Biju critica “inversão de valores” e cobra ações contra perturbação do sossego e linhas cortantes
Vereador questionou interrupção de ensaio de fanfarra infantil, denunciou barulho excessivo e alertou para os riscos envolvendo a soltura de pipas
O vereador Juliano Carlos Reis,
Biju, manifestou indignação, durante sessão da Câmara Municipal de São
Sebastião do Paraíso, com o que classificou como “inversão de valores” no
município. Ele criticou a interrupção de um ensaio de fanfarra formado por
crianças e cobrou das autoridades providências contra casos recorrentes de
perturbação do sossego e o uso de linhas cortantes na soltura de pipas.
Segundo o parlamentar, crianças
que ensaiavam por volta das 17h ou 17h30, em uma quadra na Escola Ibrantina
Amaral foram orientadas por autoridades policiais a interromper a atividade
após uma reclamação de perturbação do sossego. A preparação, conforme explicou,
tinha como finalidade a participação do grupo no desfile cívico do município.
“Essas crianças estavam ali
ensaiando para abrilhantar o nosso desfile cívico. Os pais, os educadores e as
próprias crianças ficaram chateados. Eu acho que não é assim que a gente vai
fazer um Paraíso”, afirmou.
Biju defendeu a importância de
incentivar manifestações culturais, sobretudo aquelas destinadas ao público
infantil. Para ele, o contato com a música e outras atividades artísticas
contribui para a formação das crianças e para a preservação das tradições
municipais.
“Uma cidade que não tem cultura é
uma cidade sem alma, uma cidade em preto e branco”, disse. O vereador também
lamentou o enfraquecimento dos tradicionais desfiles cívicos e de outros
elementos ligados à identidade cultural e nacional.
Ao fazer uma comparação entre a
intervenção no ensaio e outras situações denunciadas pela população, Biju
questionou os critérios utilizados para caracterizar e combater a perturbação
do sossego. Ele apresentou imagens e áudios relacionados a barulho excessivo
que, segundo afirmou, ocorre na região da Zezé Amaral e já havia sido levado
anteriormente ao conhecimento da Câmara.
“Quer dizer que uma fanfarra de
crianças tem intervenção na hora e é considerada perturbação do sossego, mas
esse caso que estou trazendo pela segunda vez ainda não teve um plano de ação?
O que é perturbação do sossego? Qual é a definição em nossa cidade?”,
questionou.
Conforme o parlamentar, moradores
estariam deixando temporariamente suas residências, dormindo na casa de outras
pessoas e até colocando imóveis à venda em razão do barulho. Ele também citou
motocicletas com escapamentos ruidosos e outros transtornos que, em sua
avaliação, tornam a situação especialmente difícil nos fins de semana.
“Nossa cidade está parecendo um
paciente em estágio terminal e o médico olha para ela e fala: ‘Não posso fazer
nada’. Como as coisas que estão em desacordo com a legislação prevalecem? Pedir
para uma criança parar de tocar seu instrumento é fácil. Quero ver resolver o
que precisa ser resolvido”, declarou.
Biju disse que continuará
utilizando a tribuna para cobrar soluções. “Minha única arma é o microfone. Se
eu tivesse poder de intervenção nessas situações, já teria feito. Mas até
quando as pessoas vão continuar sofrendo?”, indagou.
LINHAS CORTANTES
Outro assunto abordado pelo
vereador foi o uso de linhas cortantes na soltura de pipas. Biju apresentou a
imagem de uma jovem que teria sofrido um corte profundo no pescoço e afirmou
que o episódio demonstra a necessidade de medidas urgentes. Em uma semana, é o
segundo caso registrado
Ele ressaltou que não pretende
impedir a prática recreativa de soltar pipas, mas defende fiscalização para
coibir materiais capazes de provocar ferimentos graves ou mortes.
“Enquanto não acontece algo
grave, parece que nada é feito. Uma jovem poderia ter perdido a vida. Vamos
esperar acontecer mais o quê?”, questionou.
Em aparte, o presidente da
Câmara, Lisandro José Mon-teiro, afirmou ter encontrado uma linha que lhe foi
apresentada como “tailandesa”, supostamente ainda mais cortante que a linha
chilena. Segundo ele, um teste feito com o material demonstrou elevado poder de
corte.
“Antes era a linha chilena. Agora
estão usando a tailandesa. Passei só um pouco e cortou tudo. Imagine uma pessoa
em velocidade, numa motocicleta”, alertou Lisandro.
Também em aparte, o vereador Luiz
Benedito de Paula lembrou que a Lei Estadual nº 23.515, de 2019, proíbe o uso,
a posse, a fabricação e a comercialização de cerol, linha chilena e outros
tipos de linha cortante empregados em pipas. Ele defendeu abordagens e
fiscalização por parte da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal, além da
responsabilização de quem comercializa ou utiliza esses materiais.
Ao retomar sua manifestação, Biju
relatou ainda reclamações sobre pessoas que invadem quintais para recuperar
pipas. Para o vereador, a situação já ultrapassou os limites de uma simples
brincadeira e passou a representar ameaça à segurança e à tranquilidade dos
moradores.
Ao final, pediu que o comandante
responsável pelo policiamento seja convidado a comparecer à Câmara para
explicar quais ações estão previstas.
“Não é uma resposta para o
vereador Biju. É uma resposta para a sociedade, para que as pessoas tenham a
segurança de que existe alguma providência prevista. Não podemos esperar uma
vida ser ceifada”, concluiu.

