POLEPOSITION

F1 em ebulição

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 09-03-2024 08:33 | 651
Christian Horner e Max Verstappen. Clima tenso fora da pista na Red Bull
Christian Horner e Max Verstappen. Clima tenso fora da pista na Red Bull Foto: Getty Images

Equipe Andretti rejeitada pela F1. Christian Horner investigado por conduta imprópria após denúncia de uma funcionária da Red Bull. Presidente da Federação Internacional de Automobilismo investigado pelo Comitê de Ética da entidade por tentativa de manipular o resultado do GP da Arábia Saudita do ano passado.

Não. Não é sobre essa F1 que eu gosto de escrever. Há quem gosta de ver fogo no parquinho, mas não é o meu caso.

A F1 vive um clima tenso neste início de temporada. Não bastasse as polêmicas de bastidores, na pista o que se viu na abertura do campeonato no GP do Bahrein foi uma extensão do campeonato de 2023. Max Verstappen nem precisou suar no macacão para conquistar uma vitória esmagadora, confirmando o que se previa depois do primeiro dia de pré-temporada.

A F1 sempre teve suas “eras”. Para ficar só no passado mais recente, Schumacher dominou o esporte entre os anos 2000 e 2004 quando venceu seguidamente 5 de seus 7 campeonatos. Depois foi a vez de Sebastian Vettel com a Red Bull que emplacou as conquistas de 2010 a 2013, também vencendo seus 4 campeonatos em sequência.

O período de ouro da Mercedes veio a seguir com nada menos que oito campeonatos de construtores entre 2014 e 2021 e nesse período Lewis Hamilton conquistou 6 de seus sete títulos mundiais.

Então a era Verstappen não é novidade e nem algo que seja desestimulante para continuar assistindo às corridas. Um ótimo piloto sentado em um carro excepcional e num momento em que não há outra equipe capaz de construir carros à altura para que seus pilotos possam desafiar o holandês. A única certeza é que todas as “eras” da F1 tem começo, meio e fim, e para quem já está cansado de ouvir o hino holandês a cada corrida, em 2026 haverá mudança radical do regulamento e são nessas mudanças que a relação de forças da F1 costuma mudar de mãos. Mas por hora, é o que temos.

É verdade que todos nós gostaríamos de ver mais disputas por vitórias e títulos, como no inesquecível 2021 em que o campeonato foi decidido na última curva da última volta do ano. Mas aquele foi um caso atípico. Há sim, coisas interessantes para serem observadas, como a genialidade de Adrian Newey em arriscar um projeto radical com o modelo RB20 quando ele tinha nas mãos um carro vitorioso como o RB19 da Red Bull do ano passado.

Verstappen recebeu a bandeirada com vantagem de 22s531 sobre o companheiro de equipe, Sergio Pérez, e 25s149 sobre o 3º colocado Carlos Sainz, da Ferrari. A diferença para o 7º colocado, Hamilton, foi de 50s324. No ano passado, Verstappen também venceu o GP do Bahrein com 11s987 sobre o mesmo Sergio Pérez, e 38s687 sobre Fernando Alonso, o 3º colocado. A diferença para o 7º, George Russell, foi de 55s873. Observe que as diferenças deste ano na mesma pista e com condições climáticas semelhantes foram menores que as de 2023, ainda que a vantagem da Red Bull continue um abismo. Se voltarmos no GP de Abu Dhabi, última prova de 2023, Verstappen venceu com 17s793 sobre Leclerc, 20s328 sobre o 3º colocado, George Russell, e a diferença para o 7º, Alonso, foi de 39s512.

Deu para observar como a diferença vinha caindo? Aí está o lado bonito da história diante do domínio de uma equipe. Se Newey não arriscasse inovar com o RB20, Verstap-pen certamente teria vencido do mesmo jeito o GP do Bahrein, mas com margem muito menor à que impôs sobre os adversários.

Mas nem tudo é festa na Red Bull, que vive momentos de tensão fora da pista com Christian Horner tentando mostrar que tem força na equipe mesmo depois da denúncia de conduta imprópria da qual está escapando, e outra parte, liderada pelo pai de Max, Jos Verstappen, pedindo a cabeça do chefe da equipe. É uma luta pelo poder que pode até prejudicar o andamento da equipe.

A F1 está em Jeddah e neste sábado acontece o GP da Arábia Saudita, segunda etapa do campeonato, com largada às 14h. É provável que Verstappen ganhe novamente em condições normais de corrida. Mas há um caldeirão em ebulição nos bastidores da Red Bull e da própria F1.

“8 de março, data que merece reflexão para o tempo em que vivemos. Fica aqui a minha homenagem a todas as mulheres pelo seu dia”