POLEPOSITION

Em busca de novas opções ou de estabilidade

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 08-06-2024 02:00 | 822
Desempenho regular de Pérez foi determinante para se manter na Red Bull por mais dois anos
Desempenho regular de Pérez foi determinante para se manter na Red Bull por mais dois anos Foto: Kym Ilman

A semana do GP do Canadá foi movimentada por duas mexidas no mercado de pilotos. A Alpine anunciou que não vai renovar o contrato de Esteban Ocon para o próximo ano, enquanto a Red Bull surpreendentemente renovou o contrato de Sergio Pérez por mais dois anos, muito mais cedo do que se esperava. Na prática, as duas equipes buscam por novas opções, como no caso da Alpine, ou em manter a estabilidade, no caso da Red Bull.

Ocon e Alpine já vinham dando indícios de ambos estarem em busca de novos ares, mas o desfecho da primeira volta do GP de Mônaco em que Ocon desobedeceu uma ordem da equipe para que seus pilotos não atacasse o outro na primeira volta, azedou de vez o relacionamento entre as partes quando Ocon partiu para cima do desafeto Pierre Gasly que resultou em um toque entre os dois e o abandono do próprio Ocon. As chances de ambos pontuarem em Mônaco eram boas, e a Alpine que começou mal o campeonato não podia ter perdido a oportunidade.

Ocon assumiu a culpa pelo ocorrido, mas não bastou. O incidente deixou furioso o chefe da equipe, Bruno Famin, que prometeu medidas severas e especulou-se que Esteban fosse ficar de fora do GP do Canadá como punição, o que não aconteceu. Mas resultou no aviso prévio do francês que em 2021 deu a única vitória da equipe na F1 no GP da Hungria.

Esteban Ocon, de 27 anos, já tem 8 temporadas de F1. Estreou em 2016 pela extinta equipe Manor. Em 2017 e 2018 defendeu a Force India (hoje Aston Martin). Em 2019 foi piloto reserva da Mercedes e retornou como titular em 2020 pela Renault, que originou a Alpine a partir do ano seguinte. É um piloto veloz e duro de ser batido na pista. Talvez seu maior troféu (pessoal) depois da vitória na Hungria tenha sido derrotar ninguém menos do que Max Verstappen na F3. Mas carrega no currículo a fama de bater rodas com companheiros de equipe. Foi assim com Pascal Wehrlein no ano de estreia pela Manor, com Sergio Pérez nos tempos de Force India, com Alonso na própria Alpine, e agora com Gasly. É um colecionador de desafetos, embora sua aparência no paddock não passe essa impressão. Mas trata-se de um piloto com certa experiência que pode ser opção interessante para a Haas que trabalha para promover o jovem Oliver Bearman que causou boa impressão na Arábia Saudita quando substituiu Carlos Sainz, na Ferrari, e que tem Kevin Magnussen na marca do pênalti. Ocon livre neste mercado de pilotos é tudo que Magnussen não queria.

Por outro lado, a agressividade de Ocon, principalmente contra companheiros de equipe, não faz dele um piloto disputado por equipes. E em tempos de teto orçamentário essa prática não é bem quista entre os chefes de equipe. Há outras opções também para Ocon no mercado como na Sauber que será Audi em 2026 e terá Nico Hulkenberg no próximo ano. A Williams também poderia ser, mas as conversas com Carlos Sainz que vai deixar a Ferrari estão bastante adiantadas.

A situação do mexicano Sergio Pérez desta vez foi bem menos conturbada do que no ano passado em que ganhou a renovação para este ano às custas de conquistar o vice campeonato de pilotos de 2023 e olha que ele só conseguiu no finalzinho da temporada. Pérez começou bem esta temporada, muito mais entrosado com o carro do que no campeonato passado em que amargou uma série de resultados ruins, alguns vexatórios  para quem dispunha do melhor carro da F1. Apesar de alguns tropeços nas últimas três corridas, seu desempenho é convincente para a Red Bull que busca manter a estabilidade dentro do ambiente que vive uma disputa interna pelo poder e nessa pode até acabar perdendo sua principal estrela, Max Verstappen para a Mercedes.

Este será o 53º GP do Canadá, o 43º no Circuito Gilles Villeneuve, na Ilha de Notre Dame, em Montreal, pista de muita tração e que exige muito dos freios, além de ser preciso atacar as zebras para ser rápido. Isso sugere que Ferrari e McLaren devem ser fortes e sérias ameaças a Max Verstappen que sofreu em Mônaco com as deficiências da Red Bull que estavam mascaradas antes da evolução das duas equipes rivais.

A classificação para a 9ª etapa do Mundial acontece hoje às 17h e amanhã as luzes vermelhas se apagam para a largada às 15h, ao vivo na TV Band.