Mais uma mulher é morta a facadas Paraíso

Vítima foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos
Foto: Redes Sociais
Silvana de Oliveira, de 48 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu logo após o ataque

ATUALIZADA 10:25

Uma mulher de 48 anos foi morta a facadas na noite de terça-feira, 3, no bairro Residencial Santa Tereza, em São Sebastião do Paraíso. A filha da vítima também ficou ferida ao tentar impedir o ataque. Segundo informações obtidas pelo Jornal do Sudoeste, o crime ocorreu no cruzamento das ruas José Vitor Amaral com Arnaldo Lemos. A vítima foi identificada como Silvana de Oliveira.

A Polícia Militar foi acionada após a informação de que uma mulher havia sido esfaqueada e estava caída na via pública. Quando os militares chegaram ao local, encontraram a vítima em frente a um estabelecimento, na rua José Vitor Amaral, sendo socorrida por uma enfermeira que passava pelo local.

Ainda conforme o registro policial, Silvana relatou aos policiais que estava no cruzamento das ruas quando o suspeito, conhecido como “Moreno”, de 31 anos, se aproximou falando palavras desconexas e portando uma barra de ferro em uma mão e uma faca tipo cozinha na outra. Em seguida, ele passou a golpeá-la, momento em que a vítima começou a gritar por socorro.

Ao ouvir os pedidos de ajuda, a filha da vítima saiu da residência da família e foi em defesa da mãe. Durante a confusão, conseguiu tomar a barra de ferro do agressor e passou a golpeá-lo. No entanto, o autor também desferiu um golpe de faca contra a jovem, atingindo a região hipogástrica. Após ser ferida, ela correu para dentro da residência.

O suspeito foi localizado cerca de 20 metros do local do ataque, caído ao solo e com um ferimento na cabeça.

Questionado pelos policiais, o suspeito relatou que havia adquirido entorpecentes com Silvana em data anterior e que teria ficado de pagar posteriormente. Segundo ele, a vítima teria passado a cobrar um valor maior do que o combinado e familiares dela teriam feito ameaças. O suspeito afirmou ainda que teria ido até o local para cobrar explicações e declarou aos policiais que estava “possuído por uma entidade” e que seu “guia” teria mandado que ele “acertasse as contas” com a vítima.

Durante o atendimento da ocorrência, a filha da vítima saiu da residência localizada na própria rua José Vitor Amaral apresentando sangramento na região pélvica e relatou aos policiais como ocorreu a tentativa de defesa da mãe.

Uma testemunha que passava pelo local relatou ter visto uma briga à distância e afirmou que, em determinado momento, Silvana correu em sua direção já bastante ensanguentada. A profissional realizou os primeiros socorros até a chegada das equipes de emergência.

A proprietária do estabelecimento em frente ao qual ocorreu o crime também relatou que percebeu pessoas brigando no cruzamento e que, pouco depois, Silvana chegou à porta do comércio pedindo água, já bastante ferida. Segundo ela, o local possui circuito externo de câmeras, porém sem gravação, funcionando apenas para monitoramento.

Duas unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas. Devido à gravidade dos ferimentos, os socorristas tentaram reanimar a vítima no local por cerca de 20 minutos, utilizando desfibrilador e medicação. Em seguida, as vítimas foram encaminhadas à Santa Casa de Misericórdia.

Silvana sofreu cinco perfurações por faca, atingindo regiões do abdômen, costas e costela. Apesar das tentativas de reanimação, ela não resistiu aos ferimentos e morreu pouco depois de dar entrada no hospital. A filha recebeu atendimento médico e, segundo o registro policial, não corre risco de morte. O autor também sofreu um ferimento na cabeça durante a confusão, mas sem risco de vida.

O local foi isolado para os trabalhos da perícia técnica. Uma faca tipo cozinha foi recolhida pelo perito criminal, enquanto a barra de ferro mencionada no relato não foi localizada.

Durante as diligências, os policiais também registraram que a residência da vítima possui diversas denúncias de tráfico de drogas, registradas em canais de denúncia, apontando que Silvana e um filho seriam suspeitos de comercializar entorpecentes no local.

Ainda segundo o boletim de ocorrência, durante o atendimento da ocorrência o filho da vítima teria realizado uma ligação telefônica pedindo autorização para matar o autor do crime. Consta também no registro policial que Silvana era esposa de Antônio Carlos de Oliveira, condenado por um homicídio ocorrido em 2011 e que atualmente se encontra preso.

Após receber atendimento médico e alta hospitalar, o suspeito foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil, onde foi apresentado e permaneceu à disposição da Justiça. Este é o segundo caso de feminicídio registrado em São Sebastião do Paraíso em cerca de duas semanas.

No dia 18 de fevereiro, uma mulher de 47 anos foi morta a facadas pelo ex-marido na Fazenda Santa Terezinha, na região da Faxina, zona rural do município. Na ocasião, familiares tentaram intervir no ataque e houve luta corporal com o agressor. Um sobrinho da vítima ficou ferido e foi socorrido à Santa Casa, enquanto o autor também sofreu ferimentos e permaneceu internado sob escolta policial. O caso será investigado pela Polícia Civil.