Ferrari desbancou favoritismo da Mercedes em Silverstone
GP da Inglaterra teve final confuso por conta de um safety car, mas não apaga o brilho da Ferrari, enquanto na Mercedes a sorte mudou de lado
Passaram-se 624 dias desde a
última vitória de Charles Leclerc no Grande Prêmio dos Estados Unidos de 2024.
O monegasco venceu o GP da Inglaterra em uma pista na qual, pelas
características do veloz traçado de Silverstone, esperava-se um domínio da
Mercedes, já que o circuito favorece motores mais potentes — o ponto fraco dos
carros da escuderia italiana.
Nem a própria Ferrari soube
explicar de onde veio o forte desempenho apresentado ao longo do fim de semana.
Foi a nona vitória de Leclerc, que passou as últimas corridas tentando superar
a falta de confiança em seu carro. A Ferrari alcançou uma marca histórica ao
conquistar sua 250ª vitória na F1, justamente na pista onde venceu pela
primeira vez, com o argentino José Froilán González, em 1953.
Desde o GP de Abu Dhabi de 2024,
a equipe não terminava uma corrida com seus dois pilotos no pódio. Lewis
Hamilton terminou em terceiro lugar, mas poderia ter sido segundo não fosse a
troca de pneus durante o período de safety car. George Russell permaneceu na pista
acabou quebrando o que seria uma dobradinha da Ferrari.
O Grande Prêmio da Inglaterra foi
uma boa corrida — que contou com o público recorde de 564 mil pessoas ao longo
do fim de semana em Silverstone —, mas teve um desfecho confuso devido a uma
falha de software que emitiu a informação equivocada de que haveria uma
relargada para apenas uma volta, quando, na verdade, não havia tempo para isso.
Tudo começou na 48ª de 52 voltas,
quando uma falha na asa traseira da Red Bull de Max Verstappen o fez escapar da
pista e ficar atolado na caixa de brita. No instante em que o safety car foi
acionado, vários pilotos, entre eles Leclerc e Hamilton, colocaram pneus macios
para as voltas finais. Foi aí que George Russell, que teve um fim de semana de
altos e baixos, herdou a segunda posição porque não houve tempo para a
relargada.
A regra de safety car determina
que, após a reorganização dos carros na pista — depois que os retardatários
retornam ao fim do pelotão — seja completada mais uma volta antes da liberação
para a relargada. Como a prova estava na volta 52, a corrida terminou sob
bandeira amarela, causando um anticlímax.
Na Mercedes, a sorte mudou de
lado. Depois de disparar na liderança do campeonato com cinco vitórias
consecutivas e abrir 68 pontos de vantagem entre os Grandes Prêmios da China e
de Mônaco, Kimi Antonelli que no sábado venceu a Sprint e tinha reais condições
de atacar Charles Leclerc nas voltas finais enquanto ocupava a segunda posição,
sofreu a quebra de um componente aerodinâmico e despencou da segunda para a
décima colocação. O italiano ainda teria somado um ponto, mas recebeu uma
punição de cinco segundos por exceder os limites de pista e terminou o fim de
semana apenas com os oito pontos conquistados pela vitória na Sprint.
Por outro lado, George Russell
que enfrentou uma maré de maus resultados, voltou para o jogo ao descontar 43
pontos nas últimas duas corridas, ficando agora apenas 25 atrás do companheiro
de equipe (179 a 154). Contudo, o resultado de Russell em Silverstone foi mais sorte
do que desempenho, já que difícilmente terminaria no pódio sem os
acontecimentos das voltas finais.
Gabriel Bortoleto fez uma boa
corrida e voltou a pontuar pela primeira vez desde a abertura do campeonato, na
Austrália, ao terminar o GP da Inglaterra na oitava posição.
6 HORAS DE SÃO PAULO
O autódromo de Interlagos recebe
neste fim de semana as 6 Horas de São Paulo, quinta etapa do Mundial de
Endurance (WEC), abrindo a segunda metade da temporada após a tradicional 24
Horas de Le Mans, disputada no mês passado. Será a quinta visita da categoria
ao Brasil. O grid contará com 35 carros de 14 fabricantes e 102 pilotos
inscritos. Serão 17 Hypercar — protótipos de alta tecnologia — e 18 GT3, carros
esportivos derivados de modelos de produção. Dois brasileiros disputam a prova:
Pipo Derani, na classe Hypercar com a Genesis, e Augusto Farfus na GT3 com a
BMW.
As 6 Horas de São Paulo têm
largada prevista para às 11h30 do domingo, e poderão ser acompanhadas na
íntegra pelo Bandsports, e pelos canais do YouTube do Grande Prêmio e do
próprio Bandsports.

