A
caneta e a tinta
“O prefeito tem a
caneta, mas nós aqui na Câmara temos a tinta da caneta”. A afirmativa é do
ex-vereador Antonino José Amorim, que, espirituoso e de raciocínio rápido,
certa vez resumiu assim a relação que no seu ponto de vista deve haver entre
Executivo e Legislativo. A imagem dispensa maiores explicações: a caneta do
prefeito tem peso, mas muitas decisões dependem do aval dos vereadores. Amorim
sabia dar o recado.
O
mais tranquilo
Na audiência pública
sobre veículos elétricos, realizada terça-feira (13), o prefeito Marcelo MoraIs
afirmou que São Sebastião do Paraíso tem o trânsito mais tranquilo entre as
cidades em um raio de cem quilômetros. Segundo ele, os números comprovam essa
condição. A comparação, porém, veio acom-panhada de uma ressalva do próprio
prefeito: “Se nós somos os melhores números da região, imagina o que acontece
fora. E olha, nós estamos ruim”.
Segurança
jurídica
Dar mais segurança
jurídica à fiscalização e fortalecer a educação no trânsito são objetivos
apontados pelo vereador Roney Vilaça para o projeto que pretende disciplinar a
circulação de bicicletas elétricas e patinetes em São Sebastião do Paraíso. Na
audiência pública de terça-feira (13), o presidente da Comissão de Segurança
Pública e Trânsito relatou receber reclamações frequentes. Ressaltou, porém,
que a proposta não terá efeito “milagroso”: a expectativa é oferecer
instrumentos para orientar os usuários e subsidiar a fiscalização.
Pontapé
inicial
Roney classificou a
audiência sobre bicicletas elétricas e patinetes como o “pontapé inicial” para
a construção de uma proposta de consenso. O vereador afirmou que as
contribuições apresentadas deverão subsidiar o projeto, com atenção à
legalidade e ao respeito às normas federais. Também garantiu a retirada de
dispositivos considerados inconstitucionais.
Em
primeiro lugar
A definição de regras
claras para a circulação de bicicletas elétricas e patinetes marcou as
contribuições do capitão Robson, da Polícia Militar, e do vereador Tomaz
Martins na audiência pública de terça-feira (13). O capitão abordou limites de velocidade,
circulação em vias compatíveis, respeito ao sentido do trânsito e proteção dos
pedestres, além de alertar para as diferenças entre os tipos de veículos e suas
exigências de segurança. Tomaz apresentou como referência a legislação de
Taubaté, com limites específicos conforme o espaço de circulação e previsão de
multas e apreensão.
Dentro
da legalidade
O delegado regional de
Polícia Civil, Tiago Bordini destacou que a regulamentação municipal de
bicicletas elétricas e patinetes precisa respeitar as normas federais. Explicou
que o município pode disciplinar questões locais e preencher lacunas, sem
contrariar as regras gerais de trânsito. Sua contribuição reforçou a
necessidade de uma proposta juridicamente consistente, acompanhada de educação
para orientar os usuários e prevenir acidentes.
Compartilhada
O prefeito Marcelo
Morais defendeu uma atuação conjunta da Prefeitura, forças de segurança,
Câmara, Ministério Público, Judiciário e Conselho Tutelar. Cobrou a
participação dos órgãos de proteção à infância e destacou a responsabilidade
dos pais. Entre as sugestões, propôs um termo de responsabilidade assinado
pelos responsáveis na compra dos equipamentos e encaminhado à Prefeitura.
Não
vai correr atrás
Marcelo afirmou que não
vai “correr atrás de menino” com bicicleta elétrica nem colocar a Guarda
Municipal para esse tipo de fiscalização. Ao rejeitar perseguições pelas ruas,
destacou os riscos envolvidos e cobrou a responsabilidade dos pais e a
participação dos demais órgãos competentes. Morais também revelou que,
inicialmente, não pretendia comparecer à reunião.
MEMÓRIA PARAISENSE
No dia 17 de outubro de 1936 o jornal paraisense Libello do Povo está sob vigilância cerrada da censura instituída na Era Vargas. O delegado especial de São Sebastião do Paraíso encaminha ofício aos seus superiores de Belo Horizonte, anexando recorte de artigo redigido pelo jornalista João Borges de Moura, publicado no referido jornal, com a seguinte anotação: “Ao capitão Dornelles, para ver esse jornal de S. S. do Paraíso”. Memória preservada em documento arquivado na pasta no 4980 do acervo do extinto Dops - Departamento de Ordem Pública e Social, disponível no Arquivo Público Mineiro. (Do livro Efemérides Paraisenses)



