ESPAÇO SAÚDE

Diazepam e Rivotril: Cuidados ao utilizar e efeitos colaterais de risco

Por: Redação | Categoria: Saúde | 22-06-2022 07:38 | 341
Dr. Luiz Gustavo Guedes - Psiquiatra -
Dr. Luiz Gustavo Guedes - Psiquiatra - Foto: Arquivo

Os Benzodiazepínicos (Diazepam, Clonazepam, Alprazolam e outros) são medicamentos antigos que foram desenvolvidos para tratamento da ansiedade e da insônia, muito utilizados no mundo inteiro. O Brasil é o maior consumidor de Rivotril do mundo.

Tais substâncias são prescritas em grande quantidade por médicos de todas as especialidades. No começo seus efeitos são satisfatórios naqueles que estão com grande dificuldade de sono ou com uma ansiedade em níveis alarmantes, além de que podem ser utilizados como coadjuvantes em tratamentos com outras medicações.

Diferente dos antidepressivos, eles fazem efeito logo após serem ingeridos, porém com o passar do tempo, tais substâncias vão deixando de ser eficazes, necessitando assim o aumento de dosagem para obter os mesmos efeitos do início, aumentando a chance de efeitos colaterais e trazendo riscos para seus usuários.

Listei abaixo algumas perguntas comumente feitas em meu consultório sobre tais fármacos.

Diazepam ou outros benzodiazepínicos viciam?
Se o uso for esporádico ou somente por algumas poucas semanas, a chance de causar dependência é pequena. Uso crônico, prolongado ou em dosagem mais alta pode sim causar dependência, portanto deve ser evitado e substituído por medicações mais modernas e seguras, com menos efeitos colaterais.

Quem tem histórico de etilismo pode usar estas medicações?
Caso quem estiver utilizando este tipo de tratamento ter tendência familiar ou própria de uso de álcool, histórico de etilismo ou abuso de drogas, a chance aumenta consideravelmente de dependência dos benzodiazepinicos. Tais medicações podem ser utilizadas para substituir o álcool no início de tratamento para etilismo quando acompanhado próximo por um especialista e somente por curto prazo. Após certo período ele deverá ser revisto e idealmente substituído por outro tipo ou suspenso.

Quem tem síndrome do pânico pode usar?
Sim, aqueles que ainda estão no início do tratamento para ansiedade e pânico com antidepressivos possivelmente irão ter algumas crises, por isso este tipo de medicação está indicado como S.O.S., ou seja, somente quando em eminência de crise ou em uma. Usa-se uma forma sublingual em dosagem baixa nestes casos para aliviar naquele momento os sintomas de pânico. Após iniciar o efeito dos antidepressivos, benzodiazepinicos não serão mais necessários.

Tenho insônia, posso usar benzodiazepínicos todas as noites?
A resposta é não. Tais medicações possuem efeitos colaterais importantes incluindo alterações de memória, risco de queda, dependência, alteração de humor, piora de sintomas depressivos, irritabilidade ao acordar, entre outros. Existem medicações melhores e com menos efeitos colaterais, específicos para o tratamento da insônia.

Quem toma diazepam pode tomar clonazepam?
Não juntos. Como estes dois tipos são da mesma classe, não devem ser misturados, pois haveria uma ingestão de dosagem alta, já que se somariam, trazendo riscos de superdosagem e até levar a parada respiratória.

Quais são os efeitos colaterais destes remédios?
Entre os já citados, destaca-se a diminuição da atenção, diminuição da concentração, diminuição da velocidade e capacidade de raciocínio, alterações da velocidade da fala, diminuição da capacidade de planejamento, dependência e alterações de memória como diminuição da capacidade de memorização e de recordação, desinibição, risco de queda, vertigem, diminuição da vontade de realizar tarefas, zumbidos e por fim, o uso prolongado pode contribuir em 30% ao desenvolvimento de demência em idosos.

Tem alguma dúvida que não está aqui? Siga o Instagram @drluizgustavo guedes e lá irá encontrar várias postagens sobre Psiquiatria. Te vejo na próxima coluna Espaço Saúde aqui no Jornal do Sudoeste.

Dr. Luiz Gustavo Guedes
Médico Psiquiatra
CRM/MG 63277
RQE 50446