Nos reunimos
debaixo da árvore. Eu, o livro, e minha velha canga, que há mais de ano não vê
praia, mas cumpriu a missão de nos proteger da grama batizada sabe-se lá
quantas vezes.
A chuva de cedo
deixou o ar úmido, fresquíssimo. Logo chegaram o sol e outros leitores. O mais
jovem entretido com um livro sobre fezes animais. O que pode ser mais
interessante para uma criança de dois anos do que uma história sobre
cocô?
“Placidino Brigagão
em frente ao edifício Parque das Águas, ao lado da Prefeitura. No Google Maps?
Praça Inês Ferreira Marcolini.” Explico a localização do Piquenique Literário
para mais uma pessoa e comentamos, os presentes, sobre nossa ignorância sobre o
nome daquela praça e de quem teria sido a tal Inês.
O evento passou,
mas aquele nome ficou na minha cabeça. Pesquiso na internet e descubro uma lei
de 05/09/1985 que nomeia a praça “como homenagem póstuma do Município àquela
que exerceu com suma dedicação e altruísmo as funções de 1ª Dama do Município e
Pres.do Dep. Municipal de Assistência à Maternidade e à Infância-Posto de
Puericultura, modelo de esposa fidelíssima, de mãe carinhosa e de protetora e
amiga da pobreza em geral.”
Quarenta e um anos depois da nomeação da praça, estávamos lá lendo e falando
sobre nosso amor aos livros e à leitura, como parte da programação do primeiro
festival literário da cidade.
Mas quem foi Inês
além de “esposa fidelíssima, mãe carinhosa e amiga da pobreza em geral”? Ela
teria concordado com esses títulos? Gostava de ler? Eu poderia continuar a
pesquisa em arquivos públicos, mas prefiro começar por aqui: com quem quiser
compartilhar memórias.
Temos poucos
registros sobre mulheres que se destacaram a ponto de nomearem praças, ruas e
escolas. Imagine as trabalhadoras anônimas, mães, irmãs, avós, operárias,
professoras, enfermeiras? Precisamos contar essas histórias.
Quem me
ajuda? Quem foi Inês Ferreira Marcolini?
Marília Nogueira - Fazedora de filmes, perguntas e
crônicas. Idealizadora do Espaço Comare


