O Lavador de Louças

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Agora “tenho todo o tempo do mundo!” Aposentei.

Se a ociosidade enferruja, uso mais meu tempo disponível com a família, com bons livros, curtindo boas músicas, nas caminhadas, com o voluntariado e... lavo louças!

É isso mesmo.  Assumi novas funções aqui no ambiente doméstico. Auxilio nas infinitas tarefas do lar. Varro o quintal e a calçada, faço café e pão de queijo, ponho o lixo pra fora, limpo o fogão, a pia...

Labuta mesmo é com os pratos: gente, o trem não para, não tem fim! Toma café e dá-lhe louça; almoçamos e lá vêm os pratos, garfos, copos, xícaras, colheres, tigelas, panelas... “Ilimitado!”

Que privilégio, meu Deus, prato sujo é sinal que tem comida no prato!

Não acumule louça. A visão anárquica da pia transbordando de louça suja é aterrorizante. A regrinha é: sujou, lavou!

Nessa nova fase, recordo meu antigo trabalho: as horas bestas, os cursos, os cafés, as confraternizações “aglomeradas”, os eventos sociais no asilo, nas creches e os projetos ambientais.

Não consigo deixar a saudade para trás,  — “essa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não  vi”, ou vivi! As boas e inesquecíveis recordações!

As fotos, o espelho e a aposentadoria evidenciam a estrada percorrida. Usar creme anti-idade (...?) com saudade dos 26, é um sonho acordado que “o vento vai levando tudo embora”!

Ainda desejando voar sem instrumentos, ao sabor dos ventos, é legal  visitar outras estações, manter e fazer novos amigos, afinal, viver os inéditos capítulos mais do mesmo da vida.

...E, não, não vou comprar máquina de lavar louça. Kkkk!

Ah, e o mundo começa agora...!

Jorge Moreira Maciel

uaijorgemoreiramaciel@gmail.com

São Sebastião do Paraíso - MG