IPVA e volta às aulas apertam orçamento no início do ano em Paraíso
Imposto em Minas começa a vencer em fevereiro; compras de material escolar e reajustes do dia a dia pesam no bolso das famílias
Janeiro
e fevereiro costumam ser meses de contas concentradas — e, em São Sebastião do
Paraíso, não tem sido diferente. Entre impostos como o IPVA, compras de
material escolar e reajustes que aparecem logo nos primeiros boletos do ano,
moradores relatam aperto para reorganizar o orçamento doméstico.
No
cenário nacional, a inflação oficial (IPCA) fechou 2025 em 4,26%, segundo o
IBGE, índice que ajuda a explicar a sensação de custo de vida mais alto mesmo
antes de o ano “engrenar” de vez.
Para
quem possui veículo, o IPVA é uma das primeiras despesas do ano. Em Minas
Gerais, o calendário de pagamento começa em fevereiro, com opção de quitação em
cota única ou parcelamento. A conta pesa especialmente para quem depende do
carro como ferramenta de trabalho.
Motorista
de aplicativo, Carlos Augusto Ferreira, 38 anos, diz que o imposto chega em um
momento delicado, quando os ganhos ainda são imprevisíveis. “O IPVA não espera.
Ele vem logo no começo do ano. E, no aplicativo, a renda não é fixa. Tem mês
que dá para respirar, tem mês que não. A gente paga sem saber quanto vai
entrar”, afirma.
Segundo
ele, além do imposto, o veículo ainda exige gastos com manutenção, combustível
e seguro, o que torna o início do ano ainda mais apertado.
Outra
despesa que costuma pressionar as famílias é a compra de material escolar. As
listas incluem itens básicos como cadernos, canetas, lápis, borracha,
apontador, régua, tesoura sem ponta, cola, lápis de cor, canetinhas, pastas e
papéis, variando conforme a série do aluno.
A
atendente Lenice Almeida Santos, 34 anos, conta que o impacto é sentido logo em
janeiro. “Só a lista de material escolar já pesa bastante. A gente tenta
pesquisar, parcelar, mas janeiro e fevereiro são meses bem apertados”, relata.
No caso
das escolas particulares, o custo costuma ser ainda maior. Além da lista
tradicional, muitos pais precisam arcar com material didático, como livros e
apostilas, que geralmente têm valor elevado e precisam ser comprados no início
do ano letivo. “Quando é escola particular, não é só a lista. Tem apostila e
livro também. Aí vira uma compra grande de uma vez só”, diz Lenice.
Órgãos
de defesa do consumidor orientam que as escolas não podem exigir materiais de
uso coletivo nem impor marcas ou locais específicos de compra, com exceção dos
materiais didáticos vinculados ao método de ensino adotado pela instituição.
Além de
impostos e gastos escolares, reajustes em despesas do dia a dia também contribuem
para o aperto financeiro no início do ano. Para quem vive de renda fixa, como
aposentados, qualquer aumento tem impacto direto no orçamento.
O
aposentado Geraldo Eduardo Rodrigues, 68 anos, diz que a sensação é de que tudo
vence ao mesmo tempo. “Quando o ano começa, já vem tudo junto. A aposentadoria
é a mesma, mas as contas aumentam. A gente precisa se virar para não faltar no
fim do mês”, afirma.
Planejamento
como saída
Diante desse cenário, a plataforma Meu Bolso em Dia, da Febraban, reforça que o início do ano exige organização financeira. A orientação é colocar todas as despesas no papel, priorizar gastos essenciais e evitar recorrer a crédito caro para cobrir contas previsíveis, como IPTU, IPVA e despesas escolares, que costumam se concentrar nos primeiros meses do ano.


