O dia em que Senna vingou a derrota da Seleção
Um dia após o Brasil ser eliminado da Copa do Mundo pela França, Senna deu o troco nos franceses
Enquanto a Copa do Mundo segue a
todo vapor, nunca é demais resgatar um fato histórico que completou quarenta
anos na última segunda-feira (22). Era o fim de semana do Grande Prêmio dos
Estados Unidos, no Circuito de rua de Detroit, a capital do automóvel.
O mesmo calor enfrentado pelos
jogadores neste ano durante a transição da primavera-verão no Hemisfério Norte,
também castigou os pilotos da F1 no Estado de Michigan. Fazia sol escaldante e
a temperatura do asfalto que, diga-se, era bastante irregular, indicava duas
paradas para a troca de pneus.
No sábado, enquanto Ayrton Senna
cravava mais uma pole position — a quarta do ano —, no México, a Seleção
Brasileira amargava uma doída derrota para a França nos pênaltis e estava
eliminada da Copa do Mundo de 1986 nas quartas de final, dando adeus ao então
sonho do tetracampeonato.
No grid para a corrida de
Detroit, apenas dois brasileiros: Senna e Nelson Piquet, diante de quatro
pilotos franceses: Alain Prost, então atual campeão, Jacques Laffite, René
Arnoux e Philippe Streiff, além da equipe Ligier, 100% francesa, empurrada
pelos motores Renault, e de uma legião de mecânicos franceses.
Senna liderou a primeira volta,
foi ultrapassado por Nigel Mansell na segunda, e recuperou a primeira posição
oito voltas depois. Mas um inesperado furo de pneu o obrigou a fazer um pit
stop prematuro, colocando em xeque suas chances de vitória. A Ligier-Renault
tinha um bom carro naquele ano e a dupla, Arnoux e Laffite, faziam bom
campeonato e estavam na disputa pela vitória naquela corrida.
Àquela altura, ainda sentidos
pela derrota da Seleção, tudo que os torcedores brasileiros não desejavam era
ver uma vitória francesa na F1.
A corrida se desenrolava e depois
de 40 voltas, Piquet liderava com Senna em segundo, tendo logo atrás a dupla da
Ligier com Arnoux e Laffite, em 3º e 4º, respectivamente.
Pouco depois, Piquet cometeu um
erro e destruiu a Williams no muro. Arnoux não conseguiu desviar e também
bateu. Laffite assumiu a segunda posição e Alain Prost passou a ser o terceiro
colocado.
Ao final de exaustivas 63 voltas,
Senna venceu a corrida — a segunda do ano —, à frente de Laffite e de Prost. A
derrota da Seleção estava vingada. Mas era preciso algo mais, e foi aí que
Senna, ao visualizar um torcedor no alambrado com uma pequena bandeira do
Brasil, parou a Lotus, pediu a um fiscal de pista que pegasse a bandeira e
desfilou pela pista num gesto que se tornaria marca registrada em todas as suas
vitórias seguintes. A Lotus era equipada com motores Renault, e Senna aproveitou
para dar o troco nas provocações que ouviu dos franceses desde a tarde de
sábado.
Pelo menos na F1, o troco estava
dado: vitória brasileira em cima da França. Era uma época de ouro, em que o
país do futebol também era visto como o país da Fórmula 1. Bons tempos aqueles.
GP DA ÁUSTRIA
A F1 segue neste final de semana
com o Grande Prêmio da Áustria, no Circuito Red Bull Ring, 8ª etapa do
campeonato que ganhou um tempero a mais com a vitória de Lewis Hamilton na
última corrida, em Barcelona, com a Ferrari. A escuderia italiana ganhou o
direito a duas atualizações de motores, e já utiliza a primeira nesta corrida,
depois que a FIA concluiu que a Red Bull dispões do melhor motor a combustão da
temporada. Pelo regulamento, isso permite que os demais fabricantes promovam
atualizações para equalizar a disputa.
Uma nova vitória de Hamilton pode incendiar de vez este campeonato, que apesar de todos os problemas enfrentados com o gerenciamento de energia elétrica, e do domínio da Mercedes, tem sido muito bom até aqui.

