu paguei pela não aplicação. Paguei [com inegibilidade]. Está
pago, a conta está paga”, afirma o ex-prefeito, ao defender que não deveria ser
responsabilizado novamente pelo mesmo fato.
Outro ponto levantado
pelo ex-prefeito foi a tramitação do processo no Tribunal de Contas. Segundo
Reminho, não houve comunicação formal adequada para que pudesse apresentar sua
defesa antes da emissão do parecer pela rejeição das contas. O ex-prefeito
afirmou que, ao analisar a documentação, identificou ausência de oficialização
de sua intimação, o que, em sua avaliação, comprometeu o direito ao
contraditório e à ampla defesa. “Eu encontrei uma falta de oficialização para
que eu pudesse fazer a minha defesa”, afirma.
Durante a fala, Reminho
também fez críticas ao parecer do TCE-MG. O ex-prefeito afirmou que o relatório
contém apontamentos que, segundo ele, não retratariam integralmente a realidade
dos fatos. Ao se referir ao órgão, lembrou uma expressão que, segundo ele, era
utilizada na Assembleia Legislativa. “Na Assembleia, às vezes nós falávamos ‘Tribunal
que faz de conta’, e não Tribunal de Contas”, diz.
O ex-prefeito ainda
comentou sobre a composição do julgamento no Tribunal. Segundo Reminho, parte
dos conselheiros titulares do TCE-MG eram seus colegas da época em que atuou na
Assembleia Legislativa, o que, na avaliação dele, poderia gerar suspeição ou
impedimento para análise das contas. Ele afirmou que, por esse motivo, suas
contas teriam sido analisadas por conselheiro substituto. “Dos sete
conselheiros do Tribunal de Contas, quatro foram meus colegas. Sentaram comigo
durante 20 anos”, afirma.
Reminho argumentou que
essa condição deveria ser considerada na análise do processo pela Câmara. Para
o ex-prefeito, o julgamento das contas precisa observar não apenas o índice
constitucional não atingido, mas também o conjunto da tramitação, eventuais
falhas procedimentais, a ausência de desvio de recursos e o fato de, segundo
ele, já ter sido penalizado pela mesma situação.
Ao longo da manifestação,
o ex-prefeito também fez um resgate de sua trajetória pessoal e política. Ele
lembrou ter nascido em São Sebastião do Paraíso, citou sua formação em Medicina
pela Universidade Federal de Minas Gerais e recordou mandatos exercidos como
prefeito e deputado estadual. Reminho afirmou ainda que sua vida pública foi
marcada por decisões difíceis, entre elas a renúncia ao mandato de prefeito em
2016.
Médico de formação,
Reminho também defendeu sua atuação na área da saúde durante o período em que
esteve à frente do Executivo. Ele afirmou que sua administração aplicou mais de
30% do orçamento municipal no setor e citou investimentos em exames, unidades
de saúde, odontologia, UPA e estruturação da rede municipal. Também elogiou o
trabalho da atual administração na recuperação da Policlínica, obra que,
segundo ele, foi construída em sua gestão.
O ex-prefeito ainda
comentou sobre a estrutura da Câmara Municipal. Ele lembrou que a construção da
atual sede do Legislativo teve início quando era prefeito e elogiou o prédio,
afirmando que poucos municípios mineiros possuem estrutura semelhante. Reminho
também agradeceu a oportunidade de ocupar a Tribuna Livre e disse que fazia
questão de registrar sua passagem pelo espaço.
Na conclusão da fala,
Reminho pediu que os vereadores façam uma reflexão sobre o relatório do
Tribunal de Contas, a defesa apresentada e o pedido para que o parecer prévio
do TCE-MG seja rejeitado. Após a manifestação, parlamentares utilizaram a palavra
para comentar a trajetória pública do ex-prefeito, recordar sua atuação como
deputado e prefeito e elogiar sua participação na sessão.
O processo agora será analisado pela comissão formada pela Câmara Municipal, que ficará responsável por avaliar o parecer do Tribunal de Contas, a defesa apresentada pelo ex-prefeito e os demais elementos relacionados ao julgamento das contas de 2015. Após essa etapa, o caso deverá seguir para apreciação do plenário.

