OPINIÃO

Carta de Bill Gates aos eleitores e aos candidatos em 2024

Por: Redação | Categoria: Do leitor | 19-01-2024 11:59 | 17
Foto: Arquivo

Fábio Caldeira
Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político 

Enquanto muitos vão disputar as eleições deste ano com fins nem um pouco nobres, dedicados exclusivamente a projetos corruptos, pessoais ou partidários, relevante ler texto de Bill Gates postado em suas redes sociais no último dia 17, direcionado aos candidatos e aos eleitores das eleições deste ano mundo afora.

Intitulado "As eleições de 2024 moldarão o futuro da saúde global e do clima", Gates inicia com uma interessante constatação: "Li recentemente uma estatística que me surpreendeu: mais pessoas poderão votar em 2024 do que em qualquer outro ano da história. Cidadãos de quase 60 países irão às urnas este ano para eleger líderes em todos os níveis de governo. Esses países abrigam mais de 4 bilhões de pessoas - ou mais da metade da população mundial. É impressionante pensar nisso".

segue Gates: "As eleições nacionais - como as que acontecem nos Estados Unidos, na Índia e na África do Sul - atrairão a maior parte da atenção. Mas bilhões de pessoas em todo o mundo também elegerão governadores, prefeitos e vereadores. Todos os níveis de governo estarão em votação. O grande número de pessoas que votarão em 2024 significa que os resultados terão um impacto descomunal no futuro do nosso mundo".

Posteriormente faz uma recomendação deveras importante a "todas as pessoas que vão às urnas este ano - não importa onde vivam -, que considerassem a eleição de líderes que compreendam a importância de investir no desenvolvimento humano em todo o mundo".

Adiante dispõe de temas relevantes, dizendo que "as crises econômicas reduziram o financiamento internacional para as prioridades globais de saúde, e a crise climática acrescentou outro desafio que merece atenção e apoio globais.

Acredito que as eleições de 2024 serão um ponto de destaque tanto para a saúde como para o clima. As decisões tomadas pelos líderes eleitos determinarão o progresso que continuaremos a fazer em cada área".

Diz ainda que devido "à Covid e a outros reveses, o objetivo das Nações Unidas de reduzir as mortes infantis para metade até 2030 não será cumprido. Mas ainda poderá ser alcançado na década seguinte se as nações mantiverem ou aumentarem os seus compromissos de ajuda externa". Faz um alerta importante que "agora é o momento dos políticos darem prioridade à preparação para uma outra pandemia, antes que seja tarde demais".

Sobre as questões climáticas, dispõe que "sinto-me otimista em relação ao nosso progresso global. Mas os próximos cinco anos continuam críticos. Esta década é também um período chave para a modernização das redes elétricas e a melhoria da transmissão de energia. O mundo fez avanços incríveis na geração de eletricidade limpa, mas não alcançaremos todo o potencial deste trabalho árduo sem a infraestrutura para fornecê-lo. Isto é algo que exigirá o apoio de todos os níveis de governo, mas especialmente dos líderes locais.

Não há dúvida de que estamos enfrentando grandes desafios. Não podemos permitir que o extremismo e a polarização limitem as nossas escolhas. Precisamos de pensar no futuro quando se trata dos grandes desafios que enfrentamos e precisamos de pensar sobre o que terá o maior impacto ao longo do tempo.

Acredito que a inovação é a chave para o progresso. A aceleração da inovação requer liderança política e liderança do setor privado. À medida que os eleitores de todo o mundo decidam quais os candidatos pretendem eleger para ocupar cargos nacionais, estaduais e locais, penso que devemos considerar que tipo de líderes podem impulsionar as inovações de que necessitamos - e garantir que cheguem às pessoas que mais precisam delas".

Pertinentes conselhos e reflexões de Bill Gates. E que nós eleitores façamos nossa parte, e que no caso do Brasil, os candidatos a prefeito e vereador compreendam a responsabilidade da missão de cada um!

Fábio Caldeira
Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político
(Hoje em Dia 19/01/2024)