Mulher é indiciada em Paraíso por abandono de cachorro comunitário em estrada próximo a São Tomás

Animal conhecido como “Doidão”, da região da Casa da Cultura (Estação), desapareceu após ser atraído para dentro da residência da suspeita; Polícia Civil investiga o caso
Foto: Reprodução
Cão comunitário foi abandonado pela autora em estrada rural próxima a São Tomás de Aquino

A Polícia Civil investiga um caso de abandono de um cachorro comunitário ocorrido no dia 2 de fevereiro, em São Sebastião do Paraíso. Uma mulher foi indiciada por maus-tratos a animal, conforme a legislação vigente, e o inquérito policial segue em andamento para apuração completa dos fatos.

Segundo o delegado Rafael Gomes, da 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil, o cão, conhecido pelo nome de “Doidão”, vivia principalmente na região da Casa da Cultura (Estação), onde circulava livremente e era alimentado e cuidado por moradores da localidade.

Durante as diligências, testemunhas relataram que a investigada teria atraído o animal para o interior de sua residência. A ação foi registrada por imagens obtidas no curso da investigação, nas quais é possível ver a mulher chamando o cachorro para dentro do imóvel.

Após esse momento, o animal não foi mais visto no bairro, o que gerou preocupação entre moradores e pessoas que acompanhavam a rotina do cão. Diante do desaparecimento, defensores dos direitos dos animais e a Associação Anjos de Resgate iniciaram uma campanha nas redes sociais na tentativa de localizar o cachorro.

Ainda de acordo com as apurações, vizinhos questionaram a mulher sobre o paradeiro do animal, ocasião em que ela teria afirmado que abandonou o cachorro em uma estrada da zona rural, nas proximidades do município de São Tomás de Aquino.

A investigação também apura um segundo fato ocorrido no mesmo contexto. Conforme relatos colhidos, ao deixar o local em seu veículo após ser confrontada por moradores, a suspeita teria atropelado uma mulher, que sofreu lesões leves nas mãos.

A Polícia Civil informou que a investigada foi indiciada por maus-tratos a animal, crime previsto na Lei de Crimes Ambientais, e que o inquérito segue para a apuração de todos os crimes em tese praticados e eventual responsabilização penal.

Casos recentes no país ampliam debate sobre maus-tratos a cães

O caso registrado em São Sebastião do Paraíso ocorre em meio a uma série de episódios recentes de maus-tratos a cães que vêm ganhando repercussão nacional desde o final de 2025 e início de 2026, muitos deles envolvendo animais comunitários.

Um dos casos mais emblemáticos é o do cachorro comunitário conhecido como “Orelha”, ocorrido em janeiro de 2026, em Florianópolis (SC). O animal, que vivia há cerca de dez anos em uma comunidade e era cuidado por moradores, foi violentamente agredido por um grupo de adolescentes e encontrado em estado gravíssimo. Diante da extensão dos ferimentos, incluindo traumatismo severo, o cão precisou ser submetido à eutanásia. O episódio gerou comoção nacional, protestos e investigações conduzidas pela Polícia Civil catarinense.

Outro caso recente foi registrado no município de Toledo (PR), onde um cachorro comunitário conhecido como “Abacate” morreu após ser atingido por um disparo de arma de fogo. O episódio também é investigado como crime de maus-tratos e mobilizou protetores independentes e moradores da região.

Especialistas e entidades de proteção animal apontam que, apesar do endurecimento da legislação nos últimos anos, casos de abandono e violência contra animais continuam sendo registrados em diferentes regiões do país, especialmente envolvendo cães comunitários, o que reforça a importância da denúncia e da atuação das forças de segurança.