Leitos existem, mas pacientes esperam: região cobra mudanças urgentes no CORE Saúde
A Associação Pública dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (AMEG) promoveu, na tarde de quarta-feira (1º), em sua sede, reunião para discutir as dificuldades enfrentadas pelos municípios na utilização do Centro de Operações da Regulação Estadual (CORE Saúde MG). O encontro reuniu prefeitos, secretários municipais
de Saúde, representantes de hospitais da região, vereadores e contou com a
presença do subsecretário de Acesso a Serviços de Saúde de Minas Gerais, Renan
Guimarães de Oliveira.
A reunião foi conduzida pelo
presidente da AMEG e prefeito de Santo Tomás de Aquino, Daniel Ferreira da
Silva, que destacou que o encontro foi convocado em resposta às inúmeras
manifestações dos municípios sobre os impactos da implantação do novo modelo de
regulação assistencial. Segundo ele, a proposta foi consolidar as demandas da
região para encaminhamento conjunto ao Governo de Minas, reforçando a
importância da atuação integrada dos municípios na busca de soluções.
"Esperamos que todas as
demandas apresentadas nesta reunião sejam levadas pelo subsecretário Renan
Guimarães à Secretaria de Estado de Saúde, principalmente que resultem em
medidas concretas. Apenas explicar o funcionamento dessa nova ferramenta, que
na prática ainda não tem atendido às necessidades dos municípios, não é
suficiente. Acreditamos que o CORE tem potencial para facilitar o acesso da
população aos serviços de saúde, mas entendemos que ainda são necessários
importantes ajustes para que o sistema funcione de forma eficiente e atenda às
expectativas de quem depende dele", afirmou Daniel Ferreira.
O prefeito de São Sebastião do
Paraíso, Marcelo Moraes, que mobilizou lideranças da região para a realização
do encontro, apresentou as principais dificuldades enfrentadas pelos
municípios, destacando a demora na regulação de pacientes mesmo diante da
existência de leitos disponíveis, situação que, segundo ele, tem provocado
impactos negativos na assistência à população e aumentado a pressão sobre os
serviços municipais de saúde.
Os secretários municipais
presentes confirmaram que os problemas relatados refletem a realidade
vivenciada em toda a microrregião. "Precisamos de ações concretas, rápidas
e efetivas. Queremos que o Estado saiba que somos parceiros na construção de
soluções para os desafios enfrentados pela nossa região. Não estamos aqui para
criar conflitos, mas, se for necessário adotar uma postura mais firme para
defender os interesses da população, faremos isso. O que não pode acontecer é
um paciente permanecer 30 ou 40 horas aguardando uma regulação sem a definição
de uma vaga em uma instituição de saúde", afirmou Marcelo Moraes.
Durante a reunião foi apresentado
um ofício elaborado conjuntamente pelos municípios, com o objetivo de
formalizar as reivindicações ao Governo de Minas. Após a leitura do documento,
os representantes presentes assinaram o texto, reforçando o posicionamento
unificado da região diante das dificuldades enfrentadas.
Também relataram os impactos do
sistema em seus municípios os prefeitos Felipe Carielo, de Carmo do Rio Claro;
Maurício Silva, de Passos; Márcio Domingos, de Fortaleza de Minas; Norival
Lima, de Itaú de Minas; e Rogério Campagnoli, de Itamogi.
Representantes de Santas Casas e
demais instituições hospitalares apontaram dificuldades relacionadas à
comunicação com a Central Estadual de Regulação, à definição dos fluxos
assistenciais, à ocupação de leitos e ao aumento da demanda administrativa.
Segundo eles, esses fatores comprometem a eficiência do atendimento e
sobrecarregam as equipes de saúde.
Representando a Secretaria de
Estado de Saúde, o subsecretário Renan Guimarães de Oliveira apresentou o
funcionamento do CORE Saúde MG, esclarecendo os objetivos e os fluxos operacionais
do sistema. Após responder aos questionamentos dos participantes, sugeriu que
todas as demandas fossem centralizadas pela AMEG, possibilitando a elaboração
de um plano de ação conjunto para análise da Secretaria de Estado de Saúde.
Durante as discussões também
foram relatados casos preocupantes de pacientes que deixaram as Unidades de
Pronto Atendimento (UPAs) por conta própria para buscar atendimento diretamente
em hospitais, ingressando por meio da classificação de risco do Protocolo de
Manchester. Segundo os participantes, a situação demonstra os efeitos da demora
na regulação e evidencia os riscos enfrentados por pacientes que aguardam
transferência para unidades de maior complexidade.
Um grupo de vereadores de São
Sebastião do Paraíso participou da reunião, composto pelo presidente da Câmara,
Lisandro Monteiro, e pelos vereadores Cidinha Cerize, Daiane Andrade, Laís
Carvalho, Luiz Benedito de Paula, Marcos Vitorino, Roney Vilaça e Tomás
Martins. Os parlamentares afirmaram que têm recebido constantes cobranças da
população em relação à demora na transferência de pacientes e defenderam a
adoção de medidas que garantam maior eficiência ao sistema de regulação.
Como encaminhamento do encontro,
foi criada uma comissão regional para acompanhar permanentemente os
desdobramentos das tratativas junto ao Governo de Minas Gerais. Representando
São Sebastião do Paraíso, a vereadora Cidinha Cerize passa a integrar o grupo,
que terá a missão de monitorar a evolução das demandas apresentadas, manter
diálogo com a Secretaria de Estado de Saúde e cobrar a implementação das
medidas necessárias para aprimorar o funcionamento do CORE Saúde MG.
Ao final da reunião, o presidente da AMEG entregou ofício, documento que reúne as principais reivindicações dos prefeitos, gestores municipais e instituições hospitalares ao subsecretário. Entre os pedidos estão a redução do tempo de resposta das regulações, o respeito às referências assistenciais pactuadas, maior transparência nos critérios adotados pelo sistema, o fortalecimento das Centrais Regionais de Regulação e a criação de um canal permanente de diálogo entre Estado, municípios e hospitais.

