POLEPOSITION

Dez anos do acidente de Michael Schumacher

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Educação | 30-12-2023 19:31 | 821
Michael Schumacher, no auge de sua carreira, comemorando mais uma vitória
Michael Schumacher, no auge de sua carreira, comemorando mais uma vitória Foto: Divulgação

Nesta sexta-feira (29) completou-se dez anos do acidente de Michael Schumacher quando passava férias com a família nos Alpes Franceses e bateu a cabeça em uma pedra enquanto esquiava ao lado do filho, Mick Schumacher, na época adolescente, hoje piloto reserva da Mercedes. Schumacher sofreu lesões graves e severas no cérebro.

De lá para cá, pouca coisa foi dita, pouco se sabe, e a pouquíssimas pessoas fora do ambiente familiar foram confiadas o sigilo ao real estado de saúde do alemão, um dos segredos mais bem guardados no esporte. Um desses poucos é Felipe Massa, a quem o próprio Schumacher costumava chamar de “meu irmãozinho”. Eles se conheceram na Ferrari e formaram dupla em 2006, quando então o alemão anunciou a sua primeira aposentadoria deixando o caminho aberto para o brasileiro que aprendeu muito com a passagem de bastão.

O vazio deixado no ar é um desejo da família e que deve ser respeitado. Schumacher sempre foi uma pessoa reservada fora das pistas, e esta é uma forma de manter a sua privacidade, ainda que muitos fãs não concordem com a falta de informações a respeito do ídolo.

Muitas notícias falsas circularam pelos meios de comunicação nesses dez anos, mas pouca coisa concreta. Atualmente fala-se menos sobre o estado de Schumacher, até mesmo pela falta de informações e de novidades sobre o caso. Na próxima quarta-feira (3), ele completará 55 anos de idade.

Um documentário produzido pela Netflix em 2021 intitulado “Schumacher”, não revela nada sobre suas condições, mas trouxe uma declaração inédita da esposa, Corinna, que diz muito sobre o silêncio que ficou desde aquele fatídico 29 de dezembro de 2013.

“Estamos tentando continuar como uma família do jeito que Michael gostava, e ainda gosta. Michael sempre nos protegeu e agora estamos protegendo Michael. Todos sentem a sua falta, mas ele está aqui. Diferente, mas está, e isso nos dá força”.

A última nota oficial divulgada pela família e já tem algum tempo, dizia que o ex-piloto está consciente e se recupera de forma gradativa em sua casa em Lake, na Suíça. Ponto. É tudo que se sabe. Qualquer outra informação diferente disso e que não seja divulgada pela assessora de imprensa de Schumacher, Sabine Kehm, que o acompanhou durante quase toda a carreira na F1, é mera especulação.

Especular como estaria Schumacher não leva a nada. Mais importante que isso é torcer por ele, e nesta última coluna de 2023, reproduzo abaixo, como homenagem, um texto que escrevi em 2007 quando Schumacher percebeu que era hora de dar um tempo na vida de aposentado, antes de retornar no ano seguinte pela Mercedes:

Michael Schumacher, 38 anos, mas com a vontade jovial de um garoto de 18, que havia sentado pela última vez em um carro de F-1 no GP do Brasil do ano passado, 387 dias sem pilotar, 5 quilos acima de seu peso, sentiu saudades do ambiente que o transformou num dos maiores pilotos de todos os tempos. Pediu um teste à Ferrari sob a batuta de ajudar no desenvolvimento do carro sem o controle de tração, e foi atendido prontamente.

Um teste. Ou melhor, dois dias de testes, e Schumacher foi o mais rápido nos dois. Foi como se Michael quisesse mostrar ao mundo que se ainda estivesse na ativa seria o mesmo dos 7 títulos, 68 poles e 91 vitórias, desafiando a nova e talentosa geração cheia de vontade como Hamilton, Kubica, Massa, e ‘dando pau’ nos da velha guarda que ainda insistem permanecer nas pistas. E depois de tudo que conquistou ele ainda disse que ficou nervoso ao sentar novamente no cockpit de um F-1, mas se sentia como um garoto de 18 anos!

Força, Schumacher!

“Feliz Ano Novo a todos”