Mensagens e relacionamento com sargento entram no foco da investigação sobre morte de conselheira em Jacuí

Policial militar confessou ter atirado em Maryna Colucci de Jesus e ocultado o corpo; prisão preventiva foi decretada pela Justiça
Foto: Reprodução Rede Sociais

O inquérito que apura a morte da conselheira tutelar Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, em Jacuí, ganhou novos contornos nesta semana, após oitivas realizadas pela polícia e a análise de materiais encontrados por familiares. As investigações estão concentradas no relacionamento mantido entre a vítima e um terceiro-sargento da Polícia Militar, preso após confessar ter efetuado os disparos e ocultado o corpo.

Conforme registros policiais, foram encontradas em meio aos pertences de Maryna agendas, diários, fotografias e anotações que indicariam a existência de um relacionamento amoroso entre os dois havia alguns anos. Também foram identificadas declarações de conteúdo afetivo e mensagens trocadas por meio de redes sociais.

A última conversa localizada teria ocorrido na manhã de sexta-feira (21), dia do desaparecimento da conselheira tutelar. As mensagens apontariam que os dois atravessavam um momento de tensão no relacionamento.

Segundo consta no registro policial, Maryna teria ameaçado revelar o vínculo caso o sargento rompesse a relação ou deixasse de encontrá-la. Também teriam sido identificados pedidos de transferência de dinheiro via Pix, acompanhados de ameaças de tornar público o relacionamento se os valores não fossem enviados.

Essas informações, assim como a dinâmica relatada pelo militar, ainda estão sendo apuradas e deverão ser confrontadas com perícias, depoimentos e os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.

Em declarações prestadas a seus superiores, o sargento confirmou que mantinha um relacionamento com Maryna havia anos. Segundo sua versão, uma discussão começou na manhã de sexta-feira, depois que ele apagou uma mensagem em um aplicativo. A conselheira teria interpretado que o militar conversava com outra pessoa e passou a cobrar explicações.

Ainda de acordo com o relato do policial, Maryna teria exigido que ele deixasse a família e assumisse publicamente o relacionamento. Também teria ameaçado revelar o vínculo à esposa dele, a integrantes da corporação e a moradores de Jacuí. O militar afirmou ainda que a conselheira chegou a enviar uma mensagem à sua esposa comentando sobre a relação.

Após as discussões por mensagens, o sargento teria ido de caminhonete até um ponto próximo à residência de Maryna. Os dois seguiram para a zona rural, onde, conforme a versão apresentada pelo suspeito, houve novo desentendimento.

O policial alegou que Maryna teria se apoderado de uma faca e tentado golpeá-lo. Ele admitiu ter efetuado disparos de arma de fogo contra a conselheira e, posteriormente, enterrado o corpo em uma área de mata. Essa versão é apresentada pelo investigado e ainda depende de comprovação pelas autoridades.

Inicialmente preso em flagrante por suspeita de ocultação de cadáver, o sargento passou também a ser investigado por feminicídio. Na quarta-feira (26), após audiência de custódia, a Justiça decretou sua prisão preventiva. Ele permanece custodiado em uma unidade da Polícia Militar em Pouso Alegre.

Embora esteja recolhido em uma instalação da corporação, o caso será encaminhado à Justiça comum. Segundo o delegado-chefe do 18.º Departamento de Polícia Civil, Marcos Pimenta, o militar não estava de serviço, fardado ou no exercício da função policial quando o crime teria sido praticado.

O inquérito prossegue para esclarecer a motivação, a dinâmica completa dos acontecimentos e as circunstâncias da morte. Até eventual condenação definitiva, deve ser observado o princípio constitucional da presunção de inocência.