POLEPOSITION

Williams está 20 anos defasada

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 02-07-2023 08:11 | 1511
O fundo do assoalho da Williams revelou ser o mais simples da F1, o que explica um pouco da defasagem em relação às equipes de ponta
O fundo do assoalho da Williams revelou ser o mais simples da F1, o que explica um pouco da defasagem em relação às equipes de ponta Foto: Motorsport Images

A Williams vem de um ótimo 7º lugar no Canadá. Soa estranho falar que um time que venceu 9 campeonato de construtores, 7 de pilotos e que soma 114 vitórias na F1 possa festejar tão pouco perante seu passado vitorioso, mas é a realidade em que a Williams se encontra. Desde que perdeu a parceria com a BMW no final de 2005 a equipe entrou numa espiral negativa e não conseguiu se reerguer. A última vitória da Williams foi no GP da Espanha de 2012 com o venezuelano Pastor Maldonado numa temporada atípica em que 8 pilotos diferentes venceram corridas. Antes disso, Juan Pablo Montoya havia vencido no Brasil em 2004. 

Com a situação financeira perigando, antes que a equipe ficasse à deriva a família do fundador, Frank Williams, não teve outra alternativa senão vender a Williams para o Dorilton Capital, um fundo de investimento norte-americano que manteve o nome tradicional e agora tenta reerguer o time que já foi grande num passado nem tão distante assim. Mas não é uma tarefa fácil. A Williams está 20 anos defasada. A revelação veio do novo chefe da equipe, James Vowles, ex-diretor de estratégia da Mercedes, que busca acordo com a F1 e a Federação Internacional de Automobilismo para poder reorganizar a equipe sem ser penalizada com a quebra do teto orçamentário de US$ 145 milhões. Para investir em infraestrutura será preciso gastar mais que o permitido pelo regulamento. A Williams desfruta hoje de mais dinheiro, mas está de mãos amarradas por conta do teto de gastos implantado na F1 desde 2021.

Vowles disse que assim que chegou no começo do ano mostrou para os dirigentes das duas entidades “o que eu tinha na Mercedes e o que eu tenho na Williams”, e que a chance de competir com o que tem é zero, revelando a defasagem na infraestrutura em relação às equipes de ponta. E faz sentido quando foi mostrado a simplicidade do fundo do assoalho do modelo FW45 ao ser içado na Espanha depois da batida de Logan Sargeant. Uma peça tão complexa e responsável por mais de 60% da geração de pressão aerodinâmica dos carros atuais da F1, o da Williams chocou quando comparado ao de outras equipes.

 

A F1 disputa neste final de semana a 9ª etapa do campeonato e o GP da Áustria está com a programação diferente com a segunda corrida sprint do ano. Serão seis ao todo. Ontem foi dia de classificação para a corrida de domingo e hoje às 7h tem a mini classificação para a sprint que terá largada às 11h30. O GP da Áustria acontece amanhã às 10h, tudo ao vivo pela TV Band.

A Red Bull corre no quintal de casa, no Circuito Red Bull Ring, de sua propriedade, mas de todas as pistas até aqui, essa tende a ser a que a vantagem do modelo RB19 de Max Verstappen e Sergio Pérez não seja tão expressiva como nas outras, muito por conta do traçado curto em que os tempos de volta são muito próximos uns dos outros, e que se assemelha com Interlagos até pela altitude do local, 677 metros acima do nível do mar, suficiente para reduzir a densidade do ar e a pressão aerodinâmica dos carros. Foi na Áustria em 2022 que a Ferrari venceu pela última vez na F1 com Charles Leclerc desbancando o favoritismo de Verstappen. A Red Bull vem de 8 vitórias seguidas, mesma marca que a Mercedes obteve em 2019. O recorde pertence à McLaren que em 1988 venceu 11 provas consecutivas no ano do primeiro título de Ayrton Senna com o modelo MP4/4-Honda. Mas nem tudo é motivo de festa na Red Bull, pelo menos pelos lados de Sergio Pérez. Enquanto Verstappen cravou a sexta do ano, o mexicano mais uma vez ficou no Q2 e vai largar apenas de 15º amanhã. Um desastre para Pérez com o excepcional carro que tem. É a quarta vez seguida que ele não avança para o Q3, o último bloco da classificação.

 A Áustria, país com população inferior a 10 milhões de habitantes, já fez dois campeões mundiais e soma 4 títulos na F1: um de Jochen Rindt em 1970, o único campeão póstumo, e três de Niki Lauda, em 1975, 77 e 84. Este será o 36º GP da Áustria que entre idas e vindas, está no calendário da F1 desde 1964. Com três vitórias para cada, Alain Prost e Max Verstappen são os que mais venceram este GP, e entre as equipes, Ferrari e McLaren estão empatadas com 6.