Sindicato aponta falta de efetivo na Polícia Civil de Paraíso
Segundo o SINDPOL-MG, investigadores são retirados de suas funções para escoltar presos em viagens que podem chegar a dez horas
O Sindicato dos
Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (SINDPOL-MG) apontou falta de
efetivo, desvio de função e prejuízos às atividades de investigação na
Delegacia Regional de Polícia Civil de São Sebastião do Paraíso. A situação foi
levantada durante visita técnica realizada pela entidade na última semana.
O objetivo da visita,
ocorrida na quinta-feira, 3, foi acompanhar as condições de trabalho e ouvir as
principais demandas dos policiais. O sindicato foi representado pela diretora
Vânia Cristina e pela gerência do Corpo Jurídico do SINDPOL-MG.
De acordo com a entidade,
um dos principais problemas identificados é a utilização de investigadores de
Polícia no transporte e na escolta de presos para unidades prisionais.
Dependendo do presídio para o qual o detento é encaminhado, o deslocamento pode
chegar a dez horas.
Nesse período, segundo o
sindicato, profissionais especializados deixam de realizar diligências,
levantar informações, localizar suspeitos, ouvir testemunhas e desempenhar
outras atividades diretamente relacionadas à apuração de crimes.
O SINDPOL-MG afirma que o
problema é agravado pelo déficit de servidores. Em equipes que já trabalham com
número reduzido de profissionais, a retirada de investigadores para escoltas
diminuiria ainda mais a capacidade de investigação e de resposta à população.
Para o sindicato, a
situação não pode ser incorporada à rotina da instituição. “Essa realidade não
pode ser tratada como algo normal. O Investigador de Polícia exerce uma função
essencial na produção da investigação criminal e precisa ter condições para
cumprir plenamente suas atribuições”, afirmou a entidade.
O SINDPOL-MG também
aponta reflexos diretos para a população. “As consequências não recaem apenas
sobre o policial. Elas atingem as investigações, atrasam a apuração dos crimes
e prejudicam toda a sociedade, que depende de uma Polícia Civil eficiente e
preparada”, destacou.
A entidade informou ainda
que continuará cobrando do Estado a recomposição do efetivo da Polícia Civil, o
respeito às atribuições dos investigadores e uma solução definitiva para o
transporte e a escolta de presos.
PROBLEMA JÁ HAVIA SIDO
ALERTADO NA CÂMARA
A falta de efetivo e o
impacto das escoltas sobre as investigações já haviam sido abordados em março
pelo vereador Roney Vilaça, que também é investigador da 4ª Delegacia Regional
de Polícia Civil de São Sebastião do Paraíso.
Na ocasião, ao comentar
resposta do Governo de Minas a um ofício encaminhado pela Câmara, o parlamentar
lembrou que havia 6.410 cargos vagos na Polícia Civil de Minas Gerais e
milhares de candidatos aprovados em concurso aguardando convocação. O documento
enviado pelo Legislativo cobrava o reforço do efetivo da instituição.
Roney também alertou que
o quadro poderia se agravar com a utilização de investigadores na escolta de
presos. “Os poucos investigadores que nós temos, que estão fazendo a
investigação dos crimes, terão que estar fazendo escala agora, levando preso em
Monte Santo, Alfenas, Itamogi”, afirmou.
Segundo o vereador, a
consequência seria a redução do número de policiais disponíveis para apurar furtos,
roubos, crimes contra a vida e outras ocorrências. À época, ele voltou a
defender a convocação dos aprovados no concurso para recomposição do efetivo.


