POLEPOSITION

Halo salvador

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 10-07-2022 08:26 | 541
Guanyu Zhou é mais um que foi salvo pelo halo no impressionante acidente em Silverstone
Guanyu Zhou é mais um que foi salvo pelo halo no impressionante acidente em Silverstone Foto: Motorsport

Quando a F1 adotou o halo, muita gente, entre elas eu, e até pilotos não simpatizaram com aquele arco esquisito que envolve o cockpit e tirou a elegância dos carros. A própria F1 disse que o design não era definitivo, e o halo foi apelidado de sandálias Havaianas pela semelhança com as tiras do calçado.  Mas era algo necessário.

“Alguma coisa precisa ser feita para melhorar a segurança na altura da cabeça dos pilotos”. Foi o pensamento quando uma roda solta acertou a cabeça e matou o jovem Henry Surtees numa corrida de F2 em 2009 na Inglaterra. Mas o gravíssimo acidente de Jules Bianchi no GP do Japão de 2014 quando seu carro da Marussia passou por baixo de um trator na área de escape, foi o marco para o avanço da segurança. Tudo bem que na dimensão daquele acidente, nem o halo salvaria a vida de Bianchi que morreu nove meses depois, mas os estudos que se intensificaram a partir dos aprendizados dessas tragédias trouxeram mais segurança não só na F1 como em todas as categorias de monopostos.

As mortes de Surtees e Bianchi não foram em vão, e quando o halo foi instalado pela primeira vez na F1 em 2018, houve quem dissesse que se salvasse ao menos uma vida, já estaria valendo a pena.

E o halo já salvou várias vidas. Só no domingo passado, em Silverstone, foram duas: o chinês Guanyu Zhou no assustador acidente em que sua Alfa Romeo deslizou como um míssel de cabeça para baixo no asfalto até encontrar a brita, capotar e ir parar na tela do alambrado do outro lado da barreira de pneus. Mais cedo, o israelense Roy Nissany também foi salvo pelo halo na corrida preliminar da F2 quando seu carro foi atingido na altura do halo pelo carro de Dennis Hauger.

E há muitos outros ensinamentos que o acidente de Zhou levou para o grupo de segurança da Federação Internacional de Automobilismo. O principal deles, entender o porquê de o “santantônio” não ter resistido ao impacto. Vale ressaltar que os carros de F1 passam por um rigoroso teste de impacto antes de serem aprovados pela Federação Internacional. Não havia irregularidades com o carro da Alfa Romeo, mas o mesmo foi submetido a diferentes energias de impacto e não resistiu.

Antes do halo, o santantônio era a principal estrutura de proteção para a cabeça dos pilotos, uma peça que em hipótese alguma poderia ter-se partido. Isso mostra a gravidade que foi o acidente de Zhou. Outra questão é a segurança das pistas. Por mais que a segurança dos carros, equipamentos e das pistas sejam uma preocupação e prioridade da FIA, sempre há onde melhorar. O importante é sempre reduzir as margens de uma tragédia e são nos próprios acidentes que nascem as soluções para melhorar a segurança.

O GP da Inglaterra foi uma corrida de tirar o fôlego e que finalmente coroou o espanhol Carlos Sainz da Ferrari, o segundo piloto na história da F1 que mais tempo esperou até a primeira pole position e vitória. Conseguiu em seu 150º GP, e Sainz foi humilde ao reconhecer que conquistou a pole sem fazer a melhor volta de sua vida, e venceu sem fazer a melhor corrida de sua vida.

Sorte de Sainz que a Ferrari acertou em sua estratégia e errou mais uma vez na do companheiro de equipe e primeiro piloto da escuderia, Charles Leclerc, que acabou prejudicado com o risco que a equipe assumiu em mantê-lo na pista após o Safety Car com pneus duros enquanto o pelotão que vinha atrás estavam todos calçados com pneus macios. Deu no que deu: de líder, Leclerc terminou em 4º e pouco pode descontar de Verstappen que enfrentou problemas na corrida e foi apenas 7º.

Neste final de semana tem mais F1 com a segunda corrida sprint da temporada, hoje, a partir das 11h30, valendo 8-7-6-5-4-3-2-1 pontos do 1º ao 8º colocado, e a formação para o grid de largada para o GP da Áustria, que terá largada amanhã às 10h.