Copasa exige renovação de contrato até 2073, prefeito bate o pé e diz “não”
Em evento, a Associação Mineira dos Municípios declarou que vai criar uma câmara para mediar situação entre companhia e prefeituras
Em
evento da Associação Mineira de Municípios com prefeitos de todo o estado, a
Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) informou que os municípios
deverão assinar a prorrogação dos contratos até 2073.
Na
ocasião, a companhia também aprovou, em seu conselho deliberativo, o
adiantamento dos valores dos fundos municipais de saneamento básico até 2028
para os prefeitos que aceitarem a prorrogação e oferecerem garantias à empresa,
visando agregar valor de mercado no processo de privatização em curso.
Durante
a reunião, o prefeito Marcelo Morais elevou o tom e afirmou que o município não
tem interesse na prorrogação do contrato, nem no adiantamento dos valores do
fundo municipal de saneamento básico. “O que depender de mim como prefeito,
além de não haver renovação de contrato, qualquer brecha que existir irei
retirar essa empresa da nossa cidade, principalmente se os processos em
andamento que tenham na justiça contra a empresa forem favoráveis para isso”,
declarou.
A
AMM informou que será criada uma câmara de mediação entre os municípios e a
Copasa, para que cada caso seja analisado de forma individual. No mesmo evento,
diversos prefeitos manifestaram insatisfação com a prestação de serviços da
companhia e cobraram publicamente maior transparência nos números para embasar
a tomada de decisões.
“Como
os municípios vão saber se a Copasa dá lucro ou prejuízo, sendo que nunca abre
seus números? Trata-se de uma situação típica de quem quer vender algo sem mostrar
a real condição. A Copasa precisa entender que a relação estabelecida com os
municípios não lhe dá o direito de cobrar ou exigir. Gestores anteriores que
assinaram contratos e colocaram a população nesta situação até 2041 devem ser
responsabilizados por isso. Agora, exigir que eu assine esse contrato torna o
jogo muito mais complicado do que eles imaginam”, afirmou o prefeito.
O chefe do Executivo sugeriu à AMM que obtenha a relação das cerca de 90 cidades que, segundo a Copasa, geram lucro à companhia, e que seja articulado um movimento para que esses prefeitos também não assinem a prorrogação. “Dessa forma, mostraremos ao mercado que estarão adquirindo apenas cidades deficitárias, já que não há transparência na divulgação dos números para a sociedade”, concluiu.

