Acúmulo de lixo na zona rural provoca reclamações e preocupa proprietários
Resíduos transbordam de estruturas de coleta e se espalham por estradas e propriedades; prefeito Marcelo Morais anuncia aquisição de novos recipientes com capacidade de 6 mil litros
O
acúmulo de lixo em diferentes pontos da zona rural de São Sebastião do Paraíso,
em locais destinados à coleta, tem provocado reclamações de moradores e
proprietários rurais, preocupados com as condições de descarte e recolhimento
dos resíduos. Em diversas localidades, as estruturas disponíveis não comportam
o volume de material depositado, que transborda e acaba espalhado pelas
imediações, chegando inclusive a propriedades particulares.
Nos
últimos dias, o Jornal do Sudoeste recebeu reclamações e imagens
mostrando situações que evidenciam a necessidade de melhorias no sistema de coleta
adotado na zona rural. Em determinados locais, os resíduos ficam acumulados
fora dos recipientes, expostos à ação de animais, do vento e de pessoas que
remexem o material.
Entre
os pontos onde foram identificados problemas está a estrada de acesso ao bairro
rural Água Limpa, nas imediações de uma indústria, logo após a MG-050. Situação
semelhante foi relatada no bairro Barreiro, na região de Termópolis.
O
mesmo problema foi constatado nas proximidades do Clube Recreativo Sêniors e
também às margens da BR-265, no sentido de São Sebastião do Paraíso a Ribeirão
Preto. Nesses locais, o lixo acumulado e espalhado compromete as condições de
limpeza e provoca preocupação quanto aos possíveis impactos ambientais.
Uma
das imagens encaminhadas ao jornal mostra uma caixa de coleta construída em
alvenaria, onde foi colocado fogo no lixo acumulado. Ao lado da estrutura,
também aparece um bag utilizado para acondicionamento de resíduos.
Em
outros pontos, sacolas, embalagens e resíduos diversos aparecem espalhados pelo
terreno, inclusive em áreas pertencentes a propriedades rurais. A situação
demonstra que o problema não se restringe à limpeza pública, alcançando também
a preservação ambiental e a segurança das atividades agropecuárias.
Plásticos representam riscos
Uma
das preocupações dos proprietários rurais está relacionada às sacolas e
embalagens plásticas, que podem ser transportadas pelo vento até áreas de
pastagem.
Quando
ingeridos por bovinos, esses materiais podem se acumular no rúmen, um dos
compartimentos do sistema digestivo dos ruminantes, comprometendo o
funcionamento do organismo.
Dependendo
da quantidade ingerida e das complicações provocadas, a situação pode resultar
em enfermidades graves e até na morte do animal.
Além
desse risco, o lixo exposto costuma atrair animais, favorecer a proliferação de
insetos e provocar a contaminação do solo e de cursos d’água, dependendo das
características dos resíduos e das condições do local.
Também
merece atenção a conscientização dos usuários, uma vez que o descarte
irregular, a deposição de materiais fora dos recipientes e a queima de resíduos
agravam os problemas enfrentados pelas comunidades.
Prefeito anuncia novos recipientes
Diante
das reclamações, o Jornal do Sudoeste encaminhou questionamentos ao
prefeito Marcelo Morais, solicitando esclarecimentos sobre o sistema de coleta,
a capacidade das estruturas existentes e as providências previstas pela
administração municipal.
O
prefeito afirmou que a Prefeitura tem conhecimento dos problemas e realiza
intervenções periódicas nos locais onde ocorre maior acúmulo de resíduos.
“Temos
conhecimento e frequentemente fazemos limpezas com máquinas e caminhões nesses
pontos, além da coleta realizada pela empresa contratada”, declarou.
Segundo
Marcelo Morais, em 2023 a administração municipal adquiriu 20 lixeiras de
concreto, instaladas em pares em dez pontos da zona rural. Cada recipiente
possui capacidade de 769 litros, totalizando 1.538 litros por conjunto. Para
efeito de comparação, explicou que um contêiner metálico convencional possui
capacidade entre 1.000 e 1.200 litros.
“Esse
modelo foi pensado para aumentar a capacidade de armazenamento, durabilidade e
a resistência contra vandalismos e furtos”, justificou.
O
prefeito reconheceu, entretanto, que o volume de resíduos descartados aumentou
consideravelmente nos últimos anos, tornando mais difícil manter os locais em
condições adequadas.
“Infelizmente,
há moradores na zona urbana que, mesmo tendo a coleta nas portas de suas casas,
jogam seu lixo, principalmente móveis velhos, em estradas rurais e também
próximo às lixeiras”, afirmou.
Segundo
ele, esse comportamento dificulta o trabalho das equipes responsáveis pela
limpeza e, em determinadas situações, impede que os pontos de coleta permaneçam
limpos mesmo após a retirada dos resíduos.
Novos recipientes
Questionado
sobre a possibilidade de ampliar a capacidade de armazenamento e instalar novas
estruturas, Marcelo Morais anunciou que a Prefeitura está adquirindo
recipientes de concreto com capacidade de seis mil litros.
Os
novos equipamentos deverão ser instalados em cinco pontos da zona rural onde
foram identificados os maiores acúmulos de lixo.
A
capacidade anunciada representa quase quatro vezes o volume atualmente
disponibilizado por cada conjunto de duas lixeiras de concreto, que comporta
1.538 litros.
O
prefeito informou ainda que a coleta de resíduos na zona rural é realizada duas
vezes por semana em cada ponto.
Sobre
a possibilidade de utilização de caçambas e contêineres metálicos, reconheceu
que esses equipamentos apresentam vantagens operacionais, especialmente pela
possibilidade de recolhimento mecanizado. Entretanto, ressaltou que
experiências anteriores não tiveram resultados satisfatórios.
“Já
tivemos experiências negativas com contêineres de metal, como furtos,
depredações e uso de fogo. Sua durabilidade também é menor do que a das
lixeiras de concreto”, explicou.
Marcelo
Morais considera que as características de cada localidade devem ser levadas em
conta na escolha das estruturas.
“Na
prática, vemos que não há um modelo ideal para todos os pontos da zona rural.
Há áreas mais monitoradas, onde o risco de vandalismo é menor. Em
contrapartida, outros locais precisam de dispositivos mais resistentes”,
observou.
“Não
descartamos, em um futuro próximo, a instalação de mais um modelo de lixeira em
diferentes pontos”, acrescentou.
Ampliar a coleta
Ao
ser questionado sobre a existência de estudos para melhorar o sistema de
coleta, Marcelo Morais explicou que o serviço segue as condições estabelecidas
em contrato vigente com a empresa responsável.
Segundo
ele, o contrato determina a frequência e a forma de recolhimento, mas a
administração municipal acompanha a execução dos serviços para identificar a
necessidade de eventuais melhorias.
Uma
das propostas mencionadas pelo prefeito é ampliar a coleta seletiva de
materiais recicláveis, atualmente restrita à área urbana de São Sebastião do
Paraíso.
“Nossa
intenção é expandir a coleta seletiva de recicláveis para a zona rural e para
os distritos de Guardinha e Termópolis, já que hoje o serviço é feito somente
na zona urbana da cidade”, afirmou.
A
medida, caso implementada, poderá contribuir para reduzir o volume de materiais
destinados aos pontos de coleta convencional, especialmente embalagens
plásticas, papel, papelão e outros resíduos passíveis de reciclagem.
Descarte preocupa administração
Outro
problema destacado pelo prefeito diz respeito ao descarte irregular de resíduos
provenientes de serviços de saúde nas lixeiras da zona rural.
Segundo
Marcelo Morais, essa prática tem ocorrido com frequência, especialmente no
ponto de coleta situado nas proximidades do Clube Recreativo Sêniors.
O
prefeito alertou que, além dos riscos ambientais, o descarte inadequado desses
materiais pode comprometer a segurança dos trabalhadores responsáveis pelo
recolhimento.
“Temos
que aproveitar para alertar que está sendo frequente o descarte de resíduos de
serviços de saúde em lixeiras na zona rural, principalmente no ponto próximo ao
Sêniors. Além da infração ambiental, essa prática coloca em risco a saúde dos
coletores”, advertiu.
Conforme
orientação apresentada pelo prefeito, esses resíduos podem ser encaminhados à
Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou às Unidades de Saúde da Família (USFs),
para destinação adequada, observadas as condições de recebimento de cada
unidade.
No caso de resíduos
provenientes de serviços de medicina veterinária, Marcelo Moraes esclareceu que
o descarte deve ser realizado por empresas devidamente licenciadas.





