AGRONEGÓCIOS

Início da colheita em 60 dias na Zona da Mata poderá interferir nos preços, diz diretor da Caffer

Por: Nelson de Paula Duarte | Categoria: Agricultura | 13-03-2022 07:57 | 1225
Fernando Neto Pereira, diretor da Caffer Armazéns Gerais
Fernando Neto Pereira, diretor da Caffer Armazéns Gerais Foto: Arquivo

A regressão no preço do café, é algo que ninguém esperava. Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia as bolsas estão muito voláteis. “A cada dia, uma notícia nova, petróleo em alta e commodities caindo. Já está acontecendo e tem trazido prejuízos para os cafeicultores. A bolsa voltou 2.900 pontos”, afirma Fernando Neto Pereira, diretor da Caffer Armazéns Gerais,

Produtores estavam cientes, acompanhando a saca a R$ 1.500,, alguns à espera de melhores preços, mas isso não aconteceu. Com o ataque da Rússia a Ucrânia, fundos acabam saindo do café e aplicando em renda fixa, e isso ocasiona volatilidade muito grande. Nesta semana a queda nas bolsas internacionais influenciou no mercado físico, trazendo o café para R$ 1.250 – R$ 1.300.

Outro fator a ser levado em conta por cafeicultores é que dentro de uns 60 dias se inicia a colheita na Zona da Mata, e com base na lei de oferta e procura, também poderá trazer o mercado para baixo. Começando a aparecer mercadoria nova no mercado, a tendência é queda de preços, diz Fernando Neto Pereira.

“Exportadores têm muito compromisso no exterior que não foram cumpridos, devido a travas. Sabemos que há muitos problemas de travas, no Brasil inteiro. Produtores fizeram para um, dois e até três anos em níveis de R$ 500, - R$ 600 -, depois o mercado chegando à casa de R$ 1.500 ocasionou o não cumprimento, além do que, foi uma colheita muito pequena no ano safra 21/22, além de termos passado nesse período por geadas em algumas partes do país, que acarretou mais prejuízos para o ano 22”, observa.

O diretor da Caffer Armazéns Gerais alerta que a safra deste ano não é conforme divulgado pela CONAB no mercado. Na CAFER acreditamos que não serão colhidas 50 milhões de sacas, conforme anunciado, número muito alto pela bienalidade do café, até porque choveu no final de dezembro, início de janeiro, e o que será produzido é o que vem da florada de setembro, enfatiza.

Fernando ressalta que a entrada café novo no mercado irá pressionar o mercado para baixo, ainda mais porque há outros fatos que o cafeicultor não esperava. Se a guerra entre Rússia e Ucrânia se estender, ou acontecer catástrofe, tenham certeza que haverá realização bem maior que imaginamos na cafeicultura, conclui.