Quem foi que disse que Hamilton estava acabado?

Heptacampeão se emocionou ao conquistar sua primeira vitória com a Ferrari e agradeceu à equipe e aos fãs que sempre o fizeram lembrar de quem ele é
Foto: Reprodução / F1
Lewis Hamilton voltou a vencer na F1 depois de longo jejum de 686 dias

O GP de Barcelona-Catalunha foi um marco para Lewis Hamilton e para a Ferrari. Foi o primeiro triunfo do binômio mais vitorioso da F1. Hamilton não ganhava uma corrida desde o Grande Prêmio da Bélgica de 2024, quando ainda estava na Mercedes, enquanto a equipe de Maranello não chegava na primeira posição desde a etapa da Cidade do México do mesmo ano, com Carlos Sainz.

A vitória de Hamilton teve vários significados. A caminho dos boxes, agradeceu à equipe e aos fãs que, segundo ele, “sempre me lembraram de quem eu sou”. As palavras refletem as dificuldades que enfrentou em seu ano de estreia pela Ferrari, quando o próprio piloto chegou a questionar sua capacidade e a se considerar inútil. Na esteira dos problemas com a falta de adaptação à nova equipe, não foram poucos os comentários de que Hamilton estava acabado para a F1.

Os boatos de que anunciaria sua aposentadoria em Silverstone, local do Grande Prêmio da Inglaterra no próximo mês, circularam na imprensa europeia e foram veementemente desmentidos pelo piloto na semana do GP do Canadá. Coincidentemente, Hamilton subiu ao pódio ao terminar aquela prova na segunda posição. E repetiu o feito na etapa seguinte, em Mônaco.

A vitória parecia questão de tempo, mas seria necessário que tudo se encaixasse com perfeição para desbancar a favorita Mercedes, que vinha de seis vitórias consecutivas — cinco delas com Kimi Antonelli.

Hamilton largou da segunda posição do grid depois de perder a pole position para George Russell por apenas 64 milésimos de segundo. O Circuito de Montmeló não mascara as deficiências dos carros. É uma pista técnica onde o carro que anda bem costuma ir bem em todas as outras. E a Ferrari acertou nas estratégias e superou a Mercedes com três paradas para troca de pneus, contra duas da equipe alemã.

Hamilton e a Ferrari viram a grande chance de dar um nó estratégico na Mercedes quando Fernando Alonso abandonou a prova e o Safety Car Virtual foi acionado para a retirada do Aston Martin da pista. Naquele momento, a vantagem de Lewis era de 15 segundos sobre George Russell, que estava em segundo. A parada foi certeira, Hamilton voltou à frente e rumou para a vitória histórica.

Foi a sua 106ª vitória na F1, a primeira com a Ferrari, e a sétima no Circuito de Montmeló, superando Michael Schumacher que venceu seis vezes nesta pista. Aqui cabe um parêntese: em 1996, Schumacher conquistou sua primeira vitória com a Ferrari, a 106ª da equipe na F1. Três décadas depois, no mesmo circuito, Hamilton repetiu o feito ao alcançar sua primeira vitória pela escuderia e, coincidentemente, também a 106ª de sua carreira. Em comum, ambos são heptacampeões mundiais.

Aos 41 anos, 5 meses e 7 dias, Hamilton é o sétimo piloto mais velho a vencer uma corrida na F1. Desde 1994, quando Nigel Mansell venceu o GP da Austrália aos 41 anos e 3 meses, não havia um vencedor com mais de 40 anos de idade.

Os números e as estatísticas são muitos: Hamilton tornou-se o 41º piloto a vencer com a Ferrari. Ele se junta a Juan Manuel Fangio como os únicos a vencer corridas tanto pela Mercedes quanto pela Ferrari.

Para quem pensou que Hamilton estava acabado, a felicidade com que celebrou a vitória sinaliza que sua história na F1 está longe do fim.

Os três primeiros colocados do GP de Barcelona-Catalunha produziram outro dado curioso: foi a primeira vez desde Jackie Stewart, Graham Hill e John Surtees no GP dos Estados Unidos de 1968 que três pilotos britânicos dividiram o pódio. Hamilton, Russell e Lando Norris terminaram nessa ordem a sétima etapa do Mundial de 2026.

Kimi Antonelli, sensação da temporada, sofreu um revés a quatro voltas da bandeirada. Depois de uma bela ultrapassagem sobre o companheiro, George Russell, o italiano abandonou a prova por problemas elétricos e ficou sem pontuar pela primeira vez no ano. Mesmo assim, segue na liderança do campeonato com 156 pontos contra 115 de Hamilton e 106 de Russell.