Projeto busca resgatar tradição de Paraíso como “Cidade dos Ipês”

Proposta de Tomás Martins prevê plantio obrigatório em novos espaços públicos e empreendimentos, além da conservação das árvores existentes
Foto: Arquivo “JS”

O vereador Tomás Salviano Martins apresentou à Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso projeto de lei que estabelece a obrigatoriedade do plantio de mudas de ipê em novos espaços públicos e empreendimentos imobiliários no município.

A proposta também regulamenta medidas destinadas à preservação da memória ambiental, cultural e paisagística da cidade, conforme estabelece a Lei Municipal nº 750, de 25 de outubro de 1968, que reconheceu oficialmente São Sebastião do Paraíso como “Cidade dos Ipês”.

Ao justificar o projeto, Tomás afirmou que a iniciativa procura resgatar uma tradição que vem se perdendo com a redução do número de ipês nas ruas, praças e avenidas do município.

Segundo o vereador, a denominação “Cidade dos Ipês” teve origem em lei apresentada pelo então prefeito Alípio Mumic, a partir de uma iniciativa poética do professor, advogado e historiador, Luiz Ferreira Calafiori, que posteriormente também administrou o município.

“Cada ano que passa, nossa cidade está ficando com menos árvores de ipê. Estamos perdendo a tradição da Cidade dos Ipês”, afirmou Tomás.

O projeto prevê que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente realize o plantio em áreas pertencentes ao município e promova campanhas de distribuição de mudas à população, especialmente durante as comemorações do aniversário de São Sebastião do Paraíso.

A proposta também determina que novos empreendimentos imobiliários plantem pelo menos um ipê em suas áreas verdes. Para Tomás, entretanto, somente plantar não é suficiente. Ele salientou que o poder público deverá garantir a manutenção e a conservação das árvores.

Como exemplo, o vereador mencionou o plantio realizado na avenida Dr. José de Oliveira Brandão Filho. Segundo ele, as mudas não prosperaram por falta de cuidados posteriores e também foram danificadas por animais que circulavam pelo local.

Tomás comparou a situação de Paraíso com a de municípios vizinhos. Conforme observou, cidades que não possuem oficialmente o título de “Cidade dos Ipês”, como Guaxupé, atualmente apresentam uma quantidade maior dessas árvores.

O parlamentar também mencionou uma reportagem realizada por uma emissora de televisão sobre a florada dos ipês no município. Segundo ele, a equipe encontrou poucas árvores em condições de serem mostradas, o que reforçaria a necessidade de recuperar a arborização característica da cidade.

Durante a discussão, o vereador Luiz de Paula relatou ter recebido de uma moradora um pedido para que a Secretaria de Meio Ambiente inspecione os ipês existentes. Muitas árvores estariam tomadas por plantas parasitas, que retiram sua seiva, provocam doenças e podem causar sua morte.

O parlamentar anunciou o encaminhamento de ofício à Secretaria Municipal de Meio Ambiente solicitando a vistoria e o tratamento das árvores. Tomás pediu para subscrever o documento e destacou que o combate às pragas, o coroamento das árvores e outros cuidados são essenciais para que tanto os ipês adultos quanto as novas mudas sobrevivam.

“Se não houver manutenção, não adianta plantar, porque vamos perder também as mudas novas”, ressaltou.

Tomás concluiu afirmando que é necessário agir para impedir que São Sebastião do Paraíso perca uma de suas principais referências ambientais e culturais. Segundo ele, os ipês estão entre as belezas mais representativas do município e fazem parte de sua história e identidade.