George Russell sofre outro revés na luta pelo título

Antonelli voltou a vencer e ampliou vantagem na liderança, enquanto Russell abandonou após toque com Hamilton. E a Ferrari mostrou que pode incomodar a Mercedes
Foto: F1 / Divulgação
George Russell ficou atolado na caixa de brita logo na primeira volta após um toque com Lewis Hamilton

O Grande Prêmio da Bélgica foi mais um duro golpe para George Russell na disputa pelo título contra o companheiro de equipe Kimi Antonelli, que voltou a vencer e abrir 45 pontos de vantagem sobre o novo vice-líder, Lewis Hamilton (204 a 159), e 50 pontos à frente de Russell.

O fim de semana não foi fácil para Russell em Spa-Francorchamps. O britânico sofreu com a falta de velocidade em reta com o seu Mercedes W17, sendo, em média, meio segundo mais lento que Antonelli em todas as sessões. E encerrou sua participação na corrida sem completar sequer uma volta, atolado na caixa de brita após um toque com Lewis Hamilton.

Foi um incidente de corrida em que o próprio Russell inocentou Hamilton, que, injustamente, foi penalizado com cinco segundos pelos comissários da FIA. A punição comprometeu suas chances de chegar ao pódio já que Hamilton recebeu a bandeirada na quarta posição, a cinco segundos de Max Verstappen — o terceiro colocado, que deu à Red Bull o 300º pódio na F1.

Na disputa pela vitória, a vida de Antonelli não foi facilitada por Charles Leclerc, beneficiado pela boa estratégia da Ferrari durante um breve período de safety car virtual que colocou o monegasco na liderança da corrida. Na volta 34, Antonelli reassumiu a ponta e venceu a prova com pouco menos de dois segundos de vantagem sobre Leclerc.

Foi a sexta vitória de Antonelli na F1 — todas neste ano — e a oitava da Mercedes na temporada. O jovem italiano vai se firmando cada vez mais como o grande favorito ao título deste ano, algo que a Itália espera desde 1953, quando Alberto Ascari conquistou o bicampeonato.

Apesar dos problemas de gerenciamento de energia que ficam mais evidentes em pistas como Spa-Francorchamps — com longos trechos de aceleração e poucas frenagens para recarregar as baterias, gerando uma perda de velocidade nas retas de cerca de 50 km/h —, o Grande Prêmio da Bélgica, décima etapa do campeonato, entregou uma boa corrida.

E já que a palavra que está na moda é protagonista, vários se destacaram nesta prova: Isack Hadjar foi um deles: largou da 21ª posição e terminou em sexto com o carro da Red Bull. Lando Norris largou da 13ª posição, chegou a liderar a corrida e terminou em sétimo, prejudicado por um pit stop atrapalhado da McLaren.

Gabriel Bortoleto pontuou pela segunda vez seguida. Largou e terminou em oitavo tirando um coelho da cartola com a Audi em pista que exige muita potência do motor — o tendão de Aquiles da equipe estreante. E Franco Colapinto ganhou o décimo lugar depois de realizar uma ultrapassagem semelhante à clássica manobra de Mika Hakkinen no mesmo trecho da pista em 2000, ao superar dois carros de uma só vez — manobra que, infelizmente, a TV não mostrou.

Com as atenções divididas entre a corrida e a decisão entre Espanha e Argentina, vale o registro curioso: na última vez que uma final de Copa do Mundo foi realizada no mesmo dia de um Grande Prêmio de F1, em 2010, a Espanha também venceu na prorrogação, exatamente como no domingo passado.

Dito isso, a F1 está de volta neste fim de semana com o Grande Prêmio da Hungria, décima primeira etapa do Mundial, que marca a metade da temporada e última etapa antes da parada para as férias do verão europeu. É a 41ª corrida da categoria no Circuito de Hungaroring de 4.381 metros. Ao contrário da Bélgica, na Hungria não haverá problemas com gerenciamento de energia, já que a pista é travada com muitas frenagens e apenas uma reta mais longa.

Pelas características do traçado, é bom ficar de olho na Ferrari, que pode surpreender com o bom equilíbrio do chassi de seus carros numa pista que não exige tanto dos motores. Soma-se a isso o fato de Lewis Hamilton ser o maior vencedor do GP da Hungria, com oito triunfos.