Projeto incentiva leitura, escrita e protagonismo entre alunos do CAIC

Iniciativa desenvolvida com estudantes do 4º ano da escola municipal prevê produção de jornal e de um livro com textos dos próprios alunos
Foto: Jornal do Sudoeeste/Ralph Diniz
Alunos do 4º ano do CAIC participam do projeto Pequenos Escritores, Grande Futuro, ao lado da professora Fábia Donizeti dos Santos Silva, da diretora Iara Caparelli.jpg

Transformar a sala de aula em uma redação, estimular o gosto pela leitura, desenvolver a escrita e incentivar o protagonismo estudantil. Esses são alguns dos objetivos do projeto “Pequenos Escritores, Grande Futuro: Viajando no Mundo da Leitura”, desenvolvido com alunos do 4º ano da Escola Municipal Professora Maria de Lourdes Dizaró (CAIC), em São Sebastião do Paraíso.

Como parte das atividades, os estudantes criaram o jornal escolar “Voz da Escola”, publicação produzida coletivamente pelos próprios alunos, que participam da elaboração de pautas, da produção dos textos, da criação de manchetes e da divulgação do material dentro e fora da escola. O projeto também prevê, futuramente, a publicação de um livro reunindo produções dos estudantes.

A professora responsável pelo projeto, Fábia Donizeti dos Santos Silva, explica que a iniciativa tem contribuído diretamente para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita dos alunos. “A produção do jornal está contribuindo com a compreensão e interpretação do gênero textual notícia. Está sendo enriquecedora essa experiência. Os alunos estão aprendendo a produzir textos, desenvolver argumentação e fortalecer o senso crítico”, afirma.

Segundo a professora, o trabalho foi evoluindo à medida que os estudantes avançaram no processo de aprendizagem. “No início eu levava as notícias já prontas, apenas para trabalharmos o texto e o contexto. Com o avanço na aprendizagem, eles passaram a ajudar nas escolhas das pautas, criam coletivamente as manchetes, fazem as correções necessárias e também participam da divulgação nas salas e para os familiares”, relata.

Para Fábia, uma das principais descobertas proporcionadas pelo projeto foi perceber o potencial dos estudantes diante dos desafios propostos. “As maiores descobertas foram ver o potencial dos alunos, que aceitam os desafios, são questionadores e assumem o protagonismo da própria aprendizagem. Os desafios estão relacionados principalmente ao processo de escrita e à organização das ideias e das informações”, destaca.

A professora afirma ainda que os resultados superaram as expectativas iniciais. “O impacto tem sido muito maior do que eu imaginava. Eles sabem que são capazes, enfrentam os obstáculos com coragem e um vai encorajando o outro. O interesse pela leitura tornou-se mais evidente na turma. A expectativa por cada texto escrito, por cada edição do jornal e pelo futuro livro faz com que eles queiram sempre mais”, observa.

Ela ressalta que o projeto vai além da produção de um jornal escolar. “Como professora, sinto um imenso orgulho ao acompanhar essa transformação. O projeto ‘Pequenos Escritores, Grande Futuro: Viajando no Mundo da Leitura’ já superou as minhas expectativas. Mais do que produzir o jornal ‘Voz da Escola’ e, posteriormente, um livro, estamos formando cidadãos críticos e capazes de acreditar na própria história. A maior recompensa é ver o brilho no olhar dos alunos a cada descoberta e perceber que quem lê bem, escreve bem”, completa.

A diretora da escola, Iara Caparelli, destaca que projetos como o jornal escolar possuem papel fundamental dentro da proposta pedagógica da instituição. “Projetos como o jornal escolar estimulam a imaginação, a criatividade, a comunicação e o protagonismo dos estudantes. Ao produzirem notícias e compartilharem informações sobre projetos, eventos e atividades desenvolvidas na escola, os alunos tornam-se participantes ativos da construção e da divulgação do conhecimento, fortalecendo também o vínculo entre a escola e a comunidade”, afirma.

Segundo a diretora, a iniciativa também contribui para ampliar o contato dos estudantes com diferentes gêneros textuais e fortalecer habilidades essenciais para a formação acadêmica e cidadã. “O jornal escolar permite que os estudantes conheçam e utilizem diferentes gêneros textuais, ampliando as habilidades de leitura, escrita, interpretação e produção textual, tornando a aprendizagem mais significativa”, explica.

Ela ressalta ainda que a gestão escolar incentiva iniciativas que promovam a alfabetização plena e a formação de leitores competentes. “Valorizamos projetos que partem dos interesses dos próprios estudantes. O jornal escolar mobiliza toda a comunidade escolar, envolve outros professores e projetos desenvolvidos na escola e fortalece o protagonismo estudantil, fazendo com que os alunos compreendam que são sujeitos ativos na construção do conhecimento”, destaca.

Sobre os resultados esperados, a diretora afirma que os benefícios já podem ser observados no cotidiano escolar. “Desde o momento em que os alunos percebem que são capazes de produzir um jornal, pesquisar informações e explorar diferentes gêneros textuais, já observamos avanços significativos. A longo prazo, acreditamos que experiências como essa contribuem para ampliar os horizontes dos estudantes, despertando interesses por diferentes áreas profissionais e fortalecendo a autonomia intelectual. Afinal, a leitura abre portas para o conhecimento, para novas oportunidades e para a construção de projetos de vida”, conclui.

Uma redação dentro da sala de aula

Nesta semana, os alunos também receberam a visita da equipe de reportagem do Jornal do Sudoeste, que apresentou aos estudantes a trajetória do periódico ao longo de seus 41 anos de existência, sua importância para a comunidade paraisense, além de explicar os princípios do jornalismo, como funciona uma redação jornalística e as etapas de produção de uma notícia.

Durante o encontro, os estudantes puderam conhecer aspectos da rotina profissional do jornalismo, esclarecer dúvidas sobre a produção de reportagens e compreender, na prática, como as informações são apuradas, organizadas e transformadas em notícia, aproximando ainda mais a experiência vivenciada em sala de aula da realidade do universo da comunicação.