Asilo São Vicente de Paulo tem déficit mensal de R$ 40 mil
O presidente da instituição detalhou na sessão da Câmara, dificuldades financeiras, fila de espera e recebeu apoio por mais mobilização em favor da entidade
O
presidente do Asilo São Vicente de Paulo de São Sebastião do Paraíso, Cássio
Aparecido Evangelista Moreira, revelou nesta segunda-feira, 13, que a
instituição tem apresentado um déficit mensal de cerca de R$ 40 mil. A
informação foi dada durante a sessão ordinária da Câmara Municipal, após a
entrada, como objeto de deliberação, de um projeto do Executivo que autoriza
repasse de subvenção social ao asilo. Pelo texto encaminhado ao Legislativo, o
município poderá destinar até R$ 180 mil à entidade, em três parcelas de R$ 60
mil, para custeio de despesas da instituição.
Ao responder
aos vereadores, Cássio afirmou que o asilo opera atualmente com 75 vagas
ocupadas e tem outras 79 pessoas na fila de espera. Segundo ele, existe espaço
físico para ampliação, mas o obstáculo é financeiro. “Hoje a gente está com 75
vagas. Está com lotação máxima, está cheio, está lotado. Espaço para criar
vagas, nós temos. O espaço é muito grande, só que o problema é financeiro”,
disse.
De
acordo com o presidente, o novo repasse discutido pela Câmara deve reduzir o
rombo mensal, mas não resolverá por completo a situação. “Hoje a gente tem um
déficit, vai diminuir um pouco agora, a partir de agora, mas hoje em torno de
30 a 40 mil reais. Agora, com esse projeto, vai baixar mais ou menos para 10
mil, 15 mil reais o nosso déficit”, afirmou.
Cássio
também rebateu a percepção de que a instituição consegue se manter apenas com
os benefícios recebidos pelos idosos acolhidos. Segundo ele, muitos moradores
não repassam sequer um salário mínimo integral ao asilo, enquanto o custo real
de cada atendimento é muito superior. “Hoje cada morador fica em R$ 4 mil por
mês”, declarou. Ele explicou que esse valor envolve despesas com médico,
fisioterapeutas, psicólogos, nutricionista, assistente social, equipe
administrativa, cozinha, limpeza, materiais de higiene, fraldas, medicamentos e
manutenção da estrutura.
VEREADORES PARTICIPAM
O
vereador Marcos Antônio Vitorino, o Marcão da Ambulância elogiou o trabalho
desenvolvido pela instituição e questionou o presidente sobre a fila de espera
por vagas. Em resposta, Cássio confirmou que o asilo está lotado, com 75
moradores, e informou que outras 79 pessoas aguardam acolhimento.
Marcão
voltou a falar mais adiante e chamou atenção para uma percepção comum da
população de que o asilo sobreviveria apenas com o valor da aposentadoria dos
idosos. O vereador afirmou que também tinha essa impressão e defendeu que a
realidade financeira da entidade seja mais divulgada à sociedade. Na mesma
fala, sugeriu que o município avalie formas de ampliar o apoio à instituição,
inclusive com eventual disponibilização de profissionais para reduzir parte das
despesas.
Em
resposta, Cássio explicou que o asilo recebe hoje do município um repasse de R$
32 mil, oriundo de TAC, destinado ao pagamento de funcionários. Segundo ele, o
novo projeto apreciado pela Câmara tem outra finalidade e deverá ajudar no
pagamento de fornecedores. O presidente acrescentou que a instituição procura
manter estabilidade na equipe, já que os moradores criam forte vínculo com os
profissionais e mudanças frequentes geram sofrimento emocional.
A
vereadora Maria Aparecida Cerize, a Cidinha, também abordou a situação da
entidade e perguntou sobre a possibilidade de criação de uma ala particular,
que pudesse gerar receita complementar para ajudar no custeio da casa. Cássio
respondeu que a ideia é antiga e seria positiva, mas hoje esbarra no alto custo
de implantação. Segundo ele, o espaço físico existe, mas seria preciso
construir uma estrutura adequada, com apartamentos mobiliados e diferenciados,
o que está fora da realidade financeira atual do asilo.
A
vereadora Laís Carvalho Sakoda questionou se o repasse da Prefeitura representa
hoje a principal fonte de custeio da instituição. Cássio respondeu que, no
conjunto do ano, o município é atualmente o maior financiador do asilo, embora
a entidade também receba apoio por meio de emendas parlamentares. Ele citou
recursos destinados por deputados e afirmou que há uma indicação recente de R$
110 mil, mas reforçou que a principal sustentação financeira ainda vem do poder
público municipal.
Na
sequência, Laís aprofundou a discussão e perguntou qual seria, na avaliação da
própria gestão da entidade, a solução mais viável para amenizar o déficit
mensal. Cássio afirmou que o principal gargalo hoje está na folha salarial.
Segundo ele, o asilo conta com 50 funcionários, além de contratos específicos,
como o de um médico e o de uma estomaterapeuta, profissional que precisou ser
contratada para atender moradores acamados em situação mais grave. Ele voltou a
mencionar a ala particular como alternativa possível no futuro, mas reforçou
que o prédio atual é antigo, exige reformas constantes e consome grande parte
dos recursos arrecadados.
O
vereador Tomás Martins também concentrou sua fala na dificuldade financeira
enfrentada pelas entidades assistenciais. Ao comentar o tema, afirmou que
muitas vezes a população entende a necessidade de doar alimentos, fraldas e
outros itens, mas que o funcionamento diário dessas instituições depende,
sobretudo, de dinheiro em caixa para pagamento de contas. Ele então perguntou a
Cássio sobre o recebimento de recursos do Fundo do Idoso.
Na
resposta, o presidente informou que o asilo recebeu repasse do fundo no ano
passado e que os valores foram aplicados em melhorias estruturais e na
aquisição de um veículo. Segundo ele, o carro foi comprado para dar mais
conforto ao transporte de moradores que precisam se deslocar para Passos.
Cássio também disse que os recursos ajudaram na criação de uma nova sala
destinada a jogos e televisão e em melhorias no sistema de energia fotovoltaica.
De acordo com ele, apesar de já contar com geração solar, o asilo ainda paga
entre R$ 5 mil e R$ 5,5 mil por mês em energia elétrica e aguarda aprovação
final de projeto junto à Cemig para tentar zerar esse custo.
O
vereador Roney Vilaça relacionou a situação do asilo à necessidade de ampliar a
arrecadação do Fundo Municipal do Idoso. Durante a sessão, ele defendeu maior
mobilização de empresas, profissionais de contabilidade e contribuintes para
destinação de parte do Imposto de Renda aos fundos municipais. Na mesma
reunião, foi aprovado projeto de resolução de autoria dele que cria os selos
“Profissional Contábil Amigo da Criança e do Idoso” e “Empresa Amiga da Criança
e do Idoso”, com o objetivo de incentivar esse tipo de contribuição no
município.
Já o
vereador Antônio César Picirilo fez uma das falas mais enfáticas da noite. Com
ligação histórica com a instituição, ele defendeu uma mobilização mais ampla em
favor do asilo, envolvendo Executivo, Legislativo, empresários e parlamentares
estaduais e federais. Na tribuna, afirmou que a ajuda que chega hoje ainda é
limitada diante da dimensão do problema e sustentou que o município deveria se
unir pelo asilo com o mesmo empenho demonstrado em outras causas da área de
saúde mental, citando a necessidade de uma mobilização semelhante à que houve
em torno do hospital psiquiátrico. Para ele, o momento exige articulação
política mais forte e cobrança efetiva de deputados que dizem ser aliados de
São Sebastião do Paraíso. “Chegou a hora”, disse.
Ainda
durante a discussão, Picirilo sugeriu que a Câmara encaminhe ofícios à Câmara
dos Deputados e a parlamentares ligados ao município, pedindo apoio objetivo à
instituição. Também chamou atenção para o estado do prédio, que, segundo ele,
enfrenta problemas estruturais frequentes, como banheiros, encanamentos e
necessidade constante de manutenção. Na avaliação do vereador, a diretoria faz
mais do que pode com os recursos que possui, mas a instituição precisa de ajuda
mais robusta e permanente.
O
vereador Luiz de Paula, por sua vez, destacou que conhece de perto a rotina do
asilo, inclusive por já ter prestado serviços na cozinha da instituição. Ele
elogiou o cuidado dispensado aos idosos, tanto na alimentação quanto na higiene
e na atenção diária prestada pela equipe, e parabenizou os responsáveis pelo
trabalho desenvolvido na casa.
O
presidente da Câmara, Lisandro Monteiro, também ressaltou a dificuldade de
administrar entidades assistenciais e afirmou conhecer essa realidade por já
ter atuado em instituições do município. Segundo ele, manter esse tipo de
serviço exige responsabilidade constante, apoio externo e capacidade de
enfrentar despesas fixas elevadas, como folha de pagamento, férias, 13º salário
e manutenção da estrutura. Lisandro ainda afirmou que a Câmara daria celeridade
à tramitação do projeto de subvenção para que o recurso chegasse o mais
rapidamente possível à instituição.
“IPTU
SOLIDÁRIO”
Ao final
da discussão, Marcão da Ambulância apresentou uma indicação para que a Câmara
encaminhe ao prefeito a sugestão de incluir, nos próximos carnês de IPTU, um
boleto sem valor preenchido para doações voluntárias diretamente ao asilo. “A
pessoa coloca o valor que ela quiser”, disse, ao defender uma forma simples de
estimular a participação da população no custeio da entidade.
Na justificativa encaminhada ao Legislativo, o Executivo argumenta que o Asilo São Vicente de Paulo presta atendimento contínuo a idosos em situação de vulnerabilidade, abandono ou rompimento de vínculos familiares, oferecendo assistência em regime integral. O texto também ressalta que o município não conta com outra instituição filantrópica com esse perfil de acolhimento.

