Justiça derruba decisão do TCE e autoriza retomada das escolas cívico-militares em Minas
A Justiça de
Minas Gerais derrubou a decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) que
havia impedido o avanço do projeto de escolas cívico-militares do Governo de
Minas e autorizou a retomada do modelo educacional no estado. A decisão foi
proferida pela 4ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte,
assinada pela juíza Janete Gomes Moreira, e publicada na noite de terça-feira,
dia 20.
Em dezembro,
o TCE havia determinado a suspensão do programa, mesmo com o modelo já em
funcionamento em nove escolas estaduais. Ao analisar o caso, a magistrada
entendeu que o Tribunal de Contas extrapolou os limites constitucionais de sua
atuação, ressaltando que o papel do órgão deve se restringir à prevenção de
lesões ao patrimônio público.
Na decisão,
a juíza afirmou que o TCE só pode intervir quando houver comprovação de dano
concreto ao erário, devendo sua atuação se limitar a eventuais ilegalidades de
natureza financeira, orçamentária, contábil ou patrimonial, não cabendo
interferência em políticas públicas sem base objetiva.
A juíza
também destacou o risco de prejuízo à trajetória escolar de 6.083 alunos já
matriculados nas nove escolas cívico-militares existentes, o que poderia
comprometer o planejamento do ano letivo de 2026, às vésperas do início das
aulas.
A Secretaria
de Estado de Educação de Minas Gerais informou que a decisão assegura a
continuidade das nove escolas cívico-militares em funcionamento, garantindo estabilidade
à comunidade escolar e segurança jurídica às famílias, estudantes e
profissionais da educação, com o início do ano letivo previsto para o dia 4 de
fevereiro. Segundo a pasta, o modelo é bem aceito pela comunidade escolar,
preserva a autonomia pedagógica das escolas e contribui para a organização do
ambiente escolar.
O governador
Romeu Zema comemorou a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG)
que derrubou a determinação do TCE e autorizou o retorno do programa. Durante
coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, dia 21, o chefe do Executivo
estadual afirmou estar “extremamente satisfeito” com o desfecho judicial.
“O que nós
queremos é fazer audiência pública. Não estamos falando nem de implantar a
escola cívico-militar. Queremos escutar os pais, os alunos, a comunidade
escolar sobre essas questões. E alguém proibir escuta, proibir audiência
pública, para mim, é o maior absurdo possível, um autoritarismo sem tamanho”,
declarou Zema.
O governador
também criticou a atuação do Tribunal de Contas no tema educacional. “Na minha
opinião, o tribunal não tem especialista em educação. Lá, pelo que eu sei, é o
Tribunal de Contas do Estado, não é Tribunal de Educação do Estado. Para mim,
foge totalmente ao âmbito deste tribunal essa iniciativa de proibir o Estado de
escutar as pessoas que estão diretamente envolvidas”, completou.
Zema
acrescentou ainda que acredita haver resistência ao modelo por receio de sua
aceitação popular. “Acho que é medo da população querer e esse modelo avançar.
Deve estar incomodando muita gente uma escola que ensina disciplina, ensina
valores e, vale lembrar, é optativa”, concluiu.


