No dia 20 de julho de 1969, quando
a Guerra Fria ainda assustava o mundo, uma nave espacial americana pousou na
Lua. Neil Armstrong deu os primeiros passos na superfície lunar, considerados
um salto para a história das ciências e das tecnologias. Naquele momento, eu
estava na plenitude dos tempos juvenis, com14 anos de idade, ansioso para estudar,
explorar o mundo e ganhar a vida, além dos horizontes da querida terra natal. Eu
estava concluindo o curso ginasial e as aulas de ciências do professor José
Carlos Maldi encantavam meus sonhos de um dia vir a ser professor como ele. Discretamente,
suas aulas foram uma generosa fonte de inspiração para muitos jovens
conterrâneos que também desejavam aprender o melhor caminho possível para a
vida.
No outro dia, bem cedo, fui à
banca de revista do Estevam, que funcionava num pequeno espaço da estação
rodoviária de São Sebastião do Paraíso (MG). Comprei então o mais conhecido
jornal que vinha de São Paulo, trazendo várias páginas e fotos do grande evento.
A reportagem trazia frases de exaltação à soberania dos Estados Unidos que
estava travando com a extinta União Soviética uma corrida tecnológica de
conquista do espaço sideral, sob uma suposta proteção de um arsenal atônico sem
precedentes.
No calor do impacto provocado
pelo grande feito dos astronautas, o psicólogo argentino Enrique Ernesto
Febbraro entendeu que aquele acontecimento seria um grande marco para a
humanidade. A data poderia simbolizar o início de uma nova época e talvez uma
oportunidade para fazer amigos em outros planetas, sem desistir das amizades
terrestres. Muito mais do que uma aventura tecnológica, o ilustre psicólogo acreditava
no potencial nobre da amizade. Passou então a divulgar o lema: “Meu amigo é
meu mestre, meu discípulo e meu companheiro”, enviando milhares de cartas para
o mundo, com a intenção de criar o dia internacional da amizade.
Além das constantes ameaças de
guerras, ontem e hoje, cresce a consciência quanto à importância da amizade,
sentimento que transcende ideias, crenças e diferenças em favor de vínculos
mais fortes que nascem para a construção de um mundo melhor para todos. Manter
uma amizade é um poderoso caminho para combater a epidemia da solidão, que vem
alcançando índices alarmantes.
O isolamento social é uma condição que desencadeia alterações da saúde física e mental. Por outro lado, acolher as pessoas que mais necessitam e cultivar bons sentimentos são atitudes primordiais para o ser humano. Assim, diante dos desafios da atual sociedade das tecnologias digitais, é oportuno registrar o significado simbólico do dia internacional da amizade. Atualmente, crescem os sinais evidentes de aumento da ansiedade, angústia, ataque de pânicos, estresse, entre várias outras alterações da saúde física e mental. (Luiz Carlos Pais professor aposentado e cursa o último semestre de curso de graduação em Psicologia no Centro Universitário Estácio de Campo Grande).

