São Tomás de Aquino celebra 141 anos valorizando sua história e suas tradições
Os
141 anos de emancipação político-administrativa de São Tomás de Aquino são
comemorados com uma programação que procura reunir diferentes gerações em torno
da história, da cultura e da religiosidade do município.
A
escolha por uma programação diversificada, com desfile cívico, apresentações
culturais, shows, atividades infantis, celebração religiosa e o tradicional
corte do bolo, demonstra a preocupação em contemplar públicos de todas as
idades. Também evidencia a importância de preservar manifestações culturais
locais, como a apresentação do Coral da Terceira Idade e da Orquestra de Viola
Aquinense, símbolos da valorização da música e das tradições populares.
Em
um período em que muitos municípios enfrentam desafios econômicos e sociais,
comemorar o aniversário da cidade representa também um momento de reflexão
sobre a trajetória construída ao longo de mais de um século e quatro décadas. É
ocasião para reconhecer as conquistas alcançadas, homenagear aqueles que
contribuíram para o desenvolvimento da cidade e renovar o compromisso com o
futuro.
O encerramento da programação acontece hoje
(8). Às 14h, tiveram início atividades recreativas para as crianças, com
brinquedos infláveis na Praça da Matriz. Às 18h será celebrada missa em ação de
graças.
Em seguida, às 19h30, acontece o tradicional
corte do bolo comemorativo e, às 20h, as festividades serão encerradas com
apresentações do Coral da Terceira Idade e da Orquestra de Viola Aquinense.
História
A origem de São Tomás de Aquino remonta às
primeiras décadas do século XIX. De acordo com registros históricos, um dos
primeiros desbravadores da região foi o imigrante português Francisco José
Heregio, garimpeiro que percorreu grande parte das terras que hoje compõem o
município.
Entretanto, a fundação do povoado está
diretamente ligada à atuação do cônego Thomaz de Afonsseca e Silva. Natural de
Paracatu, ele assumiu a Paróquia de São Sebastião do Paraíso após o falecimento
do padre Joaquim Ferreira Teles, em julho de 1884, permanecendo à frente da
paróquia até 1889.
Natural de Paracatu (MG), foi o cônego Tomaz
quem providenciou a aquisição do patrimônio necessário para a construção da
primeira capela dedicada a Santo Tomaz de Aquino, marco que deu origem ao
povoado.
Reconhecido como um religioso de pensamento
progressista, defensor da Abolição da Escravatura, destacou-se também pela
valorização do ser humano, da cultura e do desenvolvimento social, deixando um
legado importante para a formação do município.
A imprensa e o ideal emancipacionista
A história de São Tomás de Aquino também
guarda importante capítulo relacionado à imprensa local, cuja atuação esteve
diretamente ligada ao movimento que culminou na emancipação
político-administrativa do município. Em artigo publicado recentemente no Jornal
do Sudoeste, o professor Luiz Carlos Pais resgata esse período e destaca o
papel desempenhado pelos jornais aquinenses na defesa dos interesses da
comunidade.
Segundo o pesquisador, nas comemorações do
centenário da Independência do Brasil foi publicada a Revista do Centenário,
edição especial de número único organizada pelo jornalista Manuel Marcelino de
Oliveira. A obra foi impressa em uma tradicional tipografia de São Paulo e
contou com o apoio de Antônio Alves de Figueiredo, Moisés Rodrigues de Moura e
Álvaro de Almeida Coelho.
À época, Manuel Marcelino de Oliveira era
redator do jornal A Defesa, periódico de propriedade do escrivão Álvaro de
Almeida Coelho. Tanto a revista quanto o jornal integravam o movimento em favor
da emancipação do então distrito de São Tomás de Aquino, então pertencente a
São Sebastião do Paraíso. O objetivo era divulgar o potencial das férteis
terras cafeeiras da região e fortalecer o pleito pela criação do novo
município, conquista alcançada no ano seguinte.
Quando A Defesa completava seu sexto ano de
circulação, seu redator ressaltava que o periódico mantinha o compromisso com o
progresso da comunidade aquinense, participando do debate político com senso de
justiça e equilíbrio. Naquele período, os moradores acompanhavam regularmente
as crônicas e notícias publicadas em A Defesa e também no jornal O São Tomás.
Antes deles, a imprensa local já havia registrado outras iniciativas, como os jornais O Aquinense, O Distrito, A Época e O Trabalho, publicações impulsionadas, sobretudo, pelos ideais literários e cívicos da juventude aquinense. Entre os nomes que marcaram essa trajetória estão Amadeu Brigagão, Flodoardo Paoliello, Edmundo de Oliveira, Marcílio Ribeiro e Manuel Marcelino de Oliveira, personagens que contribuíram para consolidar a tradição jornalística e fortalecer o sentimento de identidade da comunidade.

