São Sebastião do Paraíso chega aos 205 anos entre a memória de sua fundação e os desafios do crescimento
Da capela erguida em terras doadas pela família Antunes Maciel ao município com população estimada em mais de 75 mil habitantes, cidade construiu sua trajetória com a força da agricultura, do comércio e de sua gente
Há 205
anos, um gesto de encantamento diante da paisagem teria dado nome à cidade que
hoje, 25 de outubro, comemora seu aniversário. Segundo relatos preservados pela
historiografia local, o capitão Antônio Soares Coelho, ao percorrer as terras
da Fazenda da Serra ao lado do compadre Antônio Antunes, teria manifestado sua
admiração pelo lugar: estava diante de um verdadeiro paraíso, onde deveria ser
erguida uma capela.
A doação
de terras pela família Antunes Maciel, em 25 de outubro de 1821, tornou possível
a construção do templo dedicado a São Sebastião. O nome do santo se uniu à
expressão de admiração atribuída ao capitão, batizando o povoado que surgia ao
redor da capela: São Sebastião do Paraíso. A data da doação se consolidou como
o marco de sua fundação.
A
trajetória até a autonomia administrativa levaria décadas. Em 18 de maio de
1855, a Lei Provincial nº 714 criou a freguesia de São Sebastião do Paraíso,
então vinculada a Jacuí. A chegada de novos moradores e a intensificação das
atividades comerciais contribuíram para o desenvolvimento da povoação, que
ganhou importância na região.
Em 13 de
setembro de 1870, a Lei Provincial nº 1.641 elevou São Sebastião do Paraíso à
categoria de vila, transferindo para a localidade a sede do município de Jacuí.
Três anos depois, em 1º de dezembro de 1873, a Lei Provincial nº 2.042
conferiu-lhe a condição de cidade.
As
crônicas daquele período registram uma comunidade em desenvolvimento, cujo
crescimento ampliava sua influência regional. A agricultura e a pecuária atraíam
moradores, movimentavam o comércio e ajudavam a transformar o antigo povoado. A
cafeicultura se tornaria uma das atividades marcantes dessa trajetória,
associada à geração de trabalho, à chegada de investimentos e à identidade
econômica paraisense.
O
município em números
Mais de
dois séculos depois da doação das terras para a capela, São Sebastião do
Paraíso ocupa uma área de 814,925 quilômetros quadrados, conforme o dado
territorial de 2025 apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
O Censo
Demográfico de 2022 contabilizou 71.796 habitantes. Já a estimativa do
instituto para 2026 aponta 75.593 moradores. A densidade demográfica registrada
no levantamento censitário foi de 88,10 habitantes por quilômetro quadrado.
Na economia,
o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, conforme dados de 2023 (oficialmente
não há atualização destes dados pelo IBGE), alcançou R$ 39.476, 43. O indicador
corresponde à produção econômica anual do município dividida por sua população
e não deve ser confundido com a renda mensal dos moradores.
Crescimento
alimenta questionamento sobre a população
Os
números oficiais da população, entretanto, convivem com questionamentos diante
da expansão observada no município. A construção de bairros, a abertura de loteamentos
e o avanço da ocupação urbana alimentam a percepção de que São Sebastião do
Paraíso possa ter mais moradores do que indicam as estatísticas.
Na
avaliação editorial do Jornal do Sudoeste, esse crescimento, considerado também
ao lado da dimensão do eleitorado local, suscita a hipótese de que a população
já tenha alcançado pelo menos 80 mil habitantes. Trata-se de uma avaliação que
depende de comprovação estatística: a expansão urbana e o número de eleitores,
isoladamente, não permitem estabelecer o total de residentes.
Para os
registros oficiais, permanecem como referências os 71.796 habitantes
recenseados em 2022 e os 75.593 estimados pelo IBGE para 2026. O debate
evidencia a importância de acompanhar as transformações da cidade e suas consequências
para o planejamento dos serviços públicos.
Aos 205 anos, São Sebastião do Paraíso celebra a memória de sua formação enquanto enfrenta as demandas de uma cidade em expansão. A paisagem que teria encantado seus fundadores deu lugar a novas ruas, bairros e atividades, em uma história que continua sendo construída por sucessivas gerações de paraisenses.



